Membros de facção paulista que se instala no RJ dão ordens em presídio: ‘Começou a oprimir visita, tem que matar diretor’


Escutas telefônicas foram obtidas com autorização da Justiça na Operação Expurgo, que buscava prender 27 pessoas. Em uma delas, traficante diz que vai instalar câmeras em entrada de favela para monitorar policiais.

 


Escutas telefônicas da Operação Expurgo, que tentava prender 27 pessoas nesta terça-feira (25) para impedir o estabelecimento da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado do Rio, mostram a intenção de criminosos de matar diretores de presídios e até mesmo de monitorar a entrada de favelas para espionar policiais.

 

 

A 1ª Vara Criminal da Comarca de Bangu expediu 27 mandados de prisão no RJ, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul.

 

 

Quatorze dos alvos já estavam encarcerados. Ao todo, seis suspeitos foram presos, um no Rio, dois em São Paulo, dois em Minas Gerais e um no Pará. Uma delas é Rafael Cobra, o Digato, preso em Realengo, Zona Oeste.

 

A operação terminou sem que os policiais conseguissem localizar sete alvos.

‘Temos que tomar a cadeia’

 

Em uma das escutas, um bandido não identificado dá ordens com vistas a dominar uma prisão no RJ.

 

 

Em outra conversa, o traficante Zandonaide dos Santos, o ZD, preso no Complexo de Bangu, diz que vai mandar filmar as entradas de uma favela onde há ponto de venda de drogas.

 

Comandos vêm da cadeia
A quadrilha baseada tem cerca de 70 integrantes no Rio — a maior parte já está em penitenciárias no estado.

 

Bangu IV (Gericinó)
Esmeraldino Bandeira (Gericinó)
Benjamin de Moraes (Gericinó)
Edgard Costa (Niterói)
Mesmo atrás das grades, os traficantes gerenciam a venda de armas e drogas. Segundo a investigação, o PCC rompeu com uma das maiores facções do Rio e, após o rompimento, se aliou a outras duas. Com o apoio delas, se expandiu no Rio.

 

A PF afirma que a quadrilha se concentra na Zona Oeste e na Costa Verde. O Rio é um estado estratégico para os criminosos, onde querem oferecer com exclusividade drogas e armas para quadrilhas aliadas.

 

Em outro áudio, Luciano Iatauro, conhecido como Da Leste, pergunta se um fuzil está à venda.

 

Da Leste: “Aquele AR tá em mãos, mano?”

 

Bandido: Ele quer R$ 35 mil, baratinho, tá em mãos, sem usar!

 

Depois, recomenda cuidado na logística do envio de remessas de drogas e armas.

Um dos alvos da operação desta terça, no Estado de São Paulo, era a traficante Tatiana do Carmo Machado, a Libriana. Ela é apontada por aliciar integrantes e organizar o envio de drogas e telefones para presídios.

 

Estrutura e atrativos
A estrutura hierárquica do PCC tem 33 núcleos, divididos em várias funções.

Um dos interesses dos bandidos de São Paulo é oferecer, com exclusividade, drogas e armas para facções aliadas no Rio.

 

O que diz a Seap
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que apoia todas as operações, mas que não recebeu informações sobre a desta terça-feira (25).

 

Informou que intensificará as ações de vistoria nas celas e nas entradas da unidade.

 

Disse ainda que todos alvos da operação que já estavam presos foram transferidos para a penitenciária de segurança máxima Bangu 1, e vão responder às sanções disciplinares cabíveis.

 

Print Friendly, PDF & Email

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.