Os Pilares da Saúde Infantil’ em discussão na 1ª Jornada de Pediatria de Campos
O desenvolvimento alimentar e humano de uma pessoa começa na infância. E para que haja equilíbrio entre os dois aspectos, é necessário que o meio onde a criança vive seja equilibrado. A criança no seu desenvolvimento se baseia muito no que ela vê. Dessa forma, mesmo que os pais a estimule a ter uma alimentação saudável, se eles não tiverem o mesmo hábito, a chance dessa criança se descuidar com a alimentação no futuro é muito grande.
É pensando nisso que o Hospital Plantadores de Cana (HPC), em Campos, deu início, às 19h30 desta quinta-feira (10/09), a 1ª Jornada de Pediatria que tem como tema principal “Os Pilares da Saúde Infantil: Desenvolvimento Humano e Alimentação”. O evento, que acontece no anfiteatro da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) e segue até sábado (12/09), é restrito aos profissionais da área de saúde.
Abrindo o encontro, o psicanalista, psiquiatra, chefe do Serviço de Saúde Mental do Hospital Municipal Jesus, no Rio, e presidente do Comitê de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj), Roberto Santoro Pires Almeida, explicou que o ser humano nasce incompleto, no sentido de que não está programado para sobreviver, caso seja deixado à própria sorte, necessitando assim, de cuidados.
O médico também disse que os hábitos alimentares se constroem ao longo da infância, cabendo aos pais o papel de escolher o que oferecer para o filho. Como poucos sabem, a questão da alimentação está para além dos aspectos nutricionais. Segundo Almeida, a primeira relação que um indivíduo tem passa pelo ‘ritual’ da amamentação do bebê. É ali que está ‘a gênesis’ de todas as experiências futuras.
“É preciso tomar muito cuidado com essa questão da alimentação, porque é nos primeiros meses de vida que estão sendo instaladas as programações básicas da mente humana. E essas primeiras experiências ficam registradas de uma maneira inconsciente, como padrões de emoções e de comportamento que vão guiar todo resto do desenvolvimento daquela criança”, ressaltou o conferencista.OBESIDADE INFANTIL
A obesidade é um problema de saúde pública e já se tornou uma epidemia mundial. Os dados são alarmantes e o número de crianças com excesso de peso e obesas vem preocupando os especialistas. Segundo o médico, as relações com a alimentação são os primeiros protótipos das experiências que virão no futuro.
A obesidade é um problema de saúde pública e já se tornou uma epidemia mundial. Os dados são alarmantes e o número de crianças com excesso de peso e obesas vem preocupando os especialistas. Segundo o médico, as relações com a alimentação são os primeiros protótipos das experiências que virão no futuro.
“A obesidade é um fenômeno muito complexo porque tem esferas em todas as vertentes (biológicas, familiares, psicológicas e culturais) e acaba sendo uma característica da nossa sociedade. O problema da obesidade infantil, na maior parte dos casos, está ligado a uma cultura familiar de hiper ingestão de comida. Então você tem um acesso facilitado a alimentos extremamente calóricos (gorduras e açúcar) e uma maneira familiar de lidar com os problemas de tensão comendo”, mencionou.
Santoro ainda ressaltou que hábitos nutricionais errados e a cultura de que ‘filho gordinho é o bem alimentado’ podem trazer problemas que poderão, ou não, acompanhar a criança por toda a vida.
“Ainda existem mães que pensam que filho saudável e desenvolvido é o ‘gordo’ e forçam a criança a comer. Só que quando chega à adolescência é um problema complicado, porque ai você se depara com um padrão de ‘magreza’ imposto pela sociedade e, com isso, vem uma série de transtornos como anorexia e bulimia. E a tendência é só piora, pois o brasileiro está a cada dia importando o padrão norte americano de ser, ingerindo mais e mais comidas industrializadas, gordurosas e fast food”, alertou o psiquiatra.
Além de Santoro, no primeiro dia foi lançado o livro de autoria do também médico, Renato Moretto.

Reportagem: Kelly Maria
Fonte Ururau
11 de Setembro, 2015

