Entenda por que União Brasil perde maior bancada e PL cresce na janela partidária, segundo especialistas


Com mais duas semanas de janela partidária, período no qual deputados federais podem mudar de partido sem perder seus mandatos, o PL do presidente Jair Bolsonaro está como o principal beneficiado. Em 20 dias, 10% dos integrantes da Câmara dos Deputados trocou de legenda.

A sigla obteve 21 novas cadeiras na Câmara (com 27 entradas e 6 saídas), parte delas vindas dos dissidentes do União Brasil – fruto da fusão DEM e PSL. Como parte dos integrantes do PSL integra a base de apoio do presidente, estava prevista tal debandada. Até aqui, o PL está com 63 deputados na Câmara.

 

Apesar de ter filiado dois novos parlamentares, o União fecha a metade da janela com 28 saídas e totaliza 26 cadeiras a menos do que no mês passado. Nenhum outro partido foi tão desfalcado e perdeu o posto de maior partido na Casa – para o próprio PL – e agora é 3º.

 

Quem também passou o União Brasil é o PT, que manteve a 2º maior bancada ao somar um deputado neste tempo e chegar a 54 vagas.

 

Confira quais deputados ingressaram no PL na janela partidária

NOME ESTADO PARTIDO EM 2018 PARTIDO ATUAL
Bia Kicis DF PRP PL
Capitão Alberto Neto AM PRB PL
Carla Zambelli SP PSL PL
Carlos Jordy RJ PSL PL
Caroline de Toni SC PSL PL
Charlles Evangelista MG PSL PL
Chris Tonietto RJ PSL PL
Coronel Armando SC PSL PL
Coronel Chrisóstomo RO PSL PL
Coronel Tadeu SP PSL PL
Daniel Freitas SC PSL PL
Delegado Éder Mauro PA PSD PL
Eduardo Bolsonaro SP PSL PL
Eros Biondini MG PROS PL
General Girão RN PSL PL
José Medeiros MT PODE PL
Junio Amaral MG PSL PL
Leo Motta MG PSL PL
Loester Trutis MS PSL PL
Luiz Lima RJ PSL PL
Luiz Philippe de Orleans e Bragança SP PSL PL
Major Fabiana RN PSL PL
Marcelo Álvaro Antônio MG PSL PL
Márcio Labre RJ PSL PL
Nelson Barbudo MT PSL PL
Sanderson RS PSL PL
Sóstenes Cavalcante RJ DEM PL

 

Além do União, o PTB sofreu baixas consideráveis: quatro de seus dez deputados federais rumaram para outras siglas, o que equivale a 40% de sua representação até então.

 

Dos outros beneficiados, o Republicanos angariou oito novos parlamentares, perdeu um e tem agora 40, já o PP aumentou em oito nomes a sua bancada e chega a 51 – é a 4ª maior bancada.

 

Motivações para o troca-troca partidário
Uma das explicações óbvias para a dança das cadeiras é a saída do presidente Bolsonaro do PSL, há dois anos. Como poderiam trocar de partido somente na janela partidária sem perderem o mandato, só agora deputados federais concretizaram a “migração” do União Brasil (fruto da fusão PSL e DEM) para a nova sigla de Bolsonaro.

 

Vera Chaia, professora de política da PUC São Paulo, entende esse movimento do União se desfalcar na mesma medida em que o PL se reforça tanto como natural. “Muitos parlamentares que se elegeram na esteira do Bolsonaro em 2018 ao irem para o PSL, que não era um partido grande, era sem expressão. Agora acontece o contrário: estão saindo e migrando para o partido atual do presidente”, diz.

 

Confira como está dividida a Câmara:

Bancada na Câmara em meio à ‘janela partidária’

PARTIDOS DEPUTADOS GANHOU PERDEU
União 52 2 28
PT 54 1 0
PL 63 27 6
PP 51 9 1
PSD 40 5 2
MDB 34 1 1
Republicanos 40 8 1
PSDB 30 1 2
PSB 30 0 0
PDT 24 0 1
Solidariedade 10 0 3
PSC 13 1 0
Podemos 10 1 2
PTB 6 0 4
PROS 9 0 1
PSOL 9 0 0
PCdoB 8 0 0
Cidadania 6 0 1
Novo 8 0 0
Avante 8 0 0
Patriota 5 0 1
PV 2 0 2
Rede 1 0 0
TOTAL 513
Fonte: g1

A análise é similar à do professor da FGV Cláudio Couto. Para o cientista político, a debandada do União tem a ver com questões regionais e “por qual partido é mais interessante concorrer num determinado estado e da força gravitacional que a candidatura presidencial tem, o que pode explicar idas para o PL e, em menor medida, para o PP”, diz.

 

Para ele, as saídas não têm à ver com o fim das coligações, regra que passa a valer neste ano e afeta a cláusula – regra que coloca uma quantidade mínima de representantes para os partidos terem direito aos fundos partidário e eleitoral. “Trata-se de um partido grande, que não teria problemas para superar esse limiar”, continua.

 

A figura muda para outras siglas, como Psol e Rede. Somados, ambos têm dez deputados federais e, para evitar o risco de não atingirem a cláusula de barreiras, decidiram firmar uma federação e vão atuar juntos em todo o país pelos próximos quatro anos – até a eleição de 2026. Ele cita outro exemplo, o PTB, que viu sua bancada desabar 40% na janela.

 

“O PTB é um partido que vem erodindo nos último anos. Torna-se cada vez menor e já teve defecções importantes nos estados”, afirma. “Parlamentares mais precavidos se mudam para partidos nos quais as chances de uma eleição mais tranquila são maiores”.

 

Mudança de partido – Deputado Federal
Confira abaixo quem mudou de legenda desde 2018 entre os deputados federais
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Table with 5 columns and 82 rows. Currently displaying rows 1 to 20.
NOME PARTIDO EM 2018 PARTIDO ATUAL CARGO DATA DA MUDANÇA
Abílio Santana PHS PSC Deputado – BA 2022
Alê Silva PSL Republicanos Deputado – MG 2022
Alexandre Frota PSL PSDB Deputado – SP 2019
Aluisio Mendes PODE PSC Deputado – MA 2019
Átila Lira PSB PP Deputado – PI 2019
Benes Leocádio PTC Republicanos Deputado – RN 2019
Bia Kicis PRP União BR Deputada – DF 2022
Capitão Alberto Neto PRB PL Deputado – AM 2022
Capitão Fábio Abreu PR PSD Deputado – PI 2022
Carlos Jordy PSL PL Deputado – RJ 2022
Caroline de Toni PSL PL Deputada – SC 2022
Celso Sabino PSDB União BR Deputado – PA 2021
Charlles Evangelista PSL PL Deputado – MG 2022
Christiane de Souza Yared PR PP Deputado – PR 2022
Coronel Chrisóstomo PSL PL Deputado – RO 2022
Coronel Tadeu PSL PL Deputado – SP 2022
Da Vitoria PPS PP Deputado – ES 2022
Daniel Freitas PSL PL Deputado – SC 2022
Delegado Éder Mauro PSD PL Deputado – PA 2022
Diego Garcia PODE Republicanos Deputado – PR 2022

 

Vera Chaia, da PUC, vê o fim das coligações como grande explicação para as 54 mudanças entre os deputados. “Existe uma tentativa de salvar o grupo político”, resume. “Com as federações, vemos mudanças significativa e a necessidade de as siglas incrementarem as federações e se salvar do corte da cláusula de barreira”.

 

Por ser a primeira eleição com a nova regra, a especialista pontua que será uma surpresa o resultado final. “Estamos acompanhando os partidos se acomodando, buscando seus pares para atuar em conjunto. Agora, o que vai acontecer, realmente é uma incógnita”.

 

Desde a última eleição nacional, em 2018, o total de deputados federais que trocaram de sigla chega a 84.


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