Governo do RJ sabia que pagou mais a fornecedores de quentinhas do que deveria, apontam documentos


Empresas ofereceram desconto para receber restos a pagar antes de outras firmas, mas acabaram recebendo o valor integral.

Empresas que fornecem quentinhas para presos do Rio ofereceram descontos para que o governo do estado liquidasse dívidas, mas receberam os valores cheios — como mostrou o RJ2 na semana passada. A Secretaria de Administração Penitenciária e a Casa Civil sabiam da irregularidade.

 

 

O prejuízo é de cerca de R$ 14 milhões. Os restos a pagar são serviços fornecidos em anos anteriores que ainda não foram pagos. Essas empresas foram colocadas à frente de outras para receber as dívidas justamente porque ofereceram os descontos.

 

 

A Secretaria de Fazenda diz que está fazendo uma investigação preliminar, que corre em sigilo, e que só executa o pagamento de outras secretarias. A Secretaria de Casa Civil esclareceu que não tem ingerência sobre as contratações de outras e que apenas recebe o extrato de autorização.

 

 

Lobista
O RJ2 apurou que o lobista Durval Pires ligou para as empresas solicitando que diminuíssem os descontos dados ao estado para que recebessem o que era devido. Na prática, isso geraria maior prejuízo aos cofres públicos.

 

 

A reportagem tentou contato com ele num prédio residencial na Barra, onde deveria ficar a consultoria da qual é dono, segundo a Receita Federal. Ele não foi encontrado. No condomínio onde mora, uma mulher disse que ele não tinha relação com o assunto.

 

O filho de Durval Pires teve cargo público na Secretaria Estadual de Esporte e Lazer. A sócia dele, Débora Lopes Chaves Gonçalves, foi nomeada na presidência da Alerj.

 

Na semana passada, o governador Wilson Witzel (PSC) prometeu uma sindicância para investigar o caso. Até a última atualização desta reportagem, nada havia sido publicado no Diário Oficial.

 

 

Num documento obtido pelo RJ2 do fim do ano passado, a MMW Irmãos Alimentos cobra da Seap restos a pagar de 2017 e 2018. No ofício, a empresa afirma que os pagamentos não obedeciam a ordem cronológica.

 

 

“Poucas empresas foram agraciadas com recebimento dos seus créditos, em detrimento dos demais fornecedores”, diz o documento.

 

 

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) encaminhou o pedido para a subsecretaria de gestão, finanças e planejamento. Na resposta, o subsecretário Rafael Rodrigues de Andrade tinha razão.

 

 

Isso porque os pagamentos das empresas foram executados integralmente, sem desconto, pela Secretaria de Fazenda. Em ofício enviado à Casa Civil, a MMW Irmãos afirma que houve discriminação ocm empresas que não cederam a pressões externas.

 

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