Caminhoneiros fazem paralisação nacional e colocam prejuízos na conta de Alcolumbre


Caminhoneiros de diversas regiões do Brasil iniciaram uma paralisação à 0h desta segunda-feira (13) para exigir a votação da Medida Provisória 1.343, a chamada MP do Frete, no Senado Federal.

 

O movimento foi convocado por lideranças de sindicatos e associações da categoria, que responsabilizam diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Republicanos-AP), por travar a pauta. A mobilização concentra caminhoneiros em portos do país, incluindo Santos, e a pressão tem prazo: a MP perde a validade na próxima quinta-feira (16)

Caminhoneiros iniciam paralisação em protesto contra Alcolumbre

 

O movimento foi convocado por líderes de sindicatos e associações de motoristas autônomos. Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), e Luciano Santos, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Santos), estão entre as principais vozes da paralisação.

A responsabilidade, segundo eles, é de uma só pessoa. “Há semanas a gente vem lutando para que o Senado coloque o texto da MP em votação e até agora não aconteceu, por isso a categoria deliberou que faríamos essa paralisação.

 

Essa paralisação não é feita por decisão do sindicalista A ou B. Quem causou essa paralisação foi o Alcolumbre”, disse Chorão.

 

 

Luciano Santos foi ainda mais direto, em vídeo gravado à 0h desta segunda. “Esse recado vai para todos os caminhoneiros e para o Alcolumbre: Porto de Santos está parado, como foi pedido pela categoria. Alcolumbre, coloque essa pauta para votação senão essa responsabilidade será 100% sua”, afirmou.

 

 

A mobilização tem alvo e prazo definidos: os caminhoneiros querem que Alcolumbre paute a MP 1.343 para votação nesta terça-feira (14), antes que a medida caduque na quinta-feira (16).

 

Algumas lideranças receberam sinalização de que o presidente do Senado pode mudar de posição. “Esperamos que isso aconteça”, disse Chorão.

 

 

A MP do Frete e suas implicações para a categoria
A Medida Provisória 1.343 altera as regras do piso do frete para o transporte rodoviário de cargas, estabelecendo um custo mínimo para as operações da categoria.

 

Entre os pontos centrais do texto estão a autonomia da ANTT para fiscalizar o cumprimento do piso, a isenção de multas aplicadas em 2022, o fim das multas de entre-eixos e a proposta de um salário-base de R$ 5 mil para motoristas celetistas.

 

A medida também torna obrigatório o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) universal, exigindo o cadastramento das viagens.

 

Para garantir o cumprimento das regras, a MP prevê penalidades severas para empresas que pagarem abaixo do piso mínimo: multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões, além de suspensão do transporte.

 

O objetivo declarado é proteger os transportadores autônomos da exploração econômica e garantir o cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

 

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de junho e chegou, em março, a suspender uma paralisação nacional: à época, os caminhoneiros recuaram após a publicação da medida, mas condicionaram o fim do movimento à aprovação definitiva pelo Congresso.

 

 

 

O Senado, sob o comando de Alcolumbre, não cumpriu essa parte do acordo até agora.

 

 

Impacto e continuidade do movimento       
A paralisação já atinge vários portos do país. Em Santos, os caminhoneiros se concentram no Viaduto da Alemoa, principal acesso ao porto, ponto estratégico cuja paralisação tende a gerar reflexos rápidos na distribuição de produtos.

 

Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), foi categórico: “É geral. O objetivo é continuarmos parados até que Alcolumbre coloque a MP em votação.”

 

 

Até o início desta manhã, a Polícia Militar de São Paulo informou à CNN Brasil que não havia impactos no trânsito, acompanhando uma manifestação pacífica com cerca de 70 pessoas na Rua Augusta Scaraboto, em Santos, com a via liberada aos veículos.

 

A mobilização, no entanto, está prevista para seguir pelo menos até quarta-feira (15), enquanto a categoria aguarda uma definição do Senado.

 

Veja outras notícias da região neste link do site Itabapoana News


Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

MENU