Tite se esquiva sobre escalação da Seleção, mas diz: “Ponto de equilíbrio está no meio-campo”


Técnico do Brasil se diz tranquilo na véspera da estreia contra a Sérvia: “Estou um pouco mais leve, mais em paz, mais Adenor”; veja a coletiva completa com Tite.Os jornalistas bem que insistiram, mas Tite se esquivou das perguntas e não quis antecipar a escalação da Seleção para a estreia na Copa do Mundo do Catar. O Brasil enfrenta a Sérvia, nesta quinta-feira, às 16h (de Brasília).

 

Nesta quarta-feira, em sua primeira entrevista desde que a Seleção iniciou a preparação para o Mundial, Tite disse que o mistério sobre os 11 titulares visa não fornecer informações que possam ajudar o adversário.

 

– A equipe não vou definir, para não dar ao adversário a oportunidade de saber. As variações vocês sabem e não vou falar. Eu faço escolhas, agrado a uns e outros, não. Isto é da escolha e da função do técnico, mas os atletas do meio para frente se escolheram também. Em cada clube, eles estão com protagonismo e qualidade excepcionais – esquivou Tite.

 

– É a equipe que tem percentual de gols altíssimo, que toma com clean sheet, não tomou gols em 22 dos 29 jogos em Eliminatórias. Não acredito em encher de atacantes nem de encher de defensor. Eu entendo que o ponto de equilíbrio está no meio-campo, nas movimentações. E aí, sim, ter uma equipe equilibrada – completou.

 

 

Tite fechou o treino da última terça-feira e permitiu que a imprensa acompanhasse apenas o aquecimento das atividades de segunda e dessa quarta-feira. Apesar do sigilo, o ge apurou que a seleção brasileira terá uma escalação inédita para a estreia no estádio Lusail. O técnico optou por escalar Vini Jr como titular da ponta esquerda do ataque e deslocar Lucas Paquetá para o meio de campo, ao lado de Casemiro.

 

Tite ainda falou sobre a oportunidade de seguir na Seleção mesmo após a eliminação para a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018. Ele se disse mais tranquilo desta vez.

 

– É uma quebra de paradigma. O Brasil tem uma tradição forte, o gosto pelo futebol, a paixão pelo futebol. Tenho consciência exata. Me dá paz para fazer um trabalho de início, meio e fim e uma chance maior de sucesso. Talvez tenha sido privilegiado, em lugar que outros técnicos poderiam estar. Recebi uma mensagem do Abel, um campeão do mundo que poderia estar aqui, Paulo Autuori. Quis o destino eu estar aqui – comentou Tite.

 

Durante a coletiva, Tite passou a bola para seu auxiliar Cléber Xavier responder sobre as mudanças táticas da Seleção:

 

– Todo mundo acompanha todo mundo, temos dois modelos, mas a gente trabalha muito com ajustes estratégicos táticos. E o tempo curto de trabalhar antes de cada jogo aproveitamos com treinos bem didáticos. Em Turim, trabalhamos os conceitos gerais para todos os atletas, reforçando nossas ideias e, a partir da chegada aqui, em cima dos defeitos e qualidades da Sérvia. Temos possibilidade de mudanças, além de clima, tem ajustes e mudanças. Estamos seguros e tranquilos para levar a campo.

 

Outras declarações de Tite:
Pressão de vencer a Copa
– Não me coloca responsabilidade de 20 anos, são só quatro (risos), de um processo todo. A história é linda e traz pressão, sim, mas a pressão que um país todo vive, apaixonado, está nas ruas.

 

Principalmente a garotada, serve como processo educativo e o futebol também é de educação, fundamentalmente. Tem pressão, mas a tranquilidade de saber das oportunidades que surgem na vida, que sonhar faz parte. O Tostão fala isso, que é bom sonhar, então sonhamos fazer uma grande Copa e ser campeão. E se não for, fazer o melhor. Um só vai ser campeão, mas tem a sensatez e naturalidade que outras grandes seleções buscam este patamar. Pressão é inevitável.

 

Opções para o primeiro jogo
– Um dia estava com o Thiago, ele falou para não dizer os movimentos táticos (risos). Um pouquinho da experiência no mundo árabe, passei aqui duas vezes e tenho gratidão. O clima aqui tem interferência, as trocas dão chance de alternância no ritmo de jogo. Ela é considerável em termos de estratégia, sim.

Aspecto físico
– De três em três dias o desgaste é muito grande. Isto não tira de treino nem de jogo, mas a colocar de que o médico falar que ele está propenso a uma lesão, com índices de fadiga extremo. Então há também o aspecto físico a considerar.

 

Nervosismo da estreia comparado a 2018
– Ele é menor. Faço minhas as palavras do Thiago. O aprendizado pode ser teórico, mas é fundamental prático. Os jogos têm um componente emocional muito forte, a estreia ainda mais. Pela expectativa que gera, é humano.

 

Talvez isto interfira nas expectativas do que acontece no jogo. Temos o maior torneio do mundo, os maiores atletas do mundo, talvez a maior visibilidade de um esporte do mundo. Mas temos de ser o que somos na nossa essência.

 

Importância da dança na comemoração dos gols
– Naturalidade, respeito a uma cultura, a um jeito de ser. Ela não é pejorativa em demérito a alguém. É uma característica nossa, assim como respeitamos as culturas dos países, respeitem a nossa. É alegria, o gol é o momento maior. Nosso jeito é com respeito ao adversário, mas é também um respeito a nós mesmos.

 

Tropeço da Argentina deixa alguma lição?

– É de reflexão, sim. Respeito, porque são todas seleções, mas serve como análise, sim, como reflexão. Não há grandeza, nem facilidade maior ou menor. Talvez este seja o grande aspecto. Não tem marca, não tem grife. Tem orgulho de cada país em fazer seu melhor e enfrentar.

Cléber Xavier, sobre a Sérvia
– Nosso primeiro adversário vem de um grande trabalho recente, com bons jogos, jogadores importantes, alguns em recuperação, acredito que todos estejam em condições. Estudamos bastante a Sérvia, nossos observadores o Lucas e o Ricardo acompanharam de perto, passamos tudo aos atletas, sabemos como enfrentá-los. Mas é dentro de campo que se resolve, para tirar proveito do que temos de melhor, o que a Sérvia não tem de melhor e cuidado com as características ofensivas deles.

Cléber Xavier, sobre Raphinha
– O Raphinha nos surpreendeu quando começamos a analisar, no campo todos sabem o um contra um, a velocidade ofensiva, com o Bielsa no Leeds era de muita transição. Contra o Uruguai fez um grande jogo e nos mostra a cada dia uma maturidade e mentalidade muito forte.

 

Estivemos com ele nesta fase que saiu do time no Barcelona e entrava em alguns minutos nestes jogos decisivos, trazendo o Raphinha que está conosco neste período e desequilibrado em alguns jogos, fazendo a função bem feita. Sentimos um atleta de força mental muito forte. Ele tem muito conhecimento desta fase de transição entre Leeds e Barcelona, disputa posição com o Dembele, mas isto não o abala, muito pelo contrário. Ele tem muito a nos entregar na competição.

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