Auxílio Brasil: uma em cada seis famílias beneficiárias solicitou empréstimo consignado


Valor médio do empréstimo concedido corresponde a mais de quatro meses do benefício. Especialistas alertam para risco de endividamento ainda maior de população vulnerável.

 

O Ministério da Cidadania informou que, até 1º de novembro, uma em cada seis famílias beneficiárias do Auxílio Brasil solicitou o empréstimo consignado – com desconto direto na fonte – disponibilizado pelo governo federal no início de outubro.

 

Em seguida vêm Rio Grande do Sul (21,56%), Sergipe (19,1%), Paraná (18,64%) e Paraíba (18,38%).

 

No outro extremo – entre os estados que registraram menores índices – está Roraima (10,9%), seguida por Rondônia (13,5%), Maranhão (13,62%) e Mato Grosso (13,79%).

 

Valor médio do consignado
Em termos de valor do crédito obtido, o empréstimo médio no país foi de R$ 2.718,24, ou seja, cerca de quatro vezes mais que o valor mensal do benefício, que atualmente é de R$ 600.

 

O estado com maior valor médio do empréstimo consignado foi Amazonas (R$ 2.891,49). A unidade com menor valor médio foi Goiás (R$ 2.628,30).

 

Ao todo, até 1º de novembro, foram emprestados R$ 9,47 bilhões, com São Paulo e Bahia superando a marca de R$ 1 bilhão.

 

Segundo o Ministério da Cidadania, R$ 7,64 bilhões (80% do total) foram feitos via Caixa Econômica.

 

Alerta de especialistas
No empréstimo consignado, o desconto é direto na fonte. Em razão de as parcelas serem descontadas na folha de pagamentos, os bancos têm a garantia de que as prestações serão pagas em dia.

 

O empréstimo consignado é criticado por especialistas, que apontam para o risco de endividamento ainda maior da população mais vulnerável.

 

Os especialistas alegam que a medida pode ser danosa à população, porque os recursos do programa de transferência de renda costumam ser utilizados para gastos básicos de sobrevivência.

 

Com o empréstimo, no entanto, o cidadão pode ter até 40% do benefício descontado antes do pagamento.

 

Fazer um empréstimo consignado ligado ao Auxílio Brasil pode valer a pena para quem tem alguma necessidade urgente e inadiável – mas não para pagar as contas do dia a dia, ou para fazer compras desnecessárias.

 

Isso porque o crédito pode comprometer a renda disponível do beneficiário por um longo prazo. Assim, pode faltar dinheiro por vários meses para fazer gastos essenciais, como alimentação.


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