‘Guerra às drogas’ de Witzel tem ‘altos níveis de violência’ e ‘violações de direitos humanos’, diz Anistia


O relatório da Anistia Internacional divulgado nesta quinta-feira (27) critica a política de segurança de Wilson Witzel.

O levantamento, realizado todos os anos, mapeia como estão os direitos humanos em 24 países das Américas.

No caso do Brasil, a Anistia afirma que o presidente Jair Bolsonaro e outras autoridades mantiveram um discurso abertamente contrário aos direitos humanos e que isso foi traduzido em medidas administrativas e legislativas.

Crítica a Witzel
No capítulo específico do Brasil, o documento critica o que chama de “guerra às drogas” no RJ.
“Nesse contexto, aumentaram os homicídios de suspeitos de crimes, principalmente aqueles que, segundo as autoridades de segurança, estavam envolvidos no tráfico de drogas”, destaca.

A entidade traz as estatísticas de “autos de resistência” e aponta, “segundo dados oficiais”, que a polícia matou 16% mais gente na comparação do primeiro semestre de 2018 com o de 2019.

Marielle
O documento cita ainda a investigação da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

“A ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos reconheceram, em nota, o trabalho realizado por investigadores policiais e pela Promotoria para descobrir a verdade e o progresso alcançado no caso”, diz a Anistia.

“No entanto, eles enfatizaram que era necessário fazer mais para estabelecer o motivo do ataque e descobrir as pessoas por trás dele — e instaram as autoridades a concluir a investigação o mais rápido possível”, pontua.

O que diz o governo
Em nota, o governo do RJ rebateu o relatório da Anistia.

“Há no Rio de Janeiro décadas de descaso com a segurança pública”, afirmou o governo.

“Hoje, grupos milicianos e quadrilhas de narcotraficantes ainda dominam várias comunidades, impondo suas próprias regras sem nenhuma base legal. É preciso levar o Estado a essas comunidades, retirar esses grupos de criminosos do poder. E foi esse o diagnóstico desse o início do governo”, emendou.
“Todos outros indicadores também foram reduzidos. Ficar passivo frente aos massacres de anos anteriores seria o caminho da omissão. A alternativa proposta pela Anistia Internacional agravou historicamente o problema e criou mais vítimas”, rebateu.

A nota afirma ainda que, no Caso Marielle, “os executores foram presos no governo Wilson Witzel, e as investigações sobre a motivação e os possíveis mandantes continuam”.

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