Polícia investiga imagens de bonde de criminosos após morte de Ecko e monitora disputa por sucessão da maior milícia do RJ


Chefe da maior milícia do Rio morreu no último sábado (12) após ter sido preso em Paciência. Irmãos dele e outros criminosos, segundo a polícia, disputam o principal posto na hierarquia da organização criminosa. Fotos mostram Ecko com a família antes de sua morte.

 

A Polícia Civil do Rio monitora quem vai assumir a maior milícia do Rio após a morte de Wellington da Silva Braga, o Ecko, durante uma ação da Polícia Civil no último sábado (12). Ele foi baleado por volta das 8h quando visitava a mulher e os filhos na Comunidade das Três Pontes, em Paciência, na Zona Oeste.

 

 

Moradores da Zona Oeste estão apreensivos com imagens de criminosos circulando na região. A polícia analisa o material.

 

 

“Esse bonde aí, de mais ou menos 20 a 30 carros, com milicianos rodando, abordando carro na rua, entendeu? Mandando que qualquer veículo que viesse abaixar o vidro, tocando terror aqui no local. Eles tão agindo sem temor nenhum”, disse um morador de Santa Cruz.

 

 

Dois irmãos de Ecko estão na linha de sucessão da milícia: Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, e Wallace da Silva Braga, o Batata, preso recentemente.

 

 

Luís Antônio da Silva Braga é investigado por lavagem de dinheiro da milícia e está foragido.

 

 

Os investigadores afirmam que o miliciano Danilo Dias Lima, o Tandera, que está à frente do grupo na Baixada Fluminense, também pode entrar na disputa pelo território da Zona Oeste. Danilo foi criado no bairro Jesuítas, em Santa Cruz, um dos bairros de origem da milícia de Ecko.

 

 

“Nós temos a possibilidade de a facção do tráfico de drogas tentar voltar para aquela região. Temos a possibilidade do Danilo Tandera tentar tomar para ele, à força, todo esse território dominado pelo Ecko e temos também aquela sucessão natural que estava abaixo do Ecko, que podem ser os irmãos dele”, explicou o delegado William Pena Júnior, titular da Delegacia de Repressão a Ações Organizadas e Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco-IE).

 

 

A polícia não descarta a ascensão de outros nomes na hierarquia do grupo, incluindo criminosos que estão atualmente na chefia da milícia na região da Gardênia Azul:

 

 

“Temos também aqueles considerados homens de confiança que estão soltos, que são investigados pela Draco e que podem vir a assumir essa milícia que são o PQD e o Latrel, que são dois homens que sempre foram de confiança do Ecko e que estavam galgando aí um posto mais alto dentro da hierarquia da facção criminosa”, afirmou ele.

 

 

Entre os itens que estão sendo investigados, estão o celular de Ecko e um livro-caixa, com informações sobre a reserva de armamento e dados financeiros.

 

A “asfixia financeira” é considerada fundamental para a polícia desarticular a quadrilha. Desde outubro do ano passado, diversas operações foram feitas. Também teve início a investigação que culminou no último sábado, com a operação Dia dos Namorados.

 

Em imagens obtidas pela TV Globo, o chefe da maior milícia do Rio de Janeiro aparece em fotos com os filhos e a família em um sítio.

 

 

Andando de carroça ou comemorando o aniversário de um dos filhos, Wellington aparece mais gordo e com cabelo maior e um bigode, aparência com a qual foi preso no último sábado e acabou morrendo após levar dois tiros.

O que se sabe
O miliciano Wellington da Silva Braga, 34 anos, conhecido como Ecko, morreu após ser baleado em uma operação na comunidade Três Pontes, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, na manhã de sábado (12).

O criminoso era o mais procurado do Rio de Janeiro e um dos mais procurados do Brasil.

Na operação, que contou com 21 policiais, Ecko foi baleado no peito depois de resistir à prisão e tentar fugir da casa onde estava com a mulher e os filhos.

Policiais relataram que Ecko ia ao endereço onde foi capturado com alguma frequência, de três a quatro vezes por semana. Ele foi monitorado durante seis meses pela polícia.

Em seguida, já preso, ao ser transportado de van para o helicóptero que o levaria ao hospital, ele tentou, de acordo com a polícia, tirar a arma da mão de uma policial.

Para impedir a reação do miliciano, outro policial atirou novamente. O miliciano chegou morto à unidade de saúde na Zona Sul, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.


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