Crimes de extorsão crescem 40% e batem recorde no RJ, diz ISP


Levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostra que o crime de extorsão aumentou mais de 40% no ano passado no Rio de Janeiro. Esse é o maior valor da série histórica.

Casos de moradores que têm sido obrigados a contratar operadora clandestina para não ficar sem os serviços de internet ou telefonia são cada vez mais comuns.

 

 

De acordo com dados do ISP, entre janeiro e dezembro de 2023, foram registrados 3.264 casos de extorsão. No ano anterior foram 2.303 ocorrências — ou seja, um aumento de 41,7%.

 

 

É o caso de Turiaçu, bairro da Zona Norte do Rio. Além de sofrer com o furto de cabos, moradores denunciam que estão sem serviço de internet e telefonia há cerca de seis meses. Só na região foram registrados 73 casos de extorsão, de janeiro a dezembro de 2023. Em 2022, foram 62 registros.

 

Moradores afirmam que entram em contato com a empresa responsável, que diz estar tentando restabelecer o serviço, mas que, por falta de segurança, não consegue retornar ao local. Os profissionais dizem que são ameaçados por criminosos.

 

 

Por conta disso, eles não obrigados a contratar internet do tráfico ou da milícia.

 

 

“Minha internet é da Claro. Infelizmente, o sinal foi cortado. A empresa sempre me diz que por falta de segurança pública, ela não consegue fazer a manutenção dos aparelhos. Ela diz que os técnicos são ameaçados”, diz um homem.

 

“E, infelizmente, o meu bairro tá com uma internet clandestina, onde eu sou obrigado a fazer a assinatura de um serviço. Se eu não assinar esse serviço, eu não consigo ter nenhum tipo de sinal de internet, não consigo trabalhar, não consigo marcar consulta. Não consigo fazer absolutamente nada”, completa.

 

 

Na Praça Seca, na Zona Oeste, o problema é o mesmo. Quem vive no bairro conta que está há mais de um mês sem internet. Em 2023, foram registrados 256 casos de extorsão. No ano anterior, foram 186 casos.

 

 

Enquanto isso, empresas clandestinas se beneficiam oferendo a “solução”.

 

 

O que dizem os envolvidos 
Em nota, o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia (Conexis) informou que “o furto, roubo, vandalismo e também a receptação de cabos e equipamentos causam prejuízo direto a milhões de consumidores todos os anos, que ficam sem acesso a serviços de utilidade pública como polícia, bombeiros e emergências médicas.”

 

 

O sindicato pede ainda uma “ação coordenada do poder público” para garantir mais segurança nessas regiões e a aprovação de projetos de lei que aumentem a punição para esses crimes.

 

A Polícia Militar disse que ” que o combate aos roubos e furtos do patrimônio público e privado — incluído da fiação no cenário urbano — tem sido uma das principais metas de atuação desde o ano passado”.

 

 

A corporação informou ainda que tem se reunido com os gestores das concessionárias prestadoras de serviços “para ouvir diretamente demandas e traçar estratégias.”


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