PF encontrou listas de políticos na cabeceira de Adilsinho e investiga ‘doação’ da contravenção

As investigações que levaram à 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal (PF), começaram em 2021 e miraram o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
Entre as apreensões feitas desde então, estão listas com nomes de políticos.
Adilsinho, que está na cadeia desde fevereiro, foi alvo de um mandado de prisão nesta quinta. O contraventor, apontado como “capo da Máfia do Cigarro” no RJ, já tinha escapado de ao menos duas ofensivas da PF.
Como a reportagem mostrou em 2024, a Máfia do Cigarro controlava, na época, ao menos 45 dos 92 municípios do Rio de Janeiro. Nesses lugares, só os maços produzidos pela quadrilha podiam ser vendidos.
Uma delas foi a Operação Smoke Free, de novembro de 2022. Em um dos endereços de Adilsinho, a PF encontrou as listas de políticos — a imprensa apurou que são pelo menos 25. Os documentos estavam dentro de uma mala de couro na cabeceira da cama do bicheiro.
Até a última atualização desta reportagem, a PF não tinha identificado ninguém, mas disse que esses agentes políticos são investigados por suspeita de receber doações para a campanha de 2022 de Adilsinho.
A defesa do contraventor nega as acusações (leia na íntegra abaixo).
Segundo a PF, as planilhas indicam “a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.
“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou a Polícia Federal.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda expediu mandados de prisão contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que também já estava encarcerado, e contra o pastor Márcio Poncio.
O patriarca da família Poncio foi preso em casa, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Poncio também é empresário do ramo do tabaco. A reportagem apurou que ele é investigado por possíveis ligações com a Máfia do Cigarro.
Bacellar foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá. Ele será transferido de Bangu 8 para um presídio federal.
O advogado de Márcio Poncio disse que não teve acesso aos autos do processo (leia mais abaixo). A reportagem tenta contato com os demais investigados.
Moraes também determinou o sequestro de bens e valores até R$ 22 milhões.
A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ, a ADPF das Favelas, que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.
O que diz a defesa de Adilsinho
“A defesa do empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal.”
O que diz a defesa de Márcio Poncio
“O que posso informar é que ele se encontra na Superintendência da Polícia Federal e que, até o presente momento, não tivemos acesso aos autos do processo, fato que nos impede de conhecer os fatos e os fundamentos que levaram à decretação de sua prisão preventiva”, disse o advogado Leandro Mendonça.
O que diz a defesa de Rodrigo Bacellar
Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar se pronunciou:
“A defesa de Rodrigo da Silva Bacellar, em razão da deflagração da 5ª fase da Operação Unha e Carne, nega que seu constituído tenha atuado, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes.
Reitera-se que, conforme extensa documentação acostada aos autos próprios, está cabalmente demonstrado que Rodrigo da Silva Bacellar não possui mínima vinculação com os fatos apurados, sendo certo que a instrução probatória apoiará as conclusões defensivas e comprovará aquilo que há muito é bradado.
Por fim, coloque-se que Rodrigo da Silva Bacellar pautou e pauta sua atividade política e atuação como agente público na legalidade, na impessoalidade e, principalmente, no firme combate à criminalidade organizada no Estado do Rio de Janeiro, de modo que qualquer acusação em sentido contrário se trata da mais absoluta inverdade.”
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