AGRICULTURA – Preocupação com estiagem
Virna Alencar
“Agora sim é época de seca – entre julho e setembro, sendo agosto, normalmente, mais seco. Entramos neste período em condições ruins e a pergunta é: Como vamos sobreviver”. A preocupação é do superintendente de Agricultura de Campos, Luiz Eduardo de Campos Crespo.
Ele explicou que a região vive um período de seca verde – “esverdeamento” do campo provocado pela redução de animais na área rural e o volume de chuvas que caíram sobre o Sudeste nos últimos dias, que trouxe certo alívio aos produtores em relação à pastagem. Ainda assim, a seca levou ao esvaziamento do gado bovino, vendidos para grandes produtores dos estados de Goiás e Minas Gerais, por exemplo. “Entramos no verão com a terra seca. Como não choveu, não iniciamos o inverno com as terras umedecidas. A chuva chegou fora de época, mas não foi o bastante. O nível do Rio Paraíba do Sul continua baixo, os canais, como de Cambaia, e lagoas, como a do Campelo, estão zerados. A safra de cana está raquítica e o produtor perdeu seus animais, logo, a fonte de renda. Se continuar assim, os pastos irão secar”, disse, ressaltando que o cenário do homem do campo não é nada animador.
Programa de Merenda Escolar
Para tentar mudar essa realidade, Crespo citou iniciativas adotadas pela Prefeitura de Campos como o Programa de Merenda Escolar. Em 2015, as famílias de agricultores dos assentamentos rurais de Campos estão garantindo renda extra. O programa permitiu a participação de diversos grupos de agricultores na chamada pública realizada em dezembro do ano passado pelas secretarias municipais de Agricultura e de Educação, Cultura e Esportes (Smece) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Eles assinaram contrato e estão cadastrados para fornecimento de produtos agrícolas (verduras, frutas e legumes) para o programa da rede municipal de ensino de Campos.
Audiência Pública debate alternativas
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou, no dia 18 de maio, uma audiência pública para debater o tema “Agricultura, Pecuária, Seca e Salinização: alternativas viáveis”, no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/Campos). O deputado estadual Bruno Dauaire (PR), presidente da Comissão Especial do Norte e Noroeste Fluminense, presidiu a audiência, que teve como objetivo ampliar o debate e buscar soluções para a pior seca da história da região.
Dados divulgados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater-RJ) revelam que o setor agropecuário teve perda acumulada de R$ 293.433.375,00 em 2014 e início de 2015.
‘Vaca Móvel’: projeto para beneficiar produtor de leite
Outra aposta feita no mês de julho através da superintendência é o Projeto Vaca Móvel, do Programa Mais leite, que chegará a pelo menos 50 produtores de leite do município. O projeto também é desenvolvido em parceria com o Sebrae e tem como objetivo permitir ao produtor aumentar a quantidade e a qualidade do leite extraído de seu rebanho.
Segundo o projeto, uma veterinária leva uma unidade móvel do Sebrae até a propriedade para fazer um levantamento das condições do rebanho. Na primeira vez é feita uma ultrassonografia nos animais. Na segunda visita uma análise da alimentação, pastagem e outros, e na terceira, um exame da qualidade do leite. Depois são mais três visitas, que incluem duas ultrassonografias e mais um diagnóstico da alimentação e da pastagem. “Queremos fomentar a produção leiteira no município. A expectativa é triplicar essa produção para o ano que vem. É importante destacar que sem tecnologia é possível produzir em diversos segmentos, mas com ela, o produtor se torna competitivo. É o que tentamos incentivar por meio de parcerias feitos nos projetos e programas desenvolvidos no município”, acrescentou Crespo, lembrando que nova parceria vem sendo fechada na rede de hortas.
No mês de abril, a Secretaria de Agricultura, conforme entendimento com os pecuaristas que estão com dificuldades para alimentar o gado por falta de pastagens iniciou um teste para produção de volumoso nutricional e silagem feito com a palhagem das lavouras de abacaxi (os pés de abacaxi depois de colher o fruto).
O teste teve início numa propriedade na localidade de São Martinho, na Baixada Campista, onde 150 mil pés de abacaxi foram doados. A Secretaria de Agricultura utilizou uma máquina ensiladeira (corta e tritura a plantação), que lança a massa triturada dentro da caçamba de um caminhão que se move ao lado do equipamento. A massa é rica em nutrientes e forma o chamado volumoso nutricional, que será oferecido ao gado, e assim, evitar a morte por desnutrição.FONTE: o DIÁRIO
31 de Agosto, 2015



