Estiagem já afeta cerca de 3 milhões de pessoas em todo o estado do Rio


  Nove cidades, onde moradores sofrem com a falta de água potável, decretaram estado de emergência. Pelo menos três milhões de pessoas já estão sendo de alguma forma afetadas com a falta de chuvas que tem deixado secos rios e nascentes. A longa estiagem provocou a queda da captação de água em cerca de 30% no Estado do Rio. Até ontem, nove municípios já tinham decretado estado de emergência devido à falta de água potável nas torneiras, e outras duas cidades (Itaperuna e São Sebastião do Alto) devem tomar a mesma medida na segunda-feira. No Norte e no Noroeste Fluminense, as regiões mais afetadas, algumas áreas estão com o abastecimento racionado e já falta água para beber em algumas casas. 

   A seca é mais intensa em cidades como Miracema, Itaocara, Laje do Muriaé e São Fidélis. — A situação aqui em Miracema é muito grave. Eu diria que é crítica. Se não chover nos próximos dias, é difícil prevê o que pode ocorrer. Há vários incêndios provocados pela seca. O fogo está destruindo áreas de preservação ambiental. Falta água nos rios e nas torneiras — disse a médica veterinária Lia Márcia de Paula Bruno, proprietária de uma fazenda no distrito de Paraíso do Tobias. A Cedae informou que o estado está atravessando um período de estiagem prolongado e a consequente diminuição da vazão dos rios que abastecem municípios do interior do estado. 
 RECOMENDAÇÃO É ECONOMIZAR
  Em nota, a estatal voltou a pedir à população que economize água e lembrou que “está trabalhando para diminuir os impactos da estiagem com manobras operacionais em sua rede de distribuição”. Segundo a Cedae, moradores da Baixada Fluminense também têm sido atingidos devido a variações nos níveis das represas que abastecem áreas de Caxias e Nova Iguaçu, duas das maiores cidade do estado. — Eu não tenho informações precisas da Região Metropolitana, mas no interior o que chegou ao meu conhecimento é que temos cerca de 20 cidades em situação crítica. Algumas já decretaram estado de emergência, e tenho notícias que mais cidades devem fazer o mesmo, se a situação não melhorar — afirmou Luiz Antônio da Silva Neves, prefeito de Piraí e presidente da Associação Estadual de Municípios do Rio de Janeiro (Aemerj). A estiagem também provocou a redução da quantidade de água nos rios Guapiaçu e Macacu, em Cachoeiras de Macacu, onde a Cedae faz a captação para o sistema Imunana-Laranjal, que abastece três milhões de pessoas das cidades de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, de parte de Maricá e da Ilha de Paquetá. — Para nós, é a maior seca dos últimos anos três anos. Nunca tivemos uma estiagem tão longa. Acompanho a situação desde 1999. Tivemos problemas de abastecimento em 2015, 2016 e agora em 2017. 
   A cada ano, fica mais severa. É preciso uma solução definitiva para resolver a situação — disse Nelson Gomes, superintendente da concessionária Águas de Niterói, que atende os moradores de Niterói. Gomes disse ainda que, se nada for feito, a cidade poderá enfrentar racionamento de água nos próximos anos: — Existe previsão de chuva nos próximos dias. Aqui a situação vai melhorar, mas eu estou pensando no futuro, ano que vem. Não podemos descartar medidas como o racionamento, se nada mudar. O governo do estado tem um projeto para a construção de uma barragem no Rio Guapiaçu, que se arrasta desde a década de 1980. Moradores, produtores rurais e ambientalistas são contrários à obra, que seria feita para abastecer as regiões atendidas pelo sistema Imunana-Laranjal. No fim de 2015, o então secretário estadual do Ambiente, André Correa, havia dito que seria necessário o alagamento de 340 propriedades, afetando cerca 1,5 mil pessoas. Segundo a subsecretária de Segurança Hídrica e Governança das Águas, o projeto está parado e sem previsão de retomada. A obra chegou a ser licitada, mas não saiu do papel. Fonte: O Globo
Print Friendly, PDF & Email

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.