Lula critica independência do Banco Central: ‘Bobagem’


Defensores do BC independente dizem que medida blinda instituição de pressões político-partidárias. Em entrevista a Natuza Nery, petista também afirmou que atual meta da inflação atrapalha crescimento.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (18) que a independência do Banco Central é “bobagem” e que a atual meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), atrapalha o crescimento da economia.

 

Lula deu as declarações durante entrevista à jornalista Natuza Nery, da GloboNews.

 

“Nesse país se brigou muito para ter um Banco Central independente, achando que ia melhorar o quê? Eu posso te dizer com a minha experiência, é uma bobagem achar que o presidente do Banco Central independente vai fazer mais do que fez o Banco Central quando o presidente era que indicava”, afirmou o presidente.

A autonomia do Banco Central foi sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, após aprovação pelo Congresso Nacional.

Dentre as mudanças, os mandatos do presidente e dos diretores do Banco Central passaram a ser de quatro anos, não coincidentes com os quatro anos de mandato do presidente da República.

 

A ideia da lei é que, não podendo a diretoria da instituição ser demitida por eventualmente subir a taxa de juros, a atuação seja técnica, blindada de pressões político-partidárias, focada no combate à inflação.

 

Cabe ao BC, por exemplo, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), definir a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia.

 

“Eu duvido que esse presidente do Banco Central [Roberto Campos Neto] seja mais independente do que foi o [Henrique] Meirelles]. Duvido. Por que com um banco independente, a inflação está do jeito que está?”, questionou o presidente.

 

Roberto Campos Neto é o atual presidente do BC e permanecerá à frente da instituição pelo menos até dezembro de 2024.

 

Henrique Meirelles esteve no cargo entre 2003 e 2010, período em que não havia autonomia do Banco Central.

 

Meta de inflação
Durante a entrevista, Lula também criticou a atual meta de inflação. Segundo avaliação do presidente, o estabelecimento de uma meta em um patamar mais baixo impede o crescimento da economia.

 

“Você estabelecer uma meta de inflação de 3,7%, quando você faz isso, você é obrigado a arrochar mais a economia para poder atingir aqueles 3,7%. […] O que nós precisamos nesse instante é o seguinte: a economia brasileira precisa voltar a crescer”, defendeu Lula.

 

Em 2023, a meta central de inflação é de 3,25% e será oficialmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

 

Isso porque existe uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

 

Nos últimos dois anos, a inflação registrada no país estourou o teto da meta, obrigando o presidente do BC, Roberto Campos Neto, a publicar uma carta aberta com as justificativas.

 

Para definir o nível dos juros, o Banco Central se baseia no sistema de metas de inflação. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o Banco Central pode reduzir o juro básico da economia.

 

A meta é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Cabe ao conselho definir as diretrizes da política monetária e de crédito do país.

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