Tiradentes foi o único dos envolvidos na Inconfidência Mineira a ser condenado à morte


“Tiradentes é o nome popular de Joaquim José da Silva Xavier. Ele era militar, mas também trabalhava como dentista amador, e fez parte da Inconfidência Mineira, uma conspiração contra Portugal que foi planejada pela elite da capitania de Minas Gerais.

 

A denúncia do movimento fez com que Tiradentes fosse preso, investigado e condenado à morte. O dia de sua morte, 21 de abril, é um feriado nacional.”

 

“Tiradentes é uma figura muito importante na história brasileira, sendo reconhecido por ter sido um dos envolvidos com uma conspiração que recebeu o nome de Conjuração Mineira ou Inconfidência Mineira.

 

Ele, além de participar de uma das conspirações mais conhecidas da história brasileira, foi um militar e um dentista amador.

 

 

Seu nome de registro era Joaquim José da Silva Xavier, tendo nascido na capitania de Minas Gerais, em 12 de novembro de 1746. Tiradentes ficou órfão ainda na infância, sendo criado por um tio. Ele aprendeu com esse tio o ofício de dentista amador, que ele utilizava para complementar sua renda. Ele também chegou a ser um mascate e um minerador.

 

 

Tiradentes também trabalhou como militar, ingressando nessa carreira em 1775, assumindo, a partir de 1780, a posição de alferes e sendo o comandante da tropa que garantia a segurança de Caminho Novo, estrada que ligava Vila Rica ao Rio de Janeiro.

Ele possuía insatisfações com as autoridades coloniais, o que o levou a ingressar na conspiração que conhecemos como Inconfidência Mineira.”

 

 

“A conspiração foi denunciada, e Tiradentes e outros envolvidos foram presos em 1789. Tiradentes estava no Rio de Janeiro na ocasião de sua prisão, passando por um processo de inquéritos que se estendeu por três anos e resultou em sua condenação à morte.

 

Ele foi morto em 21 de abril de 1792, por enforcamento, no Rio de Janeiro.

 

 

Sua figura ficou esquecida durante todo o período monárquico, sendo resgatada com a mudança do regime para república. O resgate da figura de Tiradentes se deu para usos políticos, sendo ele transformado em um mártir na história de nosso país.”

 

 

História de Tiradentes  
Tiradentes nasceu na capitania de Minas Gerais em 1746. Ele era filho de um português, chamado Domingos da Silva Santos, e de Antônia da Encarnação Xavier. O local de seu nascimento foi em uma fazenda que ficava entre São João del-Rei e a cidade de Tiradentes.

 

 

A família dele possuía uma condição de vida considerável, sendo que seu pai era um procurador dos quintos e almotacel. O pai de Tiradentes possuía uma casa com dois andares e mais de trinta escravos. Os pais de Tiradentes, no entanto, faleceram quando ele tinha 11 anos de idade e ele foi criado por seu tio, chamado Sebastião Ferreira Leitão.

 

 

O tio de Tiradentes era dentista e ensinou o sobrinho a trabalhar com esse ofício. Em 1775, ele se tornou militar e cinco anos depois entrou no destacamento responsável por monitorar o Caminho Novo. Tentou uma promoção por quatro vezes, mas foi impedido em todas, o que trouxe ressentimentos com as autoridades coloniais.”

 

 

“Tiradentes, por sua vez, era conhecido por ser falastrão e por ter uma oratória muito boa, falando mal da administração colonial em todos os cantos em que passava. Com o início da conspiração, Tiradentes passou a se reunir com outros inconfidentes, compartilhando suas insatisfações. Tiradentes, aproveitando sua habilidade com a fala e suas posições, agiu como um propagandista da inconfidência.

 

Quando o movimento foi denunciado por Joaquim Silvério dos Reis, Tiradentes e outros inconfidentes foram presos. Tiradentes permaneceu preso e sob investigação de 1789 a 1792, sendo condenado à morte. Sua execução foi realizada em 21 de abril de 1792.

 

Ele foi enforcado, esquartejado, e partes do seu corpo terem sido lançadas no Caminho Novo.”

 

 

Tiradentes e a Inconfidência Mineira   
A insatisfação de Tiradentes com as autoridades coloniais se explica pelo seu ressentimento com o fato de nunca ter recebido uma promoção, permanecendo mais de uma década estagnado na posição de alferes. Ele, além disso, teve o seu ressentimento aumentado quando foi destituído do comando do destacamento responsável pelo Caminho Novo.

 

 

Como tinha uma grande habilidade com a fala e como viajava com frequência, Tiradentes atuou como uma espécie de propagandista, criticando publicamente as autoridades coloniais e falando sobre a possibilidade de uma revolta contra eles.

 

Ele participou de inúmeras reuniões em Vila Rica, reunindo personalidades importantes de Minas Gerais que estavam insatisfeitas com Portugal.

 

 

Quando o movimento foi denunciado, Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro. Ele ainda procurou resistir à prisão, mas não conseguiu escapar, sendo preso, investigado, condenado à morte e executado. Foi o único envolvido na Inconfidência Mineira que foi executado por sua participação na conspiração.”

 

 

“O movimento dos inconfidentes, organizado em 1788, foi consequência do contato dos colonos brasileiros com os ideais iluministas divulgados na Europa, ideais que haviam, por sua vez, inspirado o movimento de independência dos Estados Unidos.

 

 

Os historiadores atribuem a divulgação do pensamento iluminista no Brasil ao contato de estudantes brasileiros com o Iluminismo ao serem enviados por suas famílias da elite econômica da colônia para estudarem na Universidade de Coimbra, em Portugal.

 

Os ideais iluministas foram muito difundidos, principalmente, na Capitania das Minas Gerais, e isso se explica pelo fato de boa parte dos estudantes brasileiros em Coimbra ser originária de Minas Gerais.

 

 

Além da propagação dos ideais iluministas, a Inconfidência Mineira aconteceu em consequência da insatisfação das elites da Capitania de Minas Gerais com a pesada política de cobrança de impostos estabelecida pela Coroa Portuguesa sobre os colonos.

 

O Visconde de Barbacena havia sido nomeado pela Coroa Portuguesa como governador da capitania com o objetivo de promover a derrama, ou seja, a cobrança obrigatória dos impostos sobre a extração do ouro.”

 

“Essa derrama havia sido determinada por Portugal em razão das dívidas acumuladas dos impostos que não estavam sendo pagos.

 

A intransigência portuguesa na arrecadação de impostos manteve as cobranças altas, mesmo com a queda na extração de ouro na região, o que acabou por gerar o acúmulo de dívidas.

 

 

A insatisfação com uma possível derrama mobilizou as elites da capitania contra o domínio português. Os inconfidentes planejavam assassinar o governador da capitania e proclamar o republicanismo na Capitania de Minas Gerais.

 

Tiradentes era um dos envolvidos na conspiração, pois, além de ser um defensor dos ideais iluministas, também havia sido prejudicado pela gestão do Visconde de Barbacena ao ser destituído do comando da cavalaria, que fiscalizava uma importante estrada da região.

 

 

O movimento conspirado pelas elites mineradoras, entretanto, não chegou a acontecer. Todos os envolvidos foram denunciados por Joaquim Silvério dos Reis, que optou por denunciar o movimento para se livrar das dívidas pessoais que havia adquirido com a Coroa Portuguesa.

 

Assim, em 1789, o Visconde de Barbacena suspendeu a derrama e prendeu os envolvidos na conspiração — entre eles, Tiradentes.”

 

 

Por que Tiradentes foi morto?    
A prisão de Tiradentes e outros inconfidentes deu início à devassa, a investigação conduzida pelas autoridades coloniais. O processo de julgamento dos envolvidos na Inconfidência estendeu-se por três anos.

Durante esse período, muitos dos presos negaram sua participação no movimento, com exceção de Tiradentes, que reconheceu abertamente seu envolvimento. Alguns historiadores também afirmam que, durante os interrogatórios, muitos dos envolvidos denunciaram o papel de Tiradentes na conspiração.

 

 

A sentença dos inconfidentes saiu em 1792 e determinava a pena de morte por enforcamento para dez pessoas. Entretanto, por intermédio da Rainha D. Maria I, nove dos envolvidos na Inconfidência foram perdoados e condenados ao degredo (expulsos do Brasil), enquanto a sentença de morte foi mantida para apenas um: Tiradentes.

 

A condenação à morte de Tiradentes se deu por lesa-majestade, em outras palavras, traição do rei.”

 

 

“Assim, Tiradentes foi usado como bode expiatório pela Coroa Portuguesa. Ele foi enforcado na manhã de 21 de abril de 1792, na cidade do Rio de Janeiro. Em seguida, teve o corpo esquartejado em quatro partes e espalhado pela estrada de acesso a Ouro Preto.

 

Sua cabeça foi exibida em uma estaca colocada na praça central da cidade. A condenação de Tiradentes foi utilizada como demonstração de força da Coroa para evitar que futuras rebeliões acontecessem.”

 

 

O que Tiradentes fez pelo Brasil?   
Tiradentes é visto por muitos como um herói, um mártir, por ter morrido em sua luta contra as autoridades coloniais. Essa visão idealizada foi construída no final do século XIX.

 

A figura de Tiradentes permaneceu esquecida durante o resto do período do colonial e também no período imperial, principalmente pelo caráter republicano dos envolvidos na Inconfidência Mineira, como afirma o historiador Boris Fausto:”

 

“A imagem de Tiradentes como herói foi construída com a Proclamação da República. Os republicanos desejavam exaltar as figuras de republicanos brasileiros em contraposição aos tempos de monarquia e, por causa disso, Tiradentes foi escolhido pelo caráter da sua condenação. Republicano convicto, Tiradentes foi exaltado como um mártir do movimento republicano e, portanto, um herói nacional.

 

 

Essa visão idealizada da figura de Tiradentes, no entanto, não é compartilhada pelos historiadores que entendem que a transformação de Tiradentes em herói se deu, na verdade, com um objetivo político: o de consolidar a república nas mentes da população brasileira na virada do século XIX para o século XX.

 

 

Em consequência disso, o dia de sua execução, 21 de abril, foi estabelecido como feriado, e sua imagem passou a ser retratada, muitas vezes, parecida com a de Cristo crucificado, uma forma de relacionar Tiradentes como mártir e herói.”

 

 

Feriado de Tiradentes   
Atualmente, o dia da morte de Tiradentes, 21 de abril, é considerado feriado nacional. Esse feriado foi estabelecido por meio do Decreto nº 155-B, de 14 de janeiro de 1890. O feriado se tornou um momento de celebração da figura de Tiradentes, construindo uma memória dele de herói e mártir brasileiro.

 

 

Isso, no entanto, foi parte do uso político que fizeram da imagem de Tiradentes como forma de consolidar a república no Brasil.

 

Em 1965, Tiradentes teve seu nome incluído no Livros de Heróis da Pátria, sendo convertido também no patrono cívico do Brasil. A última lei que versou sobre o feriado de 21 de abril foi a Lei nº 10.607/2002.”

 

 

 

 


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