Entenda a briga entre Arquidiocese do Rio e ICMBio pelo acesso ao Cristo Redentor


No último sábado (11), o Santuário Cristo Redentor, na Zona Sul do Rio, divulgou uma nota de repúdio contra o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ligado à Arquidiocese do Rio, o Santuário afirma que Padre Omar Raposo, reitor do espaço, foi barrado três vezes somente este mês no acesso ao alto do Corcovado.

 

 

O incidente mais recente foi no sábado (11). Um batizado marcado para as 7h30 atrasou duas horas porque nem Padre Omar nem a criança e a família puderam subir a tempo.

Nesta segunda-feira (13), a Arquidiocese prestou queixa na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância contra o ICMBio.

 

 

Veja a seguir respostas para algumas perguntas sobre o impasse.

O que alegam os envolvidos?
O Santuário Cristo Redentor, cujo reitor é o Padre Omar, afirma que “nos últimos meses a postura dos seguranças do Parque Nacional da Tijuca tem sido hostil” a religiosos e funcionários.

 

 

“De maneira recorrente, Padre Omar, bispos e outros religiosos, juntamente com fiéis e convidados da Igreja que participam das missas, casamentos, batizados e ações culturais promovidas pelo Santuário Cristo Redentor, passam por constrangimentos para acessar o Santuário”, narra a nota de repúdio.

 

 

O ICMBio respondeu que “por questões de segurança dos frequentadores e conservação ambiental de alguns Parques Nacionais, todos os veículos que acessam as áreas restritas precisam se identificar”. “Eventualmente, essa checagem pode levar um pouco mais de tempo, devido à quantidade de frequentadores em eventos e nos finais de semana”, emendou.

 

 

Onde foram os incidentes?
Segundo Padre Omar, sua comitiva encontrou portões fechados no começo da Estrada do Corcovado, no entroncamento com a Estrada das Paineiras, perto do Centro de Visitantes.

 

 

A Estrada do Corcovado é o único acesso de veículos ao alto do Corcovado. Outra opção é pegar o trenzinho na Estação Cosme Velho, que deixa os visitantes praticamente na base da estátua.

 

 

Antigamente, carros de passeio, táxis e ônibus podiam subir até o Cristo. Hoje, salvo veículos previamente autorizados, apenas as vans cadastradas pelo ICMBio têm permissão de trafegar depois desse portão.

 

 

 

Quem administra o Corcovado?
A Estátua do Cristo Redentor e o platô do mirante compõem o Santuário e pertencem à Arquidiocese do Rio. O colegiado também é responsável pela manutenção do monumento e pelas celebrações no topo do Corcovado.

 

 

Há ainda a Capela de Nossa Senhora Aparecida, na base do Cristo, onde ocorrem missas, batizados, casamentos e vigílias. O DJ Alok celebrou seu matrimônio aos pés do Redentor em janeiro de 2019, por exemplo.

 

 

Mas todo o entorno do Santuário faz parte do Parque Nacional da Tijuca, gerido pelo ICMBio. A autarquia cobra ingresso de todos que entram no Cristo, concede o uso das lojas ao longo da escadaria até o platô, cuida da manutenção dos elevadores e escadas rolantes e controla o acesso de visitantes — não só ao Corcovado, como em qualquer área da floresta.

 

Recentemente, o ICMBio conseguiu na Justiça uma ordem de despejo dos pontos comerciais do Cristo.

 

 

“Dessa forma, os visitantes não podem se alimentar nem ao menos se hidratar no local, sem que levem o próprio alimento ou água”, citou a nota de repúdio.

 

 

 

O que a Arquidiocese fez?
O colegiado prestou nesta segunda-feira uma queixa na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

E Padre Omar viajou a Roma para levar a questão ao Vaticano.

 

 

Quem é Padre Omar?
Padre Omar Raposo foi designado, pela Arquidiocese do Rio, reitor do Santuário há 15 anos. A ele compete zelar pelos aspectos espirituais, pastorais e religiosos, e também práticos, de tudo o que diz respeito ao monumento.

 

 

O religioso também é cantor e gravou dois CDs, como “Samba de Fé”.

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