Deputados da região em posição de destaque na Comissão Especial do impeachment
As posições de maior destaque dentro da Comissão Especial na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que vai analisar o pedido de impeachment do governador Wilson Witzel (PSC) ficaram com parlamentares do Norte Fluminense.

O grupo, com 25 deputados, de todos os partidos com representação na Casa, elegeu o macaense Chico Machado (PSD) para presidência, enquanto o campista Rodrigo Bacellar (SD) ficou com a relatoria. Mais dois parlamentares da região — João Peixoto (DC) e Welberth Rezende (Cidadania) — estão no colegiado.
Na primeira reunião, realizada na quinta-feira (18), Chico leu o ofício de citação que será enviado ao governador com a cópia da denúncia. A partir do recebimento do documento, Witzel terá até 10 sessões ordinárias para apresentar sua defesa.

O governador disse que provará sua inocência.
A escolha do presidente e do relator não chegou a surpreender, já que eles despontavam, nos bastidores, como favoritos. Antes, o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), passou o feriado prolongado de Corpus Christi em Campos, na casa de Bacellar, que já era cotado para ser o relator. Por lá passaram outros deputados, entre eles o Chico Machado.
A proximidade de Ceciliano com os parlamentares da região não é novidade e a movimentação durante o feriado só corroborou com a tendência que se confirmou na reunião da Comissão.
Chico destacou o direito à ampla defesa do governador e agradeceu por ter sido escolhido presidente:
— Primeiramente, quero agradecer a Deus e aos meus 24 colegas da Comissão que me elegeram por unanimidade, e também pela escolha do Rodrigo Bacellar para relatoria. Também parabenizo o presidente André Ceciliano pela condução democrática para abertura do processo. Vamos nos debruçar na peça acusatória.
O governador será intimado, terá todo direito constitucional à ampla defesa. Nosso objetivo é preservar o melhor para o povo do Estado do Rio de Janeiro.
Rodrigo também agradeceu a confiança dos parlamentares e disse que relatoria vai contar com a ajuda de todos: “Tem que ficar um bom relatório, no qual seja respeitado a ampla defesa e o contraditório para o governador, para que seja uma análise justa para ambas as partes. Para abrir o processo, na verdade, basta um mero indício.
Agora, a gente tem que buscar a verdade real dos fatos. Uma vez apurado algo que se classifique como crime de responsabilidade, óbvio que vai prevalecer o rigor da lei. Como também se a gente não encontrar elementos de materialidade e autoria do mesmo, tem que ser feito um parecer técnico pela absolvição”.
Sem “circo”, nem “inquisição” — Bacellar anunciou que vai pedir à Procuradoria Geral da República, ao Superior Tribunal de Justiça, à Polícia Federal e ao Ministério Público do Rio a íntegra da investigação sobre desvios na saúde. Segundo ele, o objetivo é apresentar um parecer de forma mais técnica e isenta possível:
— A sociedade não aguenta mais denúncias de corrupção, vamos trazer transparência. É uma responsabilidade muito grande, mas vamos nos preparar, vou me dedicar, como sempre fiz, para sair um grande relatório. No final, o que a gente quer é fazer com que o Estado do Rio volte aos trilhos. A gente não quer fazer circo, tribunal de inquisição nenhum. Pelo contrário, a gente quer só julgar o que manda a lei e assim vai ser feito.
Denúncia — Em votação simbólica, por unanimidade, a Alerj decidiu, no dia 10, iniciar o processo de impeachment. Witzel disse estar tranquilo e que provará sua inocência. A denúncia que prosseguiu, entre as 14 protocoladas na Casa, foi assinada pelos deputados Luiz Paulo e Lucinha, ambos do PSDB. Leva em consideração o não cumprimento dos mínimos constitucionais do Governo do Estado no exercício financeiro de 2019, mas também cita o contexto das suspeitas de desvios de recursos utilizados para o enfrentamento do novo coronavírus, que levaram às operações Favorito e Placebo.
Nesta, o governador e a esposa, Helena Witzel, tiveram celulares e computadores apreendidos pela PF. Eles, entre outros investigados, são acusados de fraude no contrato de R$ 835 milhões para construção de sete hospitais de campanha no estado, incluindo em Campos.
