Apenas três dos nove hospitais de campanha prometidos pelo governo do RJ para enfrentar a Covid-19 estão funcionando
As seis unidades que estão em construção deveriam ter sido entregues até o final do mês de abril. Novo prazo do governo fala em conclusão de todos os hospitais até 26 de maio.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro está atrasado na construção dos hospitais de campanha que ajudariam a enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Até o momento, apenas três unidades foram inauguradas. As outras seis, que deveriam estar prontas antes do final do mês de abril, seguem em construção.
As unidades de atendimento exclusivo aos pacientes com a Covid-19 seriam fundamentais para alocar as 900 pessoas que atualmente aguardam na fila de espera por um leito de enfermagem ou de UTI no Rio de Janeiro. Mesmo com quase mil pessoas esperando por vagas, o G1 mostrou também que os três hospitais do estado que já estão funcionando têm mais de 200 leitos ociosos.
O Governo do RJ informou que os hospitais de campanha de São Gonçalo, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Nova Friburgo e Campos dos Goytacazes estarão concluídos até o próximo domingo (17). Já a unidade de Casimiro de Abreu deve estar pronta no dia 26 de maio.
A previsão é de mais 900 leitos disponíveis, sendo 180 de UTI.
Pela prefeitura do Rio, o Hospital de Campanha do Riocentro foi inaugurado no início do mês.
Problemas nas unidades
Uma equipe do RJ2 percorreu nesta quinta-feira (14) os seis hospitais de campanha do estado que ainda estão sendo erguidos na Região Metropolitana e no interior.
As obras nessas unidades são de responsabilidade da Organização Social IABAS, também contratada pelo governo para administrar os hospitais temporários.
No local onde deveria funcionar a unidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, poucos operários estavam trabalhando nesta quinta.
No Hospital de Campanha de Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense, a estrutura da unidade já está quase pronta, mas o piso ainda não foi finalizado.
Em São Gonçalo, na Região Metropolitana, a situação é parecida. No local, poucos trabalhadores foram vistos pela equipe do telejornal.
Hospitais do interior
No interior do estado o governo prometeu construir unidades nos municípios de Campos dos Goytacazes, Casimiro de Abreu e Nova Friburgo. Em todas as unidades, as estruturas já foram montadas, mas a parte interna dos hospitais segue em segredo.
Promotores do Ministério Público do estado (MP), vistoriaram a unidade de Nova Friburgo, na Região Serrana, mas só encontraram móveis de escritório e um tomógrafo no local.
O outro lado
A equipe do RJ2 procurou a organização social IABAS e a Secretaria de Saúde Estadual, mas até a última atualização desta reportagem não houve resposta.
Hospitais funcionando
Dos três hospitais de campanha que estão atendendo, dois (Parque dos Atletas e Lagoa-Barra) foram financiados pela inciativa privada e tem a operação gerida pela Rede D’Or.
Já a unidade do Maracanã, de responsabilidade da IABAS, foi aberta há menos de uma semana.
Trabalhadores dormindo no chão no Maracanã
Apesar do pouco tempo de funcionamento, o Hospital de Campanha do Maracanã, na Zona Norte, já foi alvo de denúncias.
Enfermeiros e técnicos de enfermagem que trabalham na unidade denunciaram que foram colocados para dormir no chão. Um vídeo gravado por eles mostra os colchões no chão com os profissionais da saúde descansando.
Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem disse que o Hospital de Campanha do Maracanã ainda não está funcionando na sua totalidade e que tem duas áreas de descanso. Uma delas está pronta e a outra ainda está sendo limpa e mobiliada.
Segundo o conselho, durante um plantão, a área pronta foi bloqueada para o descanso dos médicos e a enfermagem utilizou a outra área. Eles disseram que isso não voltará a acontecer e que os problemas estariam sendo resolvidos ainda nesta quinta-feira.
A Secretaria de Saúde afirma que a situação mostrada nas imagens é inadmissível e que desde as primeiras horas desta quinta enviou uma equipe de inspeção ao local. A SES informa ainda que notificará a Iabas, organização social contratada para construir e gerir a unidade, e exigirá esclarecimentos imediatos sobre o fato. A notificação prevê glosa no contrato caso a OS não comprove a resolução de maneira rápida e definitiva.
