Funcionários do hospital de campanha do Maracanã dizem que falta de medicamentos leva pacientes à morte


Hospital foi inaugurado no dia 9 de maio com 120 leitos de enfermaria e 80 de UTI. OS afirma que 200 leitos serão entregues nesta quinta (21). Profissional da saúde conta que viu paciente morrer por falta de medicação disponível.


A organização social Iabas informou que vai entregar nesta quinta-feira (21) mais 200 leitos do hospital de campanha do Maracanã, na Zona Norte do Rio.

 

No entanto, como mostrou o RJ1, funcionários que trabalham na unidade dizem que pacientes já morreram pela falta de medicamentos adequados.
O Hospital de Campanha do Maracanã foi inaugurado no dia 9 de maio com 120 leitos de enfermaria e 80 de UTI.

 

Com os novos leitos entregues nesta quinta, ele será o primeiro a ficar completo do total de unidades previstas para serem entregues. Veja no final da reportagem onde e quando serão entregues as próximos hospitais de campanha no RJ.

 

Segundo a Iabas, o pavilhão que será entregue tem o mesmo modelo do que já está em funcionamento. De acordo com a OS, o funcionamento e transferência de pacientes depende da regulação de vagas da Secretaria Estadual de Saúde.

Faltam medicamentos, dizem funcionários
Os trabalhadores contaram que, depois de 12 dias da abertura, os pacientes que precisam de atendimento não conseguem medicamentos que são fundamentais para manter a pressão arterial e garantir a adaptação ao respirador.

 

Os funcionários usaram um grupo do Whatsapp com coordenadores para relatar o que estão vivendo. Em uma das mensagens, eles relatam que “Maracanã tá virando matadouro”.

Os profissionais dizem que a falta de organização e de medicamentos adequados têm levado as equipes à situações extremas.

 

Uma profissional contou que viu o momento em que um paciente precisava ser sedado e entubado, e morreu por falta do medicamento.

 

“E nesse momento, a medida que a médica ia pedindo os medicamentos para fazer a sedação e a curarização, não tinha. ‘Não tem, doutora; não tem doutora; não tem, doutora’. Vai ter que misturar com outros medicamentos porque não tem. Ficamos numa situação de impotência total. E naquilo de arrumar o medicamento. Ele simplesmente parou, na minha cara. Uma pessoa que estava conversando comigo há 40 minutos atrás. E morreu. Isso é muito duro”, desabafou a funcionária.

Falta de salários
Ao profissionais também denunciam falta de salário e vale-transporte.

 

“Tem muito profissional que não recebeu ainda, que está tendo que tirar do próprio bolso para ir trabalhar. Eles estão perdidos em tudo. Eles não sabem quem contratou e quem contrataram. É uma bagunça infinita”, contou uma trabalhadora.

 

Outra profissional de saúde completa:

“É uma vergonha, uma falta de respeito, uma falta de responsabilidade. Tanto com o profissional que está ali se doando para cuidar dos seus pacientes. E uma falta de respeito com seus pacientes que estão lá, internados, querendo sobreviver. Muito desumano”, finalizou.

 

Novos hospitais na Região Metropolitana e interior
A Iabas informou que até o dia 18 de junho vai entregar novas unidades de campanha na Região Metropolitana e no interior do Rio de Janeiro.

 

São Gonçalo – deve ser entregue no dia 27 de maio
Nova Iguaçu – previsão de entrega no dia 29 de maio
Duque de Caxias – está previsto para o dia 1° de junho
Nova Friburgo – unidade da Região Serrana será entregue no dia 7 de junho
Campos dos Goytacazes – previsão é para funcionar no dia 12 de junho
Casimiro de Abreu – o último da lista tem previsão de começar a funcionar no dia 18 de junho.

O que dizem os envolvidos
Secretaria Estadual de Saúde – informou que vai apurar as denúncias e, se elas forem comprovadas, vai notificar a Iabas. O órgão disse também que criou, esta semana, um comitê de supervisão dos hospitais de campanha para fiscalizar as unidades.

 

Iabas – a Organização Social não se manifestou sobre as denúncias até a publicação desta reportagem.

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