Intenções de voto branco ou nulo vão de 10% em Florianópolis a 28% no Rio de Janeiro, o maior percentual entre as capitais, revela Ibope


Segundo especialistas, indefinição de nomes, grande número de candidatos, administração com alta taxa de reprovação e casos de corrupção explicam os altos índices de eleitores que pretendem anular ou votar em branco. Pesquisas Ibope foram divulgadas em 13 capitais.

 

A primeira rodada de pesquisas do Ibope mostra uma diferença significativa no percentual de eleitores que pretendem votar em branco ou anular o voto em 13 capitais pesquisadas.

 

O percentual vai de 10%, registrado em Florianópolis, a 28%, no Rio de Janeiro, o maior patamar identificado. A margem de erro é de quatro pontos percentuais na pesquisa da cidade do Sul do país e de três na do Sudeste.

 

Atrás da capital fluminense, aparece Recife (22%) e, logo depois, Natal e João Pessoa, ambas com 20%. Especialistas apontam uma série de fatores locais para explicar esses percentuais. Eles ressaltam que os números devem cair nas próximas semanas, com o aquecimento das campanhas, mas, em alguns casos, essa redução deve ser mais lenta que o esperado.

 

Cientista político e professor da Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio), Felipe Borba explica que, no Rio, os eleitores vivem há alguns anos crises sucessivas na política local que contribuem para o alto percentual de brancos e nulos.

 

“A experiência recente dos cariocas nos últimos anos foi muito negativa. Governadores presos, governador afastado, uma administração pública com alto percentual de avaliação negativa. Todos esses fatores contribuem para o clima de desesperança. O eleitor fica descrente, não acredita que o quadro possa mudar”, diz Borba.

 

Para ele, outro fator importante a ser destacado são as características dessa campanha eleitoral, que reduziu a mobilização dos eleitores.

 

“No início da campanha, o percentual de branco e nulo costuma ser um pouco mais alto. Depois, esse percentual tende a cair, aproximando das médias históricas. Neste ano, os candidatos enfrentam uma série de restrições, por conta da Covid-19.

 

No caso do Rio, isso dificulta ainda mais os candidatos mobilizarem os eleitores. Acredito que o percentual de intenções de brancos e nulos vai cair, mas em um ritmo muito mais lento do que víamos em campanhas passadas”, pontua Borda.

 

Em João Pessoa, casos de corrupção, indefinição de candidaturas e o grande número de competidores são algumas das razões apontadas. Na cidade, o diretório regional do PT lançou candidatura própria de Anísio Maia.

 

O diretório nacional, no entanto, aprovou a indicação do vice na chapa do ex-governador e candidato a prefeito Ricardo Coutinho (PSB). Nesta semana, a Justiça determinou que o PT retirasse a indicação de vice de Coutinho. Segundo o professor José Artigas, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), os principais grupos políticos da cidade racharam nos últimos anos.

 

 

“Temos um cenário hoje de muita instabilidade. Há uma disputa judicial em torno de duas candidaturas, e tivemos casos recentes de corrupção envolvendo umas das principais lideranças do estado.

 

Aliado a isso, diria ainda que o fim das coligações estimulou o lançamento de muitas candidaturas por aqui. São 14 candidatos. Os eleitores estão sem saber direito quem são os candidatos e se as candidaturas são mesmo para valer. Isso tudo contribui para esse percentual de brancos e nulos nesse momento”, observa Artigas.

 

A capital paulista também apresenta percentual elevado de intenções de voto branco e nulo. Na avaliação do cientista político e pesquisador do Cepesp/FGV Jairo Pimentel, esse percentual tem sido crescente nas últimas eleições e isso está associado a alguns fatores, entre eles o ainda alto desconhecimento dos eleitores sobre algumas candidaturas. Pimentel acredita que, neste ano, o total de votos brancos/nulos será alto, já que os candidatos têm pouco tempo para fazer campanha e ainda enfrentam as restrições da pandemia.

 

“A alienação eleitoral em São Paulo (branco/nulos e não comparecimento) bateu 35% na última eleição. Os eleitores perderam as referências de longo prazo, sobretudo os mais pobres e das periferias. O PT enfraqueceu pós Lava Jato e não apresentou um candidato conhecido na disputa deste ano. Além disso, os nomes dos candidatos ainda são pouco conhecidos, tirando os primeiros colocados. Sem candidatos muito conhecidos na disputa, os brancos e nulos tendem a ser maiores em um primeiro momento”, explica Pimentel.

 

A margem de erro é de três pontos percentuais em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. E quatro pontos nas outras oito capitais.

Print Friendly, PDF & Email

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.