Especialistas da UFRJ assinam nota técnica e recomendam suspensão de eventos e fechamento das praias


Entre as sugestões, estão a abertura imediata de leitos hospitalares, realização de ampla testagem, ampliação da oferta de transporte público, suspensão imediata de eventos presenciais, fechamento das praias e avaliação da decretação de lockdown.

 

Especialistas da área de saúde assinaram uma nota técnica que pede medidas urgentes para o combate ao crescimento dos casos de contaminação pelo novo coronavírus.

 

O documento é assinado pelo grupo de trabalho multidisciplinar de cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

As medidas sugeridas são:
Abertura imediata de leitos hospitalares;
Realização de ampla testagem;
Ampliação da oferta de transporte público;
Suspensão imediata de eventos presenciais;
Fechamento das praias;
Avaliação da decretação de lockdown (isolamento social severo).
“O aumento do número de casos é sustentado. Não se trata de uma flutuação, que aumenta em uma semana e diminui na outra. E é claro: isso tudo é fruto das aglomerações que vêm ocorrendo nos últimos tempos – inclusive nas eleições”, explicou o epidemiologista da UFRJ, Roberto Medronho.

 

Segundo ele, eventos ao ar livre, com máscaras e o devido distanciamento social, não apresentam riscos.

 

O número de pessoas concentradas em determinado local também é apontado como crucial para o controle da disseminação do vírus.

 

“Em parques ao ar livre, por exemplo, é possível fazer um controle da quantidade de pessoas que entram em saem. No entanto, em eventos sociais de grande proporções, como alguns bailes, onde não há uma fiscalização, a aglomeração é muito grande. O mesmo ocorre em bares, tanto em comunidades em comunidades mais vulneráveis do ponto de vista econômico, como também na Zona Sul do Rio. Toda e qualquer aglomeração, sem medidas protetivas, representa um risco elevadíssimo de transmissão”.

 

Para ele, ainda que não sejam tomadas medidas severas, não há dúvidas de que é necessário retroceder no afrouxamento das medidas de combate à Covid-19.

 

“Mesmo que não haja um lockdown total, em alguns setores e em algumas regiões, um retrocesso é necessário. Nós já estamos assistindo um colapso no sistema de saúde. Já tem pessoas que não estão conseguindo vagas em leitos hospitalares”.

 

O estado do Rio de Janeiro chegou nesta segunda-feira (30) a 22.590 óbitos e 354.354 casos confirmados de Covid-19, segundo balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde.

 

Em relação ao balanço de domingo (29), foram registrados mais 29 óbitos e 1.038 casos.

 

A média móvel de óbitos se estabilizou nesta segunda, em 80 por dia (-1%) depois de 13 dias seguidos crescendo. A de casos está crescendo (42%), com 2.238. É a maior marca desde 24 de agosto, quando estava em 2.387

 

Nesta segunda-feira (30), 364 pacientes estavam na fila de espera por um leito próprio para tratar a Covid-19 no Estado do Rio de Janeiro. Desse total, 210 eram para internação em unidades de terapia intensiva (UTI).

 

Enquanto a fila de pacientes aguardando por internação vem aumentando nos últimos dias, 1.750 leitos de hospitais na cidade do Rio estão impedidos de funcionar, ou seja, bloqueados para uso, segundo o Censo Hospitalar do SUS.

 

Medidas necessárias
Segundo Medronho, medidas mais duras, como a decretação de lockdowns, não devem ser descartadas.

 

“Locais mais desenvolvidos e que seguem a ciência, como países europeus, decretaram lockdown – alguns em escala nacional, outros em nível regional. É claro que aqui estamos muito cansados. A economia sofreu muito. Tivemos um momento em que a primeira onda não acabou e já se sobrepõe um repique ou uma segunda onda. Mas esta situação que vivemos agora já está impactando os serviços de saúde e já há pessoas morrendo”.

 

Para ele, as medidas de proteção são necessárias para garantir a todos a chance de uma proteção efetiva contra o vírus, que pode estar muito próxima.

 

“Nós já estamos com uma vacina prestes a ser disponibilizada. Só que para aqueles que morrerem agora, a vacina não terá nenhum efeito. Estamos assistindo um rejuvenescimento da pandemia. Os jovens contraem a doença e evoluem bem. No entanto, eles transmitem a Covid-19 para o núcleo familiar. Isso é muito preocupante”.

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