Retomada das aulas presenciais ainda em discussão
A volta às aulas presenciais em Campos tem sido frequentemente discutida nos últimos, mas ainda sem definição concreta devido à pandemia da Covid-19. Enquanto entidades ligadas ao ensino público são a favor do retorno só após a vacinação de todos profissionais da Educação e alunos, a rede particular defende a volta presencial nas escolas seguindo todos os protocolos sanitários.

Na rede municipal de ensino, o início das atividades letivas começará no modelo não presencial a partir da próxima segunda-feira, dia 1º de fevereiro. “Nossas equipes da Seduct trabalharam com afinco no planejamento do início do ano letivo de modo a estimular a retomada do ritmo de aprendizagem dos nossos estudantes.
As boas práticas de ensino não presencial desenvolvidas em nossa rede municipal em 2020 estão sendo avaliadas e serão fortalecidas. A partir das contribuições dos diretores e diretoras das unidades escolares, foram levantadas as demandas prioritárias relacionadas à infraestrutura.
A partir de fevereiro, iremos preparar as escolas para que possam receber os alunos futuramente. Uma das decisões importantes para a retomada da aprendizagem no município é a nova estratégia de acesso aos materiais didáticos físicos e digitais, que são um importante suporte de aprendizagem para as aulas não presenciais”, explicou o secretário de Educação, Ciência e Teconoligia, Marcelo Feres.
Segundo a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), Graciete Nunes, a posição do sindicato é que as aulas presenciais só sejam retomadas após a vacina. “Em audiência com o secretário Marcelo Feres, o primeiro ponto abordado foi o retorno das aulas presenciais somente após a vacinação de todos os profissionais de educação e, manutenção dos protocolos indicados pelos organismos de pesquisa e Saúde Embora o início do ano letivo esteja previsto para o dia 1º, queremos acreditar que a orientação não seja presencial”, disse.
Em relação à rede particular, a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino Fundamental e Médio de Campos (Sinepe), Rosana Juncá, informou que as unidades estão preparadas para o retorno, porém há uma imposição de esperar a rede pública municipal. “Na reunião com Ministério Público nos foi imposto que as escolas só retornem junto com as escolas municipais públicas. Não podemos esperar.
As escolas já estão preparadas para começar. É claro que a gente não quer começar com todos os alunos. Nós vamos fazer um rodízio de alunos, de professores, de funcionários, então vai ser um percentual dentro da escola com todas as medidas de precaução e segurança, como álcool gel, limpeza forte dentro da escola, uso de máscara”, comentou.
A reunião com o Ministério Público mencionada por Rosana aconteceu nessa quarta-feira (27). Na ocasião, o MP fixou o prazo de 15 dias para que o município de Campos elabore documento conjunto pelas secretarias de Educação e de Saúde, contendo a previsão detalhada das estratégias que serão adotadas, planejamento e cronograma previsto, com as possíveis etapas deste processo de retorno presencial, devidamente pautados em pareceres técnicos e dados epidemiológicos, nos termos da Recomendação 31/20 expedida pela Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Infância e Juventude. Após a apresentação deste planejamento, será então agendada e realizada nova reunião do grupo de trabalho.
Quantitativo de alunos de acordo com bandeiras
Em relação à rede estadual, o Governo do Estado divulgou diretrizes para uma retomada segura das aulas presenciais de alunos, professores e funcionários. A resolução conjunta das secretarias de Educação (Seeduc) e de Saúde estabelece normas para as unidades escolares estaduais e orienta as redes municipais e privadas, vinculadas à Seeduc, para que, em casos de bandeiras roxa ou vermelha no município, não haja ensino presencial. Nos casos de bandeiras de risco laranja, amarela e verde, foram estabelecidos quantitativos máximos de atendimento presencial.
Baseada em critérios técnicos das vigilâncias sanitárias, a resolução orienta que, no caso de bandeira laranja no município, a escola organize suas aulas presenciais para até 50% dos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I (1º e 2º anos). Já na bandeira amarela, para até 75% do total de estudantes. Na bandeira verde, a escola pode acolher até 100% das crianças matriculadas.
O Sepe defende que as aulas retornem ao regime presencial nas escolas estaduais somente após a vacinação.
Faetec – Nessa sexta, a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) informou que as aulas em suas unidades, previstas inicialmente para acontecer de forma híbrida, começarão remotamente, a partir do dia 22 de fevereiro.
Uenf, IFF e UFF seguem com ensino à distância
As principais universidades públicas de Campos também defendem o ensino remoto, neste período de pandemia, e a valorização da vida.
A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) informou que definir uma data para retorno das atividades presenciais não depende só da vacina. “Definir uma data para retorno às atividades presenciais depende não só da vacina, mas de políticas públicas que devem, necessariamente, ser adotadas pelos governos federal, estadual e municipal, em relação a grupos de vacinação, datas e quantidade de vacinas disponíveis. Neste momento, não existe uma política pública, seja ela federal, estadual ou municipal, definida em relação à pandemia e muito menos em relação à distribuição e vacinação em nosso país. Enquanto persistirem as dúvidas vamos continuar priorizando a vida, restringindo as atividades presenciais nos campi da Uenf”, informou em nota.
A Uenf também informou que fez um levantamento dos alunos que estavam sem acesso à internet para as aulas remotas e adquiriu, através de e chips telefônicos, suficientes para atender esses estudantes: “Esses equipamentos já se encontram na Uenf, em fase de cadastro no setor de patrimônio, e, em breve, serão disponibilizados aos alunos que os solicitaram”.
Já o Instituto Federal Fluminense (IFF) informou que “avaliará e definirá, em fevereiro e março próximos, conforme encaminhado em seu Colégio de Dirigentes, a possibilidade de retorno de atividades pedagógicas presenciais regulares em 2021, assim como a devida revisão dos protocolos de biossegurança demandada pelo retorno. No conjunto de ações também serão tratados os calendários acadêmicos de 2021 e a definição dos processos de acesso aos cursos da instituição. Tal análise ocorrerá ainda que o Governo do Estado do Rio de Janeiro tenha prorrogado o estado de calamidade pública, em virtude da situação de emergência decorrente da Covid-19, reconhecido pela Lei Estadual 8.794, de 17 de abril de 2020, até o dia 1º de julho de 2021”.
A Universidade Federal Fluminense (UFF) comunicou que “os calendários Escolar e Administrativo referentes ao ano letivo de 2021 serão deliberados em breve pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFF. Cumpre informar, ainda, que o 2º semestre letivo de 2020 terá início em 1º de fevereiro de 2021, conforme estabelecido na Decisão CEPEx nº 111/2020, de 17 de julho de 2020”.
