SAÚDE – Número de partos por cesariana é alarmante


“Em um parto por cesárea, a mulher perde de 800 ml a 1000 ml de sangue, enquanto em um parto normal, meio litro. Com isso, o número de mulheres que morrem em decorrência da cesariana é bem maior do que as que optam pelo parto normal”. A afirmação foi feita pelo responsável pela implantação da Rede Cegonha no Hospital dos Plantadores de Cana (HPC), médico Fernando de Azevedo, que considera alarmante o número de cesarianas realizadas no Brasil, a exemplo do ministro da Saúde, Arthur Chioro. Para o ministro, o país vive uma epidemia desse tipo de parto.
Com dados de 2013, a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo ministério em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que 54,7% dos partos brasileiros são cesáreas, muito acima da recomendação de 15% da Organização Mundial da Saúde (OMS). Fora do Sistema Único de Saúde (SUS), a proporção chega a 88%.
No HPC, em Campos, segundo Fernando, dos 300 partos/mês feitos pelo SUS, 60% são por cesárea. Ele diz que há um motivo para esse número, considerado alto. “O hospital é referência em gravidez de alto risco e atende toda região”, explicou.
Médico Fernando de Azevedo: parto normal tem menos risco de morte. (Phillipe Moacyr)
Gravidez: rede de cuidados é destacada 
O médico destaca a importância da Rede Cegonha. “É uma estratégia do Ministério da Saúde a Rede Cegonha, que objetiva implementar uma rede de cuidados que começa na confirmação da gravidez, passa pelo pré-natal, parto e pós-parto, indo até os dois primeiros anos de vida da criança”, explicou. Na rede particular, o índice de parto por cesárea chega a 90%, onde de cada 10 mulheres, nove são submetidas à cirurgia. O SUS paga cerca de R$ 200 por uma cesariana, enquanto os planos de saúde entre R$ 300 e R$ 600.
Fernando destacou que sempre foi um defensor radical do parto normal, mas hoje acredita que o melhor parto é aquele em que mãe e bebê ficam bem. “Não defendo a redução do parto por cesárea a custo de uma lesão para os dois”, disse o médico, destacando que não existe gravidez sem risco. “O que faz a diferença é o acompanhamento pré-natal. Muitas mulheres chegam ao hospital na hora de ganhar o bebê sem nunca ter passado por uma consulta pré-natal”, acrescentou o médico. Ele disse que a hipertensão é a principal causa de morte da mulher, seguida pela hemorragia e infecção. “Quando a mulher é hipertensa, há dificuldade na passagem do bebê ou risco de vida para o feto ou a mãe, o parto por cesárea é indicado, mas a hipertensão crônica não impede a mulher de ter o bebê de parto normal”, ressaltou Fernando, que defende uma ampla discussão sobre o parto por cesárea, por ser um tema polêmico. Em Campos, nascem anualmente 7.600 crianças.
FONTE: O DIÁRIO

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