Diniz mantém Campos no lockdown parcial e irrita comerciantes
Em decreto publicado no Diário Oficial deste sábado (13), o prefeito Rafael Diniz manteve o lockdown parcial, o que significa que as restrições ao comércio continuam. A situação do setor produtivo provocou esta semana reações fortes. Em carta dirigida à população, uma das entidades do comércio central, a Carjopa (Comerciantes e Amigos da Rua João Pessoa de Adjacências), manifesta preocupação com “os consecutivos decretos municipais que proíbem o funcionamento de todas as atividades produtivas e geradoras de empregos e receitas, com algumas exceções”.

A entidade chega a se referir ao governo municipal como inconsequente, e cogita buscar a Justiça.
No documento, a entidade empresarial reconhece a necessidade de isolamento social, mas critica a gestão da crise pela administração municipal ao considerar que setores produtivos têm sido penalizados pelo governo que, na ótica da entidade, tem transferido a responsabilidade para o setor produtivo.
“Reconhecemos e compactuamos com a necessidade do isolamento social para quem precisa e/ou está na faixa de risco como forma de inibir a propagação do vírus, porém não é justo nem responsável penalizar quem pode produzir. Não é justo transferir a responsabilidade de eventual incompetência na administração da crise para nós geradores de empregos e impostos. Por que não foram tomadas medidas mais efetivas antes, por exemplo, cobrar do governo estadual a inauguração do hospital no prazo inicial? Por que não aproveitar os hospitais já existentes e equipá-los com um custo bem menor e em menor prazo?”, questiona.
A Carjopa cogita buscar a Justiça para preservar seus interesses em razão do esgotamento de canais pela via administrativa. “Se por meios administrativos não se obtém sucesso, o meio jurídico é um caminho. São quase três meses de pandemia. Vemos há semanas filas nos bancos, nos supermercados, fila da miséria para umas simples marmitas fornecidas humanitáriamente há anos pelas irmãs carmelitas. Vemos filas nos abrigos dos passageiros do Transporte Público, e o que vai matar a população é trabalhar?”, indagam os comerciantes.
Os empresários avaliam que falta coerência nos critérios de definição das atividades comerciais e de serviços que são proibidas ou não de funcionar. E pediram respeito ao prefeito. “Outra incoerência é manter os estacionamentos particulares fechados, enquanto os supermercados e farmácias estão liberados. Qual a diferença? Que o senhor prefeito respeite nossa cidade, respeite nossos empresários e respeite a população”.
Os empresários estabelecem comparações do número de vítimas da Covid 19 em Campos com outras cidades e considera “irrisório” o quantitativo de mortes no município. “Campos possui população próxima a 600.000 habitantes, e se verificarmos o número de vítimas da Covid 19 comparadas a outras causas de mortes, o número é irrisório. Se houvesse uma saúde minimamente adequada às necessidades da população antes da pandemia, talvez fosse mais fácil entendermos, mas isso já não ocorria e o senhor prefeito está ciente disso”.
Por fim, a entidade tece ainda outras críticas ao Executivo, a quem classifica de omisso e incompetente, e alerta também que, os que sobreviverem à pandemia poderão morrer de fome pela falência de empresas e o desemprego.
“Nos últimos decretos, após pequenas flexibilizações, passou (o prefeito) a nos transferir a responsabilidade pela saúde dos nossos funcionários e da população ao exigir que assinemos uma declaração, o que até então não havia. Sendo assim, por incompetência ou omissão quer penalizar a classe produtora e consequentemente a população. É preciso que a população faça a sua parte sim, mas também é preciso que essa mesma população seja alertada das consequências pós Pandemia, pois vamos sobreviver à Covid 19, mas morreremos de fome se as atitudes inconsequentes do sr. prefeito e seu Comitê da Crise permanecerem!”, finaliza a carta.
