Especialistas contestam decisão de flexibilizar isolamento no Rio


Dados do próprio município demonstram que curva na cidade é ascendente; prefeitura estima mais de 48 mil casos no dia 11 deste mês. Outros indicadores apresentaram queda.


Com 4.401 mortos por Covid-19 até este sábado (6) e uma curva de casos ainda crescente, a Prefeitura do Rio decidiu flexibilizar, desde a terça-feira (2), as medidas de isolamento social implementadas para combater a pandemia. Especialistas afirmam, no entanto, que os próprios dados divulgados pelo município contradizem o afrouxamento determinado pelo prefeito Marcelo Crivella.

Vergara disse que são vários os relatos de médicos indicando a redução no número de atendimentos. No entanto, a projeção de contaminação da doença feita pelo próprio município segue em ascendência. No dia 11 deste mês, a prefeitura estimava que o número de casos confirmados de Covid na cidade passará de 48 mil.

 

O painel virtual da Prefeitura do Rio que monitora os números da pandemia na cidade e apontava a projeção de 48 mil casos da doença até o dia 11 de junho saiu do ar neste domingo (7). De acordo com a prefeitura, a ferramenta “está passando por melhorias na disposição dos dados para facilitar a visualização das informações sobre o avanço da Covid” e deve voltar a mostrar dados ainda no domingo.

 

É por esse e outros motivos que Vergara discorda ser esse o momento de reabrir parte dos serviços e retomar algumas atividades. Embora a especialista reconheça que muitos setores estão sendo sacrificados, ela enumera três condições que, segundo ela, deveriam ter sido consideradas para a flexibilização.


A principal preocupação de Vergara é que, com a flexibilização, mais pessoas sejam expostas ao contágio e que haja uma nova subida da curva. Assim, os hospitais voltariam a operar no limite da capacidade.

 

Na segunda-feira (1º), o infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Roberto Medronho já havia alertado que a flexibilização das regras de circulação poderia gerar uma explosão no número de casos – ele se referiu ao Estado do Rio todo.

90% dos leitos de UTI ocupados
Na sexta-feira (5), a Prefeitura do Rio informou que chegava a 90% a taxa de ocupação de leitos de UTI destinados ao tratamento de pacientes com Covid-19 na rede SUS (Sistema Único de Saúde) da cidade – que incluiu leitos de unidades municipais, estaduais e federais.

 

Na comparação com o dia 1º de junho, houve alta de 4% dessa taxa de ocupação.

Ao todo (considerando todas as redes na cidade), o município informou que na sexta-feira havia 1.792 pessoas internadas com suspeita de Covid, sendo que 698 delas estavam em centros de terapia intensiva.

 

Já a taxa de ocupação dos leitos de enfermaria para pacientes de Covid-19 na cidade na sexta-feira era de 54%, abaixo do registrado no dia 1º de junho, quando chegava a 68%.

 

Flexibilização é recomendada após 14 dias de queda contínua
Segundo Patrícia Ribeiro, pneumologista da Fiocruz, a prefeitura do Rio deveria manter o isolamento social até que o número de óbitos e as internações por síndromes respiratórias diminuíssem. Segundo ela, seriam necessários 14 dias seguidos de queda no número de casos e de óbitos para que as autoridades públicas flexibilizassem o isolamento social.

“Nós ainda temos um registro grande de casos e óbitos diários e precisamos ter certeza que realmente nós estaríamos fazendo um processo de reabertura dentro de padrões que a gente acha importante”, comentou a doutora Patrícia Canto Ribeiro.

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