LG encerra divisão de celulares: o que se sabe e o que falta esclarecer


Após prejuízos consecutivos desde o 2º semestre de 2015, companhia deixará de vender smartphones. Empresa ainda não detalhou destino de trabalhadores e de assistência técnica no Brasil.

 

A empresa sul-coreana LG anunciou nesta segunda-feira (5) que vai encerrar suas operações no mercado de celulares no mundo todo.

 

A companhia afirmou que a divisão deve ser desfeita até o dia 31 de julho.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre o fim do setor de celulares da LG:

 

O que a LG anunciou?
Como fica a assistência técnica?
A LG só deixou de produzir celulares?
Por que a LG encerrou sua divisão de celulares?
A LG vai fechar fábricas no Brasil?
Quantos empregos podem ser perdidos?
1) O que a LG anunciou?
A empresa sul-coreana irá deixar de desenvolver e produzir celulares ao redor do mundo.

A LG afirmou que a “decisão estratégica de sair do incrivelmente competitivo mercado de celulares vai permitir focar recursos em outras áreas”.

 

2) Como fica a assistência técnica?
A LG afirmou que irá oferecer “suporte e atualizações de software para os consumidores por um período de tempo que irá variar de acordo com a região”, sem dar detalhes sobre nenhum país.

 

A reportagem  questionou a companhia sobre a situação no Brasil, e a empresa disse que “permanece com as políticas de garantia deste produto [smartphones], nos termos de cada um dos países comercializados”.

 

 

Segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), as marcas precisam respeitar a garantia legal de, no mínimo, 90 dias para produtos duráveis (como celulares).

Esse prazo é somado à garantia contratual, quando a fabricante ou fornecedor pode acrescentar mais tempo de cobertura, geralmente chegando a um ano.

 

O Procon-SP afirmou que notificou a LG para esclarecer a saída e indicar os planos de atendimento ao consumidor.

A companhia disse que pretende encerrar sua divisão de celulares até 31 de julho, mas um “inventário de modelos pode ficar disponível depois disso”.

 

 

3) A LG só deixou de produzir celulares?
Sim. A companhia disse em comunicado que irá concentrar esforços na produção de dispositivos conectados para casas inteligentes, componentes para veículos elétricos, robótica, inteligência artificial, entre outros.

 

 

As divisões de TVs, de eletrodomésticos e de outros eletrônicos continuam funcionando.

Em comunicado, a companhia disse que o conhecimento com dispositivos móveis será aproveitado para desenvolver tecnologias como o 6G, a próxima geração de internet móvel.

4) Por que a LG encerrou sua divisão de celulares?
A LG tinha uma fatia de apenas 2% do mercado de smartphones ao redor do mundo em 2020, segundo a empresa de análise Counterpoint Research.

 

 

A empresa acumulou prejuízos consecutivos nessa área desde o segundo semestre de 2015.

Somente em 2020, a LG anunciou prejuízo de US$ 750,6 milhões na divisão. Em 2019, as perdas foram de US$ 858,3 milhões, enquanto no ano anterior foram US$ 700,6 milhões no negativo.

Em comunicado, a LG disse que o mercado de celulares é “incrivelmente competitivo”. A fabricante perdeu participação na área nos últimos anos, principalmente após a chegada de concorrentes chinesas como a Xiaomi e a consolidação de outra sul-coreana: a Samsung.

 

 

A LG é a 9ª colocada no ranking mundial de vendas de celulares, atrás de marcas como Samsung, Apple, Huawei, Xiaomi e Oppo, segundo a Counterpoint Research.

 

No Brasil, o site de análise Statcounter indica que a LG é a 5ª marca mais popular, com cerca de 6,5% de participação no mercado – a primeira colocada é a Samsung (45%), seguida por Motorola (21%), Apple (13,4%) e Xiaomi (9,6%).

 

 

5) A LG vai fechar fábricas no Brasil?
Não. A LG possui duas fábricas no Brasil, uma em Taubaté (SP) e outra em Manaus (AM). Os celulares são fabricados apenas em Taubaté (SP). Nessa planta também são produzidos monitores – área que não deve ser afetada pela decisão da empresa.

A unidade paulista possui cerca de 1 mil funcionários – desses, 400 estão alocados na área smartphones.

 

Segundo a empresa, negociações como sindicato estão em andamento com o objetivo de “implementar compensação adicional aos direitos já vigentes”.

 

Os trabalhadores da divisão de celulares da fábrica de Taubaté aprovaram estado de greve em 26 de março.
“As negociações até o momento podem impactar os empregados dedicados à essa divisão, porém estão sendo avaliadas todas as possibilidades, tais como realocação, transferência ou rescisão”, disse a empresa, em comunicado.

 

 

Ao G1, o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté disse que a empresa não informou sobre os impactos da decisão em relação aos trabalhadores e à fábrica de Taubaté.

A fábrica em Manaus (AM) produz aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e outros eletrodomésticos da chamada linha branca e não deve ser afetada.

 

 

6) Quantos empregos podem ser perdidos?
Só na divisão de celulares da fábrica de Taubaté (SP), 400 dos mil trabalhadores vinculados à área de smartphones estão com destino incerto, já que a empresa ainda não detalhou o que pretende fazer com eles.

 

 

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, há ainda outros 430 funcionários de três fábricas terceirizadas exclusivas da LG que estão com os postos em xeque com o anúncio do fim da divisão de smartphones.

Seriam a Blue Tech e a 3C, em Caçapava, e a Sun Tech, em São José dos Campos.

 

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