Manchas de óleo no Nordeste: o que se sabe sobre o problema


As manchas de petróleo em praias do Nordeste já atingiram 138 localidades em 62 municípios de 9 estados desde o início de setembro. A substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas. A origem do material poluente está sob investigação.

Entenda em 10 pontos
Onde e quando o problema surgiu?
Quantos estados foram atingidos?
Quem investiga?
O que dizem os órgãos?
Quais as possíveis origens?
Quais os riscos para as pessoas?
Quais os riscos para os animais?
Alguma reserva biológica foi atingida?
Problema está diminuindo ou aumentando?
Já houve casos assim no Brasil?
Veja as respostas abaixo:

1. Onde e quando o problema surgiu?
As primeiras manchas em praias do Nordeste apareceram em 2 de setembro nas cidades de Ipojuca e Olinda, em Pernambuco. No dia seguinte, foram vistas em Tamandaré, Recife, Jaboatão dos Guararapes e também na cidade de Conde, na Paraíba.
2. Quantos estados foram atingidos?
O balanço mais atualizado, de 8 de outubro, aponta que são 138 locais em 62 municípios de 9 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

O último estado a ser atingido foi a Bahia, em 3 de outubro.
3. Quem investiga?
As investigações são conduzidas pela Polícia Federal, Ministério da Defesa, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O Ibama e a Capitania dos Portos solicitaram apoio da Marinha e da Petrobras na elaboração de laudos sobre a substância. Há ainda pesquisas sobre o material em andamento na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
4. O que dizem os órgãos?
O presidente Jair Bolsonaro disse suspeitar de um incidente criminoso e que a investigação é “bastante complexa”. Sem citar nome, afirmou que existe um país “no radar”.

“Pode ser algo criminoso, pode ser um vazamento acidental, pode ser um navio que naufragou também. Agora, é complexo. Temos, no radar, um país que pode ser o da origem do petróleo e continuamos trabalhando da melhor maneira possível”, disse Bolsonaro.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, não apontou hipóteses. “Nada é ou está conclusivo. Isso é importante. A causa não é isso, não é aquilo. Então, está sendo investigado. Já foi aberto o inquérito”, disse Azevedo e Silva.

A Petrobras afirma não ter relação com o incidente: “A análise realizada em amostras atestou, por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrado não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia”.
5. Quais as possíveis origens?
Até 8 de outubro, não havia conclusões sobre as origens do material. A Marinha está fazendo o monitoramento de navios para identificar a origem do petróleo. A primeira hipótese levantada por especialistas é que a contaminação seja de navios petroleiros, que poderiam ter efetuado uma limpeza em tanques e descartado os rejeitos no mar. Agora, diante do volume, que chegou a 100 toneladas recolhidas até segunda 7 de outubro, já há quem descarte essa possibilidade inicial e considere a chance de ter ocorrido um vazamento acidental.

Em entrevista ao G1 em 27 de setembro, o diretor da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco, Eduardo Elvino, disse que o órgão e as universidades federais do estado analisam imagens de satélite de uma área de 187 quilômetros do litoral dos estados de Pernambuco e Paraíba.

“Com essa varredura a gente identificou os pontos no mapa que podem ser navios, e aí estamos analisando a existência de pontos pigmentados ao lado desses possíveis navios. Esses pontos coloridos podem ser realmente manchas de óleo, mas também podem ser cardumes de peixe ou concentrações de alga, por exemplo. São várias possibilidades”, explicou Elvino.

Em um relatório divulgado em 8 de outubro, a Petrobras disse que as manchas que estão poluindo praias do Brasil são uma mistura de óleos da Venezuela.

O professor Marcus Silva, do Departamento de Oceanografia da UFPE, aponta a hipótese de que o petróleo tenha relação com algum navio que passava pelo litoral pernambucano.

Pesquisador aponta navio como responsável por mancha no Nordeste

6. Quais os riscos para as pessoas?
O petróleo bruto é uma complexa mistura de hidrocarbonetos, que apresenta contaminações variadas de enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais. A substância é tóxica. Por isso, é importante que a população evite contato direto com o material encontrado nas praias. O Ibama orienta que banhistas e pescadores não toquem ou pisem no material.

Em Sergipe, o governo começou a instalar barreiras para evitar que o petróleo entre nos rios e comprometa a captação de água para abastecimento da população.

7. Quais os riscos para os animais?
Os animais marinhos podem ser afetados tanto pela ingestão da substância quanto pelo contato com líquido que gruda e compromete a locomoção. O óleo já atingiu ao menos quinze tartarugas e uma ave bobo-pequeno ou furabucho (Puffinus puffinus), conhecida pela longa migração. Nove dessas tartarugas foram encontradas mortas ou morreram após o resgate. A ave também não resistiu ao óleo.

Caso seja encontrado algum animal com óleo, a orientação é que sejam acionados imediatamente os órgãos ambientais para adotar as providências necessárias. “O animal não deve ser lavado nem devolvido ao mar antes da avaliação de veterinário”, diz o Ibama.

8. Alguma reserva foi atingida?
O projeto Tamar suspendeu a soltura de filhotes. O engenheiro de Pesca do Tamar, Augusto Cesar Coelho, diz que a quantidade de óleo em praias de SE e da BA foi “tão significativa” que 600 filhotes nasceram e não foram liberados.

Um peixe-boi monitorado por biólogos de Sergipe pode ser transferido para evitar a contaminação. Há temor de que a contaminação afete a reprodução de baleias.

9. O problema está diminuindo ou aumentando?
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou na terça-feira (8) que é um “desastre muito preocupante” e não há sinais de que está retrocedendo.

A impressão é confirmada por quem acompanha a situação nas praias: as manchas estão “cada vez maiores”, diz presidente do Instituto Biota de Conservação, Bruno Estefanis.

Em 7 de outubro, Sergipe decretou situação de emergência e recomendou a população a não utilizar as praias.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, participou de audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara — Foto: Pedro Gomes/G1O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, participou de audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara — Foto: Pedro Gomes/G1
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, participou de audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara — Foto: Pedro Gomes/G1

10. Já houve casos assim no Brasil?
Em abril, manchas de óleo surgiram na Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, atingindo as praias de Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios. O acesso às praias chegou a ser interditado para a retirada do material. Após analise, foi comprovado que as placas de óleo eram resíduos de operações da Petrobras. No atual caso, a Petrobras afirma que não tem ligação com o problema.

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