Trump em 1° discurso: “A era de ouro da América começa agora”

Donald Trump fez o primeiro discurso do novo mandato como presidente dos Estados Unidos ao tomar posse no início da tarde desta segunda-feira (20) em Washington, D.C.
Em cerimônia no Capitólio, Trump cumprimentou as autoridades presentes, entre ministros e ex-presidentes, afirmou que “a era de ouro da América começa agora” e que, “o país irá florescer e voltar a ser respeitado” no mundo. “Seremos a inveja de todas as nações e não vamos nos permitir tomar proveito, não mais”, disse. Trump continuou afirmando que vai colocar os Estados Unidos “em primeiro lugar”.

Além disso, falou sobre sua trajetória até chegar ao poder, e “como foi testado nos últimos oito anos”. O presidente falou sobre as perseguições que sofreu e mencionou o atentado sofrido em seu comício na Pensilvânia em julho de 2024.
“Fui salvo para fazer os Estados Unidos grande de novo”, afirmou, utilizando o famoso slogan de sua campanha. Também demonstrou intenção de acabar com a crise migratória na fronteira com o México.
“Primeiro, vou declarar uma emergência nacional em nossa fronteira ao sul dos Estados Unidos”, afirmou.
Donald Trump também prometeu que irá reforçar as Forças Armadas, uma das pastas com maior investimento do país.
“A gente vai construir as Forças Armadas mais fortes do mundo, vamos mensurar nosso sucesso, não somente pelas batalhas que ganhamos, mas também pelas guerras que colocamos um fim e, mais importante, as guerras que não vamos entrar”, disse Trump. Ele ainda afirmou que quer deixar um legado de “pacificador e unificador”.

O presidente americano voltou a afirmar que irá mudar o nome do Golfo do México e retomar o controle do Canal do Panamá. “Vamos mudar para Golfo da América e vamos restaurar o nome de um grande presidente, William McKinley […]
O presidente Mckinley fez o nosso país muito rico, através de tarifas e talento. Ele era um homem de negócios natural e deu a Roosevelt o dinheiro para muitas das grandes obras que fez, incluindo o Canal do Panamá”. Trump citou uma quebra de promessa do Panamá, a quem o Canal teria sido “dado”.
“A ideia do nosso trato foi violada, e os navios e embarcações americanos estão sendo supercobrados e não tratados de maneira justa”, disse.
O republicano Donald Trump tomou posse como o 47º presidente dos Estados Unidos em Washington, Estados Unidos, nesta segunda-feira (20). Trump recebeu 312 votos do colégio eleitoral americano e teve 51% dos votos populares.
Ele assume a presidência com a promessa de acabar com o conflito no Oriente Médio, já que teve papel importante no acordo de cessar-fogo antes mesmo de assumir o poder.

Além disso, pretende dar fim à guerra entre Ucrânia e Rússia, fazer frente ao comércio chinês com o aumento de tarifas de produtos importados e reduzir o custo de vida para os americanos, que disparou com o aumento da inflação durante o governo de Joe Biden.
Histórico de Trump na Casa Branca
Trump chegou à Casa Branca pela primeira vez em 2016, após derrotar a democrata e ex-primeira dama Hillary Clinton nos colégios eleitorais e perder o voto popular. Procurou se reeleger em 2020, mas não impediu a eleição do democrata Joe Biden.
Em 2024, conseguiu derrotar sua sucessora, Kamala Harris, depois do democrata perder apoio de seu partido e desistir da eleição.
O republicano escolheu o senador JD Vance como parceiro de chapa, que possui posições semelhantes a respeito da imigração ilegal e mudanças climáticas.
Durante a campanha eleitoral, Trump teve que lidar com condenações criminais e um ataque a tiros durante um comício, que feriu sua orelha direita.
Ele retorna à Casa Branca com discurso de que pretende anexar o Canadá e a Groenlândia e intervir militarmente no Panamá. Além disso, confiou ao bilionário Elon Musk um departamento dedicado a cortar gastos federais.

Trump quis deixar bem claro, já no início de sua fala, que seu principal objetivo no retorno ao cargo é fazer com que os Estados Unidos voltem a ser respeitados ao redor do mundo, como a potência econômica e bélica que são, sem que ninguém tire vantagem do país norte-americano.
– Deste dia em diante, nosso país florescerá e será respeitado novamente em todo o mundo. Seremos a inveja de todas as nações, e não permitiremos que tirem vantagem de nós por mais tempo – declarou.
RETOMADA DA CONFIANÇA PERDIDA
Trump prometeu que a nação em breve será “maior, mais forte e muito mais excepcional do que nunca” e que ele retorna ao cargo de presidente “confiante e otimista” de que está “no início de uma nova era emocionante de sucesso nacional”.
– Uma onda de mudanças está varrendo o país – afirmou.
O presidente argumentou também que o governo está enfrentando uma “crise de confiança”, dizendo que um “establishment radical e corrupto” causou estragos na nação por vários anos.
Ele afirmou ainda que o governo dos EUA não consegue mais fornecer serviços básicos, apontando para as consequências desastrosas do furacão que destruiu o oeste da Carolina do Norte.

– Tudo isso vai mudar a partir de hoje – assegurou.
O líder conservador ainda disse que sua vitória recente é um “mandato” para reverter completamente o que ele chamou de uma horrível “traição” ao povo americano.
Trump afirmou que espera devolver ao povo sua fé, riqueza, democracia e liberdade.
– A partir deste momento, o declínio da América acabou – apontou.
“SALVO POR DEUS”
O conservador também declarou que, nos últimos oito anos, foi “testado e desafiado” mais do que qualquer presidente na história, ressaltando que “a jornada para recuperar nossa república não foi fácil”.
O chefe de Estado citou o atentado contra sua vida em Butler, na Pensilvânia, no ano passado, quando uma bala passou de raspão em sua orelha, quase atingindo sua cabeça.
– Minha vida foi salva por uma razão. Fui salvo por Deus para tornar a América grande novamente – resumiu.
UNIDADE COMO PAÍS
O presidente americano também destacou o tema de unidade em sua fala, dizendo que agirá com propósito e rapidez para trazer de volta a esperança, a prosperidade e a paz para os americanos de todas as raças, religiões, cores e credos.
Para ilustrar isso, Trump citou sua “vitória poderosa” nos estados-pêndulo.
– Às comunidades negra e hispânica, quero agradecer pela tremenda demonstração de amor e confiança que vocês demonstraram por mim com seu voto. Ouvi suas vozes na campanha e estou ansioso para trabalhar com vocês nos próximos anos – acrescentou.

Além disso, o líder pontuou que a nação estava “rapidamente se unificando” em torno de sua agenda, ao mesmo tempo em que delineou o que os republicanos anunciaram como um mandato do povo americano para mudar o status quo.
O político disse que seu mandato não esquecerá da Constituição nem de Deus.
– A unidade nacional está agora retornando à América e a confiança e o orgulho estão crescendo como nunca antes. Em tudo o que fizermos, minha administração será inspirada por uma forte busca pela excelência e sucesso implacável.
Não esqueceremos nosso país, não esqueceremos nossa Constituição e não esqueceremos nosso Deus – ilustrou.
MEDIDAS ECONÔMICAS
Trump declarou que ordenará que os membros do seu gabinete ataquem a inflação e culpou os gastos do governo e os altos custos de energia pelo aumento dos preços.
O presidente não deu detalhes sobre como planeja atacar os preços altos, mas espera-se que ele assine um memorando presidencial sobre inflação. O republicano também disse, no discurso, que revogará a exigência de veículos elétricos da era Biden.

O 47° presidente americano reforçou que “imediatamente” começará a reformular o sistema comercial dos EUA para “proteger os trabalhadores e famílias americanas”, dizendo que em vez de taxar cidadãos “para enriquecer outros países”, o país pretende fazer o contrário, ao “taxar países estrangeiros para enriquecer” seus cidadãos.
Trump também anunciou a criação da External Revenue Service (Serviço de Receitas Externas, na tradução literal) – órgão que terá como objetivo arrecadar receitas do exterior – e do Departamento de Eficiência Governamental, ou DOGE, liderado por Elon Musk.
QUESTÃO DE GÊNERO
A questão de gênero e raça também foi um dos tópicos do discurso inicial de Trump.
Ao falar sobre o tema, o republicano declarou que os EUA “esquecerão uma sociedade que não considera a cor e é baseada no mérito” e que a política oficial do governo será de que haverá apenas “dois gêneros”.
– Esta semana também encerrarei a política governamental de tentar aplicar engenharia social à raça e ao gênero em todos os aspectos da vida pública e privada – declarou.
GOLFO DO MÉXICO E CANAL DO PANAMÁ
Trump ainda confirmou que buscará renomear o Golfo do México para Golfo da América, algo que ele já sugeriu antes e um assunto pelo qual alguns de seus aliados no Congresso planejam pressionar, e disse que também reverterá o nome de Denali, no Alasca, para Monte McKinley, o nome que o local tinha antes do ex-presidente Barack Obama renomeá-lo.

A respeito da política externa, o novo presidente destacou que seu “legado de maior orgulho” será como um “pacificador e unificador”, dizendo que é isso que ele quer ser.
O chefe de Estado comemorou o cessar-fogo entre Israel e o Hamas e o retorno dos reféns que começou neste domingo (19).
O presidente ainda voltou a expressar seu desejo de reafirmar o controle dos EUA sobre o estrategicamente importante Canal do Panamá, que ele disse estar hoje sobre o comando da China, apesar de o presidente panamenho José Raúl Mulino negar a acusação.

– A China está operando o Canal do Panamá. Não o demos à China, demos ao Panamá. E estamos tomando-o de volta – disse Trump.
FUTURO POSITIVO
Ao encerrar sua fala, o presidente americano disse que “não há nada” que os americanos não possam fazer e nenhum sonho que eles “não possamos alcançar” se trabalharem juntos.
– Muitas pessoas achavam que era impossível, para mim, encenar um retorno político tão histórico; mas, como vocês veem hoje, aqui estou. O povo americano falou – ilustrou.
Por fim, ele disse que está diante dos americanos como prova de que eles “nunca devem acreditar que algo é impossível de fazer”, acrescentando que, “na América, o impossível” é o que eles fazem melhor.

– Estou com vocês, lutarei por vocês e vencerei por vocês – concluiu.
