Volta às aulas após quarentena: veja 10 medidas adotadas em 8 países para a retomada do ensino


Após decretarem o afrouxamento do isolamento social para conter a transmissão do novo coronavírus, países que estão voltando às aulas adotam medidas de prevenção para evitar uma nova onda de contaminação.

Analisamos a experiência de países como China, Coreia do Sul, Dinamarca, Finlândia, França, Inglaterra, Israel, e Portugal para saber quais cuidados estão sendo tomados na volta às aulas. No Brasil, as aulas estão suspensas em todos os estados e as escolas seguem fechadas.

 

Entre as medidas, estão:

desinfecção de escolas
tendas de desinfecção dos alunos na entrada
controle de temperatura
uso de máscaras
lavagem de mãos e instalação de torneiras
grupos menores de alunos
distanciamento
horários diferentes de entrada e saída
arejar a sala
afastar professores do grupo de risco
Apesar dos esforços, o retorno nem sempre é consenso. O governo da Inglaterra anunciou a reabertura das escolas para a próxima segunda-feira (1º), mas encontra resistência em parte das instituições, que afirmam que não vão reabrir.

 

“10% das escolas estão dizendo que não vão reabrir segunda. Houve protestos de pais da Dinamarca pouco antes da reabertura e, na Polônia, 300 prefeitos se uniram para protestar contra a volta às aulas”, afirma Tatiana Filgueiras, vice-presidente de Educação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, que mora na Itália e acompanha de perto a divulgação dos impactos na educação durante a pandemia.

Em sua análise, a volta às aulas é gradual em cada país e demanda planejamento para uma nova situação. “Os países analisam várias questões sobre retorno: em geral priorizam os mais novos, para os pais voltarem ao trabalho, e jovens do ensino médio, por causa dos processos seletivos. Não volta todo mundo junto. E é consenso que nada abre como era antes. Por exemplo, abrem escalonando aluno, com menos crianças por sala. Isso demanda mais espaço e mais professores.

 

Ao mesmo tempo, não é 100% dos professores que voltam. Há aqueles no grupo de risco. Por outro lado, é preciso mais professores. Se antes havia um por turma de 20 crianças, agora dividem esta turma em duas ou três. Na Ásia, há grupos de 4 a 5 alunos. Há higienização até dos sapatos das crianças”, afirma.

 

Ainda assim, ao menos dois dos países analisados voltaram a registrar casos de transmissão de coronavírus: Coreia do Sul e França.

Na Coreia do Sul, mais de 200 escolas foram fechadas nesta sexta-feira (29) dias após reabrirem, devido ao surgimento de novos casos de contaminação. Com isso, Seul adotou novas medidas para evitar a transmissão de casos, como limitar o número de alunos por sala, enquanto os demais ficam em casa, aprendendo por atividades remotas.

 

Na França, 40 mil escolas foram reabertas no início de maio. Uma semana depois, 70 registraram casos de coronavírus e tiveram que ser fechadas.

As regras de confinamento impostas para conter o avanço da disseminação do novo coronavírus deixaram mais de 1,5 bilhão de crianças e adolescentes fora da escola em 188 países, segundo balanço da Unesco divulgado em abril.

Medidas extras de limpeza são uma recomendação comum. Em diversas partes do mundo, a desinfecção das escolas ocorre antes dos alunos chegarem e durante a permanência deles.

Em Portugal, 17 mil litros de desinfetantes e outros equipamentos de proteção e higiene foram distribuídos para centros educacionais.

Na França, as orientações do Ministério da Educação contêm inclusive quais produtos a serem utilizados para desinfecção das escolas e a frequência da higienização: o chão deve ser limpo uma vez por dia enquanto maçanetas, sanitários e interruptores devem ser higienizados várias vezes.

Tenda de desinfecção dos alunos
Na China, escolas instalaram tendas de desinfecção por onde os estudantes precisam passar antes de entrarem na escola.
Controle de temperatura
O controle da temperatura para detectar se o aluno está com febre, um dos mais comuns sintomas da Covid-19, é uma preocupação em vários países.

Na China e na Coreia do Sul, os estudantes passam por checagem sistemática de temperatura corporal.

 

Em Pequim, pulseiras inteligentes, que fazem essa medição em tempo real, estão sendo testadas. Os pais monitoram a situação por meio de um aplicativo. Caso a temperatura passe de 37ºC, um alerta é enviado para os professores, que são orientados a alertar a polícia.

Uso de máscara
O uso de máscaras em geral também é recomendado, mas os critérios variam de país para país.
Na China, as crianças utilizam máscaras o tempo todo, inclusive dentro da sala de aula.

Em Israel, as crianças da 4ª série em diante tem que usar essa proteção. Na França, as crianças menores também estão dispensadas. No entanto, a escola deve ter máscaras à disposição dos alunos caso eles apresentem sintomas durante as aulas e estejam aguardando para serem retirados.

 

Uma exceção é a Dinamarca, país onde não existe a recomendação para utilização de máscaras em ambientes públicos.

Lavagem de mãos e instalação de torneiras
O incentivo à higiene e lavagem de mãos está sendo constante nas escolas que voltam às aulas.

Na Dinamarca, as escolas chegaram a instalar torneiras fora dos edifícios para que as crianças lavem as mãos quando chegam à escola.

Em Portugal, é obrigatório a lavagem das mãos ao entrar e sair da escola. Na Coreia do Sul, os estudantes receberam material desinfetante para higienizar as mãos.

 

Grupos menores de alunos
Alguns países adotaram a medida de dividir os estudantes em grupos menores para evitar contatos mais próximos entre eles, como na Finlândia.

Na Dinamarca, as turmas, que têm entre 20 e 28 alunos, foram divididas para que os alunos possam interagir apenas dentro desse espectro menor.

 

Em Seul, na Coreia do Sul, os jardins de infância e escolas do ensino básico, fundamental e médio poderão receber apenas um aluno a cada três e os demais terão que seguir com o ensino a distância.

Distanciamento
Em geral, as salas de aula foram reorganizadas de maneira que as mesas dos alunos fiquem a pelo menos um metro de distância entre elas. A recomendação é feita pelo governos da França, Dinamarca. Em Israel, essa distância é de dois metros.

 

Na Dinamarca, além da distância de um metro entre as mesas dos alunos, o professor deve ficar a dois metros do estudante que senta mais próximo dele.

Alguns países adotam inclusive paredes acrílicas para evitar que gotículas da fala sejam trocadas entre os estudantes e entre estudantes e professores, como é o caso da Coreia do Sul.

 

Para estudantes menores, mantê-los afastados é um desafio. Uma solução lúdica, feita com asas de papelão, foi adotada na província de Shanxi, na China, para lembrá-los a distância que precisam ficar uns dos outros.
Horários diferentes de entrada e saída
Em Portugal, alunos estão sendo organizados em grupos que terão horários de aula, intervalos e períodos de alimentação diferentes entre si, para minimizar o contato.

 

A mesma medida foi adotada pelos governo da Finlândia e Israel, que determinaram o estabelecimento de horários diferentes para intervalos, entrada e saída para evitar aglomeração.

Na Dinamarca, além dos horários variados, novos portões estão sendo utilizados para que a entrada e saída dos grupos não coincidam. Os pais também são orientados a se despedir dos filhos fora da escola e devem pedir permissão, caso necessitem entrar no estabelecimento.

 

Arejar a sala
Na França, as escolas são orientadas a manter as janelas abertas antes das aulas, durante o intervalo e depois da partida dos alunos.

 

Afastamento de professores do grupo de risco
Em Israel, professoras com mais de 65 anos não retomaram as atividades. A medida é para evitar que eles fiquem expostos à uma possível nova onda de circulação do coronavírus.

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