Decisão de Fachin sobre Lula tornou elegível ‘um dos maiores bandidos que passou pelo Brasil’, diz Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (18) que a decisão da semana passada do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato, “deu elegibilidade para um dos maiores bandidos que passou pelo Brasil”.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa do ex-presidente Lula e aguardava retorno até a última atualização desta reportagem.
A decisão de Fachin fez com que Lula deixe de ser réu nos processos e, com isso, permitiu ao ex-presidente recuperar os direitos políticos e voltar a ser elegível. Assim, ele poderia enfrentar Bolsonaro na corrida presidencial de 2022.
Em discurso após a decisão de Fachin, Lula disse que foi “vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de História.”
O ministro do STF justificou a anulação sob o argumento de que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos envolvendo Lula. As condenações foram determinadas pelo juiz pelo ex-juiz Sergio Moro e pela juiíza Gabriela Hardt.
Fachin entendeu que não há relação entre os desvios praticados na Petrobras, investigados na Lava Jato de Curitiba, e as irregularidades atribuídas a Lula, como o custeio da construção e da reforma do tríplex do Guarujá. Por isso, determinou a transferência dos casos para Brasília.
A decisão atinge quatro ações envolvendo o ex-presidente: do triplex do Guarujá; do sítio de Atibaia; e duas ações relacionadas ao Instituto Lula.
Bolsonaro comentou a decisão de Fachin ao conversar com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu da decisão e Fachin decidiu enviar a discussão ao plenário do STF.
Discurso
Em discurso após a decisão, Lula agradeceu a Fachin e disse que o ministro reconheceu que nunca houve crime cometido contra ele ou envolvimento dele com a Petrobras.
No entanto, a decisão do ministro foi apenas processual: ele avaliou quem tinha competência para analisar o tipo de denúncia proposta. Fachin não analisou se Lula é culpado ou inocente.
Pandemia
Bolsonaro também comentou a situação da pandemia do novo coronavírus, que até o momento matou mais de 285 mil pessoas no Brasil. A média móvel de mortos nos últimos sete dias passou de 2 mil óbitos por dia.
O país, segundo a Fiocruz, vive o pior colapso sanitário e hospitalar da história. Há registro de falta de leito de UTI em todo o país. Bolsonaro, no entanto, afirmou que “parece que só morre de Covid” no Brasil.
“Parece que só morre de Covid. Você pode ver, os hospitais estão com 90% das UTIs ocupadas. Agora, o que a gente precisa fazer (saber)? Quantos são de Covid e quantos são de outras enfermidades?”, declarou.
Bolsonaro afirmou que morrem pessoas em todos os locais do mundo e voltou a afirmar que empregos foram destruídos por medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos para tentar conter a alta de contágio por Covid-19.
Bolsonaro também afirmou que não há vacinas para comprar, diante da alta demanda no mundo.
A gente pergunta qual país do mundo que está tratando bem a questão do Covid? Aponte um. Todo local está morrendo gente. Agora, aqui virou uma guerra contra o presidente”, disse.
