Professores da rede municipal do Rio realizam ato pedindo vacinação para volta presencial das escolas


O protesto simbólico desta sexta (14) foi realizado em frente à sede da Prefeitura do Rio. Os profissionais levaram cruzes para homenagear os óbitos na rede municipal de ensino. Eles defendem que todos sejam vacinados para que haja uma volta presencial segura.

 

Profissionais da educação da rede municipal de ensino do Rio realizaram na manhã desta sexta (14) um ato simbólico pedindo condições mais seguras para a volta às aulas presenciais, principalmente a imunização dos profissionais.

 

 

O protesto foi realizado em frente à sede da Prefeitura do Rio, no Centro do Rio. Os professores levaram cartazes e cruzes para simbolizar os óbitos por Covid entre os profissionais da rede municipal após a reabertura presencial das escolas.

 

 

Em postagem nas redes sociais, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE/RJ) pediu reformas nas unidades escolares e volta da vacinação dos profissionais.

 

 

“Queremos o retorno dos profissionais da educação no calendário prioritário, investimento para o reparo e melhorias na infraestrutura das escolas e o retorno das atividades presenciais somente com a imunização da população”, diz o texto.

 

Segundo o SEPE, o ato “em defesa da vida, por direitos e vacinação para todos” foi deliberado pela assembleia virtual da rede municipal na segunda-feira (10). O encontro também reafirmou a greve dos profissionais de educação do município contra a reabertura das escolas para aulas presenciais.

 

 

A professora da Educação Infantil Joselma Brito, que participou do ato, afirma que a imunização é fundamental para a retomada das aulas presenciais.

 

 

Casos de contaminação
Na quarta (12), o SEPE divulgou um relatório sobre casos de Covid-19 nas escolas da rede municipal do Rio, com denúncias sobre profissionais contaminados durante o trabalho presencial e sobre a falta de estrutura de unidades escolares para o cumprimento dos protocolos sanitários estipulados pela prefeitura para o funcionamento dos estabelecimentos.

 

 

O relatório mostra escolas, onde, além de profissionais, alunos e familiares também apresentaram sintomas da Covid.

 

 

Um dos casos relatados no documento é o de uma funcionária da escola Luiz Camillo, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, que morreu pela Covid em março.

 

 

Ela havia alertado a direção da escola de que muitos responsáveis e alunos entravam no local sem máscaras. Como merendeira, a funcionária reclamava que era obrigada a entrar em contato com essas pessoas.

 

 

Dias antes da morte da filha, a mãe da funcionária também faleceu pela doença. Outras sete pessoas da família testaram positivo para a Covid.

 

 

A professora Joselma diz que as demandas dos professores não foram ouvidas pela prefeitura.

 

 

“Em nenhum momento a prefeitura acatou nossos apontamentos sobre a questão do retorno. Sempre afirmaram que tudo seria feito de acordo com as orientações da ciência, mas nossos colegas não têm tido a segurança necessária”, afirmou a professora.

 

 

O que diz a prefeitura
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SME) afirma que não há alunos, professores ou funcionários da Educação que tenham contraído Covid em alguma escola municipal.

 

 

Segundo a secretaria, só estão abertas ao ensino presencial escolas aptas a receber os estudantes – 1.309 unidades até o momento. O ensino presencial é opcional, ficando a cargo de pais e responsáveis a decisão sobre voltar ou não. Quem preferir, pode continuar estudando no modo remoto.

 

 

A SME menciona que conseguiu incluir profissionais da Educação na lista de prioridade da vacinação contra a Covid. Diz ainda que foram imunizados milhares de profissionais – aqueles que prestam serviços gerais e os que dão aulas todos os dias.

 

 

A secretaria afirma que recentemente foram distribuídos R$ 18,1 milhões para execução de ajustes e pequenos reparos em todas as unidades escolares.

Medidas de proteção

De acordo com a SME, as unidades escolares funcionam com um rigoroso protocolo sanitário aprovado pelo Conselho Especial de Enfrentamento à Covid.

O documento determina distanciamento entre as carteiras de 1,5 metro, uso obrigatório de máscaras e, entre outros, instalação de dispensadores de álcool em gel 70°.

 

 

No início do ano, a SME recebeu e distribuiu 800 mil máscaras descartáveis. Recentemente, foram adquiridas 336 mil máscaras PFF2. A secretaria pretende distribuir para cada profissional da Educação, de merendeira a professor, seis máscaras deste modelo.

 

 

Decisão do STF
No dia 3 de maio, o ministro Ricardo Lewandoswki, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que antecipava a vacinação de policiais e professores no estado.

 

 

Segundo Lewandoswki, a mudança de prioridades no Rio de Janeiro entrava em conflito com o que já havia sido decidido pelo STF em processos relacionados à pandemia, cujo encaminhamento era seguir o Plano Nacional de Imunizações (PNI).

 

 

Ele afirmou ainda que cabe ao Ministério da Saúde (MS) a elaboração do PNI e, com decisão, restabeleceu a ordem original dos grupos prioritários já estipulada pelo MS, que previa, por exemplo, que pessoas com comorbidades sejam imunizadas antes dessas categorias profissionais.

 

 

 


Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

MENU