O que se sabe e o que falta saber sobre a aluna da USP acusada de desviar quase R$ 1 milhão de formatura


Alicia Dudy Muller, de 25 anos, está sendo investigada por apropriação indébita. No ano passado, ela também teria apostado R$ 461 mil em uma casa lotérica na Zona Sul de São Paulo e dado o prejuízo de R$ 192,9 mil aos proprietários.

 

A estudante de medicina da Universidade de São Paulo (USP) Alicia Dudy Muller Veiga, de 25 anos, é investigada pela Polícia Civil por ser suspeita de ter desviado aproximadamente R$ 927 mil do fundo de formatura da turma. A aluna era a presidente da comissão.

 

1. Quando foi feita a denúncia?
A denúncia contra a estudante foi registrada em 10 de janeiro deste ano por um aluno.

 

Isso aconteceu depois que a Associação de Formatura da 106ª Turma do curso de Medicina da USP constatou, em 6 de janeiro, que a então presidente da comissão retirou, sem o conhecimento nem o consentimento de qualquer outro membro, todo o valor acumulado pelos estudantes.

 

O total retirado pela aluna é de cerca de R$ 927 mil, segundo a denúncia.

O dinheiro havia sido arrecadado durante quatro anos e foi transferido para a conta pessoal da aluna. Ele estava sob custódia da empresa ÁS Formaturas.

 

2. Quem é a aluna suspeita?
A aluna suspeita se chama Alicia Dudy Muller Veiga, de 25 anos. Ela ingressou na faculdade em 2018.

 

Em matéria publicada no portal da Faculdade de Medicina da USP à época, ela relatou que pretendia se especializar na área cirúrgica.

 

3. O que a estudante alegou para a comissão?
A comissão diz que a suspeita afirmou, por meio de mensagens no WhatsApp, que transferiu a quantia para uma conta pessoal e que alegou ter aplicado R$ 800 mil em uma corretora de investimentos chamada Sentinel Bank, que a teria enganado e ficado com o dinheiro.

 

A estudante ainda teria falado para a comissão que a quantia restante teria sido utilizada para pagar advogados na tentativa de recuperar o valor.

 

4. Como o caso está sendo investigado?
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a jovem está sendo investigada por apropriação indébita.

 

5. A estudante prestou depoimento à polícia?
Segundo a SSP, a investigação está em andamento no 16º Distrito Policial (Vila Clementino), que instaurou inquérito para apurar crime de apropriação indébita. Os envolvidos foram intimados para prestar, informa a pasta, e esclarecimentos e outras diligências são realizadas para auxiliar na responsabilização da autoria.

 

6. A estudante pode ser presa?
A aluna pode ser presa mediante pedido de prisão feito pela polícia à Justiça. Questionada sobre um eventual pedido, a SSP informou que a “investigação está em andamento no 16º Distrito Policial (Vila Clementino), que instaurou inquérito”.

 

7. O que diz a Faculdade de Medicina da USP?
A diretoria da Faculdade de Medicina diz que foi informada pela comissão de formatura sobre o caso e que os fatos estão sendo apurados para identificar os responsáveis pela fraude.

 

8. O que diz a empresa ÁS Formaturas?
A empresa afirmou que a responsabilidade da ÁS no contrato limitava-se a arrecadar os valores dos formandos e transferi-los para a turma, além da realização da cobertura fotográfica.

 

“Todas as transferências foram realizadas rigorosamente conforme estabelecido nas cláusulas contratuais”, afirmou, em nota.

 

“Estamos à disposição das autoridades para o fornecimento de contratos, documentos, e-mails e demais informações. Finalmente, gostaríamos de informar que mesmo estando isento de responsabilidades legais, estamos em contato com a comissão de formatura para buscar algum tipo de solução que viabilize a realização do evento planejado”, ressaltou.

 

9. O que diz a empresa Sentinel Bank?

A Sentinel Bank foi procurada pelo g1, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

 

10. A estudante já foi investigada por outro caso?
Alicia também é investigada por estelionato e lavagem de dinheiro. Ela teria realizado grandes apostas em uma casa lotérica na Zona Sul de São Paulo e dado o prejuízo de R$ 192,9 mil aos proprietários.

 

Em julho de 2022, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar os fatos. Segundo um depoimento presente no documento, de autoria de um representante da lotérica, ela fez quase R$ 20 mil em apostas na Lotofácil, todas pagas via PIX, em abril de 2022.

 

Depois disso, passou a fazer várias apostas em grandes valores. No total, ela teria apostado R$ 461 mil.

 

Em julho de 2022, a estudante teria solicitado R$ 891,5 mil em apostas. A gerente da lotérica questionou o pagamento, e a suspeita disse que foi realizado um agendamento da transferência.

 

A estudante, então, teria realizado uma transferência de R$ 891,53 na tentativa de fazer com que os funcionários da lotérica pensassem que seria o valor total de R$ 891,5 mil. Após breve discussão, a suspeita saiu da lotérica sem pagar cinco apostas de R$ 38,7 mil cada, totalizando R$ 193,8 mil.

 

 

 


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