Sistema de monitoramento de velocidade em rodovias federais revela comportamento preocupante de motoristas


Um sistema de monitoramento de velocidade em rodovias federais tem revelado um comportamento preocupante dos motoristas.

 

É a infração mais comum e, também, uma das mais perigosas. A cada hora, são registradas mais de 800 multas por excesso de velocidade nas rodovias federais do país. Mas o número pode ser ainda maior.

 

 

O monitoramento feito em dois radares, separados por 11 km perto de Uberaba, em Minas, mostrou que muitos motoristas freiam diante do equipamento, mas voltam a acelerar logo em seguida. A concessionária calcula o tempo gasto entre os dois pontos para estimar a velocidade média do percurso.

 

 

“Então, o projeto consistiu em monitorar a velocidade do usuário em toda aquela extensão e não apenas a velocidade no momento do radar”, diz Matheus Fernandes, diretor-superintendente da Ecovias.

 

 

No primeiro semestre de 2026, 1,5 mil motoristas passaram acima do limite em um dos radares. Mas quando a concessionária analisou a velocidade média entre os dois equipamentos, o número de infrações foi 66 vezes maior.

 

Hoje, o Código Brasileiro de Trânsito não prevê multas por velocidade média. A infração só pode ser registrada no momento em que o veículo passa pelo radar. Um projeto de lei sobre o assunto está sendo discutido na Câmara dos Deputados.

 

 

Por enquanto, agentes da Polícia Rodoviária Federal fazem apenas um trabalho de conscientização. Em quatro anos, a ação educativa já contribuiu para zerar o número de mortes e reduzir pela metade os acidentes no trecho.

 

 

“A gente entende que esse projeto tem mais eficiência quando a gente alia ele aos pontos críticos. Então, pegar de fato um trecho onde tem mais números de acidentes, para que a velocidade seja controlada e, a partir disso, a gente tenha a redução específica naquele ponto”, afirma Matheus Fernandes, diretor-superintendente da Ecovias.

 

A concessionária já instalou radares de monitoramento por velocidade média em um trecho de 9 km da Ponte Rio-Niterói. A maior preocupação é o período noturno, quando as vias ficam mais livres e muita gente acelera, aumentando a gravidade dos acidentes. Só no primeiro semestre, o número de vítimas à noite foi três vezes maior.

 

 

Até o fim de 2026, devem ser monitorados trechos perigosos em vários estados usando o mesmo sistema. O especialista em trânsito Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas, defende que a lei seja mais rigorosa:

 

“A maioria das pessoas respeita a lei. Então, ou nós aplicamos a lei com o máximo rigor, beneficiando a maioria, ou então a gente atua sempre beneficiando a minoria infratora, que coloca vidas em risco. É uma escolha da sociedade”.

 

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