Quem é Wanderson Coutinho, que foi manobrista, enriqueceu e passou a ser investigado pela PF por fraudes contra a Receita Federal
De acordo com as investigações da operação Crédito Podre, Wanderson captava clientes devedores do Fisco e oferecia créditos tributários irregularmente. Em 2018, ele disse em entrevista ser sócio de restaurantes nos Estados Unidos e um patrimônio de R$ 30 milhões.
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (15), na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, o empresário Wanderson Moraes Coutinho, de 45 anos, responsável pelo Grupo WMC, que reúne oito empresas.
De acordo com as investigações, Wanderson é suspeito de captar clientes devedores do Fisco oferecendo um serviço de compensação de tributos administrativos. Entre os seus clientes há empresas de transportes, saúde, postos de gasolina, farmácias e até do ramo artístico.
As fraudes efetivadas chegaram a R$ 2 milhões, ainda segundo a PF. As investigações apontaram que a quadrilha pretendia compensar cerca de R$ 100 milhões em tributos federais.
Mas nem sempre Wanderson Coutinho esteve ligado a políticos e empresários como hoje. Segundo ele admitiu em 2018, numa entrevista, teve uma infância pobre.
Bem diferente do que disse, na mesma ocasião, que possuía um patrimônio da ordem de R$ 30 milhões e que suas empresas apresentavam um faturamento anual de R$ 25 milhões. No pulso, um relógio avaliado em R$ 4 mil.
Antes disso, esse niteroiense, vendeu sanduíche natural, foi motorista de van e manobrista até se tornar office boy de um grupo empresarial no Centro do Rio. Aliava estudos e o trabalho.
Com o tempo, Wanderson conquistou a confiança do antigo dono a quem socorreu em meio a um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
Com formação em contabilidade, logo passou a chefiar o grupo que passou a ter as iniciais de seu nome: WMC.
O grupo de empresas passou a oferecer consultoria tributária utilizando escritórios para intermediar a venda dos créditos, que é irregular. Wanderson, segundo os investigadores, criou companhias com nomes de funcionários ou ex-funcionários e oferecia esses créditos obtidos de outras instituições que já tinham encerrado suas atividades.
Isso podia garantir um abatimento nas dívidas de empresas com a Receita Federal. Os créditos eram oferecidos por 40% dos débitos compensados.
Essa movimentação suspeita chamou a atenção, em 2014, da Receita no RJ e em Blumenau (Santa Catarina). Em 2017, foi feito um novo levantamento da Receita que apontava que os negócios causavam prejuízos à União. Pouco tempo depois, a Inteligência da Polícia Federal pediu à Receita um levantamento sobre as atividades de Wanderson e a negociação com quatro clínicas de saúde na cidade do Rio.
O site oficial do grupo informa que o WMC realiza trabalhos no Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha e China.
Além de venda irregular de créditos, segundo a PF, o grupo de Wanderson oferecia apoio jurídico e mediação de eventuais recursos administrativos.
Em sua casa, nesta quinta-feira, policiais federais e auditores da Receita Federal encontraram duas pistolas, um fuzil, carregadores, munições e dinheiro.
Wanderson Coutinho passou a noite na unidade de Benfica, na Zona Norte do Rio, porta de entrada para o sistema penitenciário do Rio. Nesta sexta-feira (16) passará por audiência de custódia.
A reportagem fez contatos com Wanderson e aguarda um posicionamento de sua defesa.

