Homicídios dolosos no RJ atingem baixa histórica, diz ISP; casos caíram 8% de 2020 para 2021


O Estado do Rio de Janeiro fechou 2021 com o menor número de homicídios dolosos — quando há intenção de matar — em 30 anos. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) mostram que houve 3.245 assassinatos no ano passado, o mais baixo da série histórica, iniciada em 1991.

Essa estatística não inclui os antigos “autos de resistência”, as mortes causadas por policiais. De janeiro a novembro do ano passado, agentes do estado mataram 1.298 pessoasO número já era maior do que todo o ano de 2020, quando foram registrados 1.245 casos.

Ainda sobre homicídios dolosos, houve uma redução de 8% ante 2020, quando o ISP somou 3.544 mortes.

O recorde de homicídios, segundo os registros do ISP, foi em 1995, com 8.438 casos. A queda de 1995 para 2021 é de 61%.

Para a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz, a queda dos indicadores deve ser comemorada.

“A queda nos crimes contra o patrimônio é positiva, ainda mais quando levamos em consideração que em 2020 esses crimes apresentaram diminuições por causa do isolamento social no estado”, afirmou.

Especialista cita dado incompleto

 

Paulo Storani, especialista em segurança pública, pontuou que a queda nos dados de homicídios dolosos não pode ser creditada à pandemia, “pois a circulação de pessoas está retornando aos patamares de antes da Covid”.

“A diminuição de pessoas circulando faria com que os indicadores não apenas de homicídio intencional, mas os outros crimes urbanos, como roubo a transeunte, furto e roubo de veículos caíssem por conta disso. A referência seria o pós-pandemia, quando o estado voltasse à normalidade. Nós estamos caminhando para isso. E o que surpreendeu foi a queda dos indicadores por este fato. Tem que analisar a motivação disso”, afirmou.

Segundo ele, investimentos em policiamento ostensivo e em distribuição dos agentes pelo território urbano, além da realização de operações, podem ter contribuído para a queda. Porém, Storani destacou que é preciso analisar os números relacionados à letalidade policial.

“É importante olhar o indicador, pois se ele se manteve estável ou se aumentou, pode estar influenciando nessa diminuição”, disse Storani.

Pablo Nunes, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, concorda que os dados de letalidade em ações policiais são necessários para compreender a queda em outros indicadores.

“No contexto do Rio de Janeiro, não podemos tratar da letalidade, de homicídios, sem levar em consideração que, em muitos lugares, a polícia é a principal responsável pelas mortes violentas”, destacou.

Ele ressalta que tão importante quanto uma queda é observar como os homicídios dolosos se espalham pelo território do estado, para que seja possível elaborar políticas públicas para cada região.

“O que nós vemos é que, em muitos lugares, temos reduções expressivas em que muitas das vezes encabeçam e puxam para baixo os indicadores. Mas, a despeito, outras áreas têm crescimentos importantes, principalmente no interior do estado”, afirmou.

Até a última atualização desta reportagem, o ISP não tinha divulgado a parcial de dezembro.

Outros crimes

 

O ISP também destaca a queda no número de roubos de carga, com o menor valor desde 2014, com 4.521 ocorrências registradas ao longo do ano passado, sendo 410 delas em dezembro. Na comparação com 2020, o ano passado indicou redução de 9% em relação ao acumulado do ano e queda de 11% em comparação com dezembro de 2020.

O ano de 2021 também terminou com 6.833 armas de fogo retiradas de circulação pela polícia, sendo 355 delas fuzis. O número é 6% maior que em as apreensões de 2020.

Foram registrados 66.137 casos de roubo de rua em 2021 e 4.439 em dezembro – os menores valores para o acumulado do ano desde 2013 e para o mês desde 2005. Na comparação com o ano passado, o indicador registrou redução de 8% em relação ao acumulado do ano e de 20% em comparação com dezembro de 2020.

O ano passado também registrou 33.614 prisões em flagrante em 2021 e 2.549 apenas em dezembro. Na comparação com 2020, o indicador registrou aumento de 8% em relação ao acumulado do ano e redução de 5% em relação a dezembro de 2020.

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