Entenda a ideia de restringir celulares nas escolas do Rio; educadores apoiam medida

A Prefeitura do Rio abriu consulta pública sobre a possibilidade de proibição. Atualmente, os alunos podem usar os aparelhos nos intervalos ou em atividades específicas na sala. A ideia é restringir em todo o horário escolar.

Educadores e especialistas apoiam a ideia de proibir o uso de aparelhos de telefone celular por alunos em todos os ambientes das escolas da rede municipal do Rio.
No último dia 11, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro abriu uma consulta pública sobre a proibição total dos aparelhos nas escolas.
Atualmente, os alunos podem usar os telefones nos intervalos ou em sala, para alguma atividade específica. A ideia da pasta é restringir em todo o horário escolar.

De acordo com as regras da pesquisa, pais, alunos, professores e toda cidade podem opinar e dar sugestões até o dia 10 de janeiro pela internet. Se for aprovada, a nova restrição já começa no ano que vem.
De acordo com Cláudia Costin, presidente do Instituto Singularidades, o excesso de exposição à tela é ruim para o desenvolvimento dos jovens.
“Os próprios dados do Pisa liberados recentemente mostram que uma criança que trabalha com telas, crianças e jovens que trabalham com tela para fins não pedagógicos, acabam apresentando um desempenho frágil em matemática, expressivamente inferior em matemática”, comentou Costin.

A especialista apontou ainda o importante papel da escola na introdução dos alunos na sociedade. Segundo Cláudia Costin, o uso constante do celular também atrapalha o desenvolvimento social.
“A escola não é só para aquisição de competências cognitivas, ou habilidades cognitivas. É também para uma introdução a sociedade. Para brincar, para conversar, para ser relacionar com outros jovens.
Perder essa chance, cada um com seu celular, é muito triste e prejudica o desenvolvimento pleno dessas crianças e jovens”, completou Costin.
Em 2023, a Unesco publicou um relatório que apontou que a tecnologia pode ter um impacto negativo para o ensino, se houver uso excessivo ou inadequado.

A diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, acredita no uso controlado do telefone.
“Nós defendemos sim que haja princípios claros e também regulação para que a gente possa diminuir o tempo que os estudantes passam usando as telas e que a interação humana seja privilegiada”, comentou Noleto.
Atrapalha a concentração
Na opinião de Daniel Becker, pediatra e sanitarista, até mesmo o celular desligado na mochila é um fator de desconcentração que pode atrapalhar a vida dos alunos.
“Celular zero nas escolas é importante por várias razoes. Ele atrapalha demais a concentração da criança dentro da sala de aula. Obviamente isso aí é consenso”, afirmou Becker.
“Mesmo o celular desligado na carteira ou no bolso ele atrapalha a concentração. Os estudos mostram isso. Vai atrapalhar as provas, pode ter cola, pode ter bullying, pode ter filmagens inadequadas.

E no recreio também é importante desligar o celular porque o recreio é um lugar fundamental para crianças. É um espaço público onde ela vai aprender uma série de habilidades. Vai ser feliz, vai brincar, vai negociar, vai conversar, vai se comunicar, vai se conhecer, conhecer os outros, fazer amizades, isso é muito importante”, explicou o especialista.
Estudantes divididos
Alguns alunos da rede de ensino do Rio, como o Lucas Emanuel, já entendem os problemas causados pelo uso constante do celular. Ele concorda que é preciso proibir.
“Isso aqui é um veneno. Quem não sabe usar se infecta com o que passa nesse telefone. Passa muitas coisas que é imprópria seja lá a idade que for”, argumenta o jovem.
“Dentro do refeitório você deve se alimentar e o telefone tem que passar longe, porque a comida esfria, você se distrai muito rápido, pousa mosca, você esquece que tá comendo. Fora do refeitório, no pátio, por exemplo, no corredor aqui para conversa, não se deve usar o telefone.
Você se esquece que tem várias pessoas no qual você pode conversar. Você se esquece do ambiente, você esquece das pessoas. Às vezes você sai no recreio e pega o telefone e fala: ‘vou usar só 5 minutos e acaba usando o recreio inteiro'”, explica Lucas.
O estudante de 14 anos, Martin Cony, entende que o uso dentro de sala é prejudicial. Contudo, ele argumenta que a hora do recreio deve ser livre para os alunos.

“Eu acho que em sala de aula tá certo (proibir), porque na sala de aula atrapalha realmente. Só que no recreio e intervalos não precisa, porque o recreio ou intervalo é o momento do aluno fazer o que ele quer, obviamente, nas regras da escola”, ponderou Cony.
