Celular pode adicionar até 27 kg na coluna; veja dicas de especialistas para diminuir impacto


Ficar muito tempo com o pescoço flexionado e a cabeça abaixada sobrecarrega a musculatura e as articulações vertebrais, causando dores e até hérnia de disco.

 

 

Se as responsabilidades do dia a dia fazem parecer que você carrega o mundo nas costas, o uso excessivo do celular pode estar somando alguns quilos nessa conta.

A má postura ao mexer nos aparelhos pode acrescentar até 27 kg de peso na coluna, causando a chamada síndrome do pescoço de texto.

 

 

A síndrome do pescoço de texto (text neck syndrome, do inglês) é caracterizada pela sobrecarga na musculatura e nas articulações vertebrais.

 

A condição é muitas vezes gerada pela inclinação constante ao mexer em celulares e em outros aparelhos eletrônicos.

 

 

Além da dependência, com o cérebro sendo estimulado a cada notificação e causando um vício que se assimila ao uso do cigarro, os especialistas afirmam que a lista de problemas físicos relacionados ao uso do celular também é extensa, indo de dor no pescoço e ombros até hérnia de disco. (veja mais abaixo)

 

 

Pescoço mais inclinado = mais peso na coluna
Alexandre Fogaça Cristante, médico ortopedista e especialista em coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, explica que, na posição ereta, o peso sobre a cabeça diminui – situação que muda totalmente quando a pessoa está inclinada para frente.

 

 

“Quando estamos com a cabeça para frente, há um aumento no esforço que a musculatura cervical tem que fazer, além de uma pressão maior sobre as demais estruturas cervicais”, analisa Cristante.

 

Assim, quanto maior a inclinação, maior o peso da cabeça sobre a coluna.

Ricardo Meirelles, chefe do Centro de Coluna do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), explica que o maior problema é que, quando se usa o celular, a angulação do pescoço pode chegar a até 60 graus.

 

“Toda vez que você inclina a cabeça para mexer no celular, isso aumenta o peso que a cabeça faz sobre a coluna, podendo chegar a cinco vezes o peso inicial”, alerta o ortopedista.

 

 

Problemas além da dor 
Com a inclinação constante da cabeça para usar o celular, a lista de problemas para a saúde é extensa.

 

 

Apesar do uso excessivo muitas vezes acontecer entre os jovens, Robert Meves, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), comenta que as consequências da má postura por conta dos eletrônicos acontece em pessoas de todas as idades.

 

 

Entre os principais malefícios associados à utilização desses aparelhos estão: 

Dor no pescoço, cabeça e ombros, na maioria das vezes de origem muscular;

 

Desgaste das estruturas da coluna;

 

Artrose precoce nas articulações da coluna;

 

Hérnia de disco. 
“À medida que essa inclinação da cabeça se torna habitual, a dor vira crônica e pode levar a doenças mais graves”, analisa Ricardo Meirelles.

 

Os especialistas também alertam que, apesar dos problemas poderem surgir em todas as idades, já há um aumento no número de adolescentes e jovens com dores nas costas devido ao uso excessivo do celular.

Menos celular, mais saúde
Para evitar a sobrecarga da coluna por causa do pescoço sempre flexionado ao mexer no celular, a primeira recomendação dos ortopedistas é a de reduzir o número de horas utilizando o aparelho.

 

“É importante fazer o uso do celular com parcimônia, limitar o tempo de uso para não ficar tantas horas com a cabeça abaixada”, afirma Alexandre Fogaça.

 

Mas, para aqueles que dependem dessa tecnologia para trabalhar, por exemplo, e não têm como reduzir o tempo de uso, eles indicam:

 

 

Usar o celular o mais na altura dos olhos possível, evitando flexionar o pescoço e abaixar a cabeça;

 

Sempre que possível, priorizar a utilização do computador, onde é mais fácil manter uma postura ergonômica;

Buscar apoios para que a tela fique na altura dos olhos;
Utilizar os aparelhos em locais em que é possível estar sentado com os pés apoiados no chão, com quadris e joelhos flexionados em 90 graus;

 

Não passar muito tempo na mesma posição, se alongando de tempos em tempos e levantando a cada duas horas.

Os ortopedistas ainda alertam que, em casos de dores mais intensas, é sempre recomendado procurar um especialista.

 

“Se junto com a dor a pessoa sentir formigamento e perda de força, isso pode indicar um problema mais grave e ela deve procurar um ortopedista”, aconselha Robert Meves.


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