Segurança Pública do RJ vai pedir transferência de chefes de facção criminosa para presídios federais


O secretário de Segurança Publica do Rio, Victor Santos, afirmou nesta segunda-feira (19) que as autoridades de segurança do estado vão pedir a transferência de traficantes do Comando Vermelho presos no sistema prisional do Rio para presídios federais.

 

 

As autoridades estudam a transferência de 12 nomes. O ataque a tiros que terminou com mortos e feridos em Vila Isabel e investigações recentes que mostram que chefes do tráfico seguem dando ordens dentro da cadeia são alguns dos casos que motivaram uma reunião da cúpula da segurança do estado sobre o tema.

 

 

“O Comando Vermelho resolveu enfrentar a Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. A nossa intenção é individualizar a conduta de cada um deles e pedir a transferência desses presos que estão em presídios do Rio de Janeiro para presídios federais pelo Brasil”, explicou o secretário.

 

 

“Tivemos uma reunião hoje, para identificar essas lideranças. O objetivo é deixá-los longe do Marcinho VP, que é a principal liderança do Comando Vermelho”, afirmou Victor Santos.

 

 

Autoridades de segurança pública do Rio se reuniram no Centro Integrado de Comando e Controle, no Centro do Rio. A reunião começou pouco antes das 11h.

 

 

O secretário de Segurança Pública recebeu integrantes do Gaeco e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público , das inteligências das secretarias de Polícia Civil e Polícia Militar, além do setor de inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária.

 

Líderes na mira 

Entre os traficantes que estão na lista de possíveis transferidos, estão Marcos Antônio Firmino, o My Thor, e Luiz Cláudio Machado, o Marreta.

 

 

Ambos estão no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste.

 

 

My Thor foi alvo de uma operação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) sobre o envio de remessas de cocaína de São Paulo para comunidades do Rio de Janeiro. O esquema contava com a participação de um policial civil. Segundo as investigações, a empresa de consultoria de Paulo Rafael Fernandes era utilizada para “lavar o dinheiro” do tráfico.

 

 

Agentes da Polícia Civil apreenderam celulares em sua cela.

My Thor e Marreta, segundo o secretário, seguem atuando na facção mesmo estando presos, de acordo com as investigações:

 

 

“Dois deles, por exemplo, o Marreta e o My Thor foram identificados nessa ação, mostrando que eles mesmos, dentro da cadeia, continuavam comandando suas ações e principalmente, com articulações em outros estados do país. Então isso é um indicativo de que há a necessidade de uma ação mais contundente, transferindo esses presos para outras unidades do Brasil”, disse o secretário.

 

 

A polícia pediu a transferência de My Thor no ano passado para um presídio federal, que no entanto foi negada pela Justiça.

 

 

Já Marreta foi acusado de negociar fuzis e dar ordens aos seus subordinados mesmo estando preso em um presídio federal, em Catanduvas, no Paraná.

 

 

Essas informações levaram a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro (VEP-RJ) a determinar que Marreta voltasse a um presídio federal. O traficante está em Bangu 1 desde o fim de outubro de 2023, depois que o próprio Judiciário Fluminense havia decidido transferi-lo de SP.

 

 

No dia 3 de abril, o juiz Marcel Laguna Duque Estrada atendeu a um recurso do governo do RJ e ordenou que Marreta deixasse Bangu 1 e regressasse a Catanduva.

 

 

Mas na semana seguinte, no dia 10, o desembargador Fernando Antônio de Almeida, da 6ª Câmara Criminal, concedeu um habeas corpus e deixou Marreta onde está — a transferência não chegou a ser realizada. Entre as justificativas, o magistrado alegou “evitar gastos desnecessários” em uma ação que “já foi objeto de recurso e, portanto, precária”.

 

 

Condomínios do tráfico na Maré 

O secretário também comentou a operação desta segunda-feira (19) das polícias Civil e Militar e a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), que demoliram condomínios construídos pelo tráfico no Complexo da Maré.

 

 

Em protesto, grupos fecharam a Avenida Brigadeiro Trompowski e tentaram bloquear a Linha Vermelha em diferentes momentos. Pela manhã, o bloqueio durou 1 hora e meia, e PMs contiveram o ato. O BRT ficou parado por pelo menos uma hora e meia.

 

 

No início da tarde, porém, um grupo invadiu um ônibus e tomou as chaves, deixando o coletivo no meio da pista. Carros conseguiam passar em meia-pista. Segundo a Secretaria de Educação, 26 escolas ficaram fechadas por conta da ação.

 

 

Na última semana, uma operação conjunta para derrubar o “condomínio do tráfico” no Parque União encontrou um quadriplex de luxo às margens da Avenida Brasil.

 

 

“A Polícia Civil está atacando a estrutura financeira, que é a construção civil. O loteamento irregular, a construção de unidades, a venda de unidades é mais uma fonte de receita do tráfico e aqui a segurança pública não vai ficar olhando somente uma única facção. A gente fala do Comando Vermelho, porque eles estão mais ousados nas suas ações mas o TCP, principalmente na no complexo da Maré, é um foco muito importante.

 

E a polícia civil vai continuar esse trabalho, com apoio da Polícia Militar e também com o município que tem ajudado através da Seop”, disse o secretário.


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