PRF diz que rodovias do RJ foram liberadas ‘de forma espontânea’ e fala em detidos por desobediência
A Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Rio de Janeiro, respondeu ao Ministério Público Federal o ofício de pedidos de informações sobre os bloqueios das rodovias federais no estado. No balanço, a PRF fala que na maioria dos casos negociou com os manifestantes e a liberação das pistas aconteceu de “forma espontânea”. Apenas duas pessoas foram detidas.
No Rio de Janeiro, não há pontos de bloqueio nas estradas, nesta quarta-feira (2), segundo o boletim divulgado às 17h30. Os últimos atos foram desfeitos na noite de terça (1º).
No documento, assinado pelo superintendente da PRF no RJ, Alexandre Carlos de Souza e Silva, a instituição informa que realizou 61 autos de infração até segunda (31) e que irá atualizar todas as anotações feitas até o desbloqueio das vias.
Duas pessoas foram detidas por desobediência e resistência, segundo a PRF, no RJ. Os dois homens estavam na Rodovia BR-116 (Presidente Dutra), altura do posto Flumidiesel, em Barra Mansa, no Sul Fluminense.
Segundo a PRF, na maioria das abordagens foi feita a negociação “havendo naquele momento liberação da via de forma espontânea”. A PRF relata que houve “utilização de recursos especializados”, como no caso da tarde desta terça-feira, em Barra Mansa.
Na ocasião, a instituição usou a Força de Choque para dispersar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo e desobstruir a BR-116 nos dois sentidos.
Nenhum dano à integridade física dos usuários das rodovias ou às vias foram constatados, de acordo com o documento.
A PRF também afirmou que teve o apoio da Polícia Militar na operação.
Procedimentos Disciplinares
Segundo o superintendente da PRF, no Rio, a instituição não abriu qualquer procedimento disciplinar contra policiais por não atuarem no desbloqueio da via.
Alexandre de Souza e Silva destacou ao procurador Eduardo Benones que foi feito um trabalho de inteligência que ajudou no monitoramento e nas ações dos manifestantes.
Desde segunda-feira (31), pelo menos 15 mil pessoas não conseguiram viajar de ônibus por causa dos bloqueios ilegais de bolsonaristas nas estradas fluminenses. A estimativa é das viações que operam na Rodoviária Novo Rio — foram 5 mil na segunda e 10 mil nesta terça-feira (1º).
Uma das pessoas impedidas de viajar foi Renata Cristina, moradora de Guapimirim, na Baixada Fluminense. Ela deveria comparecer nesta terça-feira a uma agência do INSS em Teresópolis, na Região Serrana, para uma perícia, a fim de receber benefício por doença.
Na Rodoviária Novo Rio, ao longo da madrugada as empresas voltaram a vender passagens, mas muitos passageiros ainda não sabiam quanto tempo mais teriam de esperar — alguns dormiam de qualquer jeito nos bancos.
