Manifestação pede volta das operações na Usina Nova Canabrava


Operários, produtores e fornecedores da Usina Nova Canabrava fecharam a BR 101, na altura de Travessão, em Campos, na tarde desta sexta-feira (02), para reivindicar o retorno das atividades na usina, que paralisou a moagem devido à um problema judicial.

 

A rodovia federal foi bloqueada no km 46 em ambos os sentidos e o congestionamento na via chegou a quatro quilômetros. Para fechar a via, os manifestantes atearam fogo em pneus e galhos. A pista foi totalmente liberada após três horas de manifestação, por volta das 17h.

 

 

Segundo o produtor Diogo Russo, o Governo do Estado já foi acionado sobre a situação da usina. “Conversamos já com o Governo do Estado, já está ciente. Essa usina tem que voltar porque o que está acontecendo de evasão fiscal, pois a cana está indo toda para o Espírito Santo porque a Coagro [Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro] não dá conta. Aí o município deixa de arrecadar, o governo deixa de arrecadar. Já acionamos o secretário de Agricultura do Governo do Estado do Rio, o pessoal da Pesagro [Empresa de Pesquisa Agropecuária]”, disse.

 

 

O funcionário da Canabrava Edilásio Tavares, que trabalha há oito anos na usina, “Nossa manifestação é chamar atenção das autoridades, mais precisamente do governador do Estado. A Canabrava está com um problema na inscrição estadual dela que foi suspensa tem dois meses e isso está causando um prejuízo enorme tanto para produtores de cana da região, quanto para funcionários, terceiros e toda classe que movimenta a cana de açúcar na região. Nós queremos que a pegue a questão da inscrição estadual, trabalhe paralelo junto com a direção da empresa, mas que a empresa continue operando”, destacou.

 

Representante do departamento jurídico da Canabrava, Kissila Amaral falou sobre a atual situação da usina. “A Canabrava vem de várias gestões e agora com intervenção judicial da 4ª Vara do Trabalho nós estamos tentando recuperar a empresa, estamos tentando reerguer e fazer todo o dever de casa. Porém, o passado dela prejudica um pouco o presente e a gente sempre tenta fazer esse divisor de águas. O que acontece agora é que a Secretaria de Fazenda, o Governo do Estado, não está permitindo por questões burocráticas que a gente prossiga administrativamente o processo, mas também que continue moendo.

 

 

E essa paralisação hoje é devido à impossibilidade do faturamento da empresa de continuar moendo por questões políticas”, explicou.
Em números, as perdas por conta da paralisação da moagem podem representar até R$ 100 milhões na safra de 2021, que era motivo de esperança para a economia da cidade, devido aos preços atrativos da cana e aos investimentos feitos pelo poder público municipal — apontando para o reaquecimento do setor sucroenergético. O assunto chegou a ser abordado em matéria publicada pela Folha da Manhã no último dia 30.


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