Após 9 anos fechado, Museu do Ipiranga reabre com braille nas salas, libras nas telas multimídia e elevadores com acessibilidade
Espaço passou por obras de restauração que custaram mais de R$ 200 milhões. Reabertura será dia 8 de setembro para público.
A história do Brasil imersa na tecnologia multimídia e na acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva ou visual. É essa a experiência que o Museu do Ipiranga, em São Paulo, vai proporcionar aos visitantes depois de quase 10 anos fechado.
O g1 fez um tour no espaço nesta quinta-feira (1) após o museu passar pela maior obra pública da área da cultura nos últimos três anos com restauro, modernização e ampliação do prédio histórico.
FOTOS: veja o Museu do Ipiranga por dentro
O valor da obra foi de R$ 235 milhões custeados pela Lei de Incentivo à Cultura, por investimentos privados sem incentivo fiscal e também aportes públicos.
No dia 7 de setembro haverá uma inauguração simbólica para os mais de 300 funcionários responsáveis pelas obras, parentes deles e estudantes. Já no dia 8 de setembro será aberto ao público.
A entrada é gratuita, mas é preciso adquirir o ingresso pelo site.
Modernização
Ao entrar no museu, é possível observar a interatividade em todas as salas. Foram colocadas telas com explicações históricas e também objetos que o público poderá tocar.
Em todos os objetos há braille e há intérpretes de libras nos vídeos exibidos nas telas. Segundo Solange Ferreira, professora e curadora da USP, as primeiras obras táteis foram implantadas no museu em 2007. Mas agora, a imersão é o grande diferencial.
Uma preocupação do museu nos últimos 30 anos, destaca Solange, foi de expor não só objetos da elite, mas dos trabalhadores – mostrado já nas duas primeiras salas, que explicam a história do museu.
No salão nobre onde tem a grande pintura “Independência ou Morte” de Pedro Américo o grande diferencial é uma tela interativa que faz a explicação de como a obra foi feita e inspirada em outra da Europa, explicando que não foi uma cópia.
O vídeo tem um tempo regressivo para que o visitante olhe a obra e depois veja as inspirações feitas.
Ao g1, o curador no museu Paulo Garcez Marins disse que a partir do momento que a tecnologia amplia o aprendizado, é ótimo para estudantes e visitantes. “Permite que tenhamos a explicação logo”.
Exposições
São mais de 3 mil objetos do acervo que passaram por restauração. Entre eles, estão 122 pinturas e duas maquetes de grande porte, uma do museu e outra da cidade de São Paulo.
No total, o acervo do Museu do Ipiranga tem 450 mil itens e documentos.
Obras
A obra foi executada em duas grandes frentes: restauro do Edifício-Monumento e construção de um edifício ampliação.
No restauro do Edifício-Monumento, foram realizados reparos em todos os detalhes da refinada arquitetura, incluindo os 7.600m² das fachadas, que pela primeira vez passaram por limpeza, decapagem, recuperação dos ornamentos, aplicação de argamassa, tratamento de trincas e, por fim, a pintura.
Para pintar, foi utilizada uma tinta mineral (desenvolvida especialmente para o Museu) que permite a troca de umidade entre prédio de cal e o ambiente.
Um estudo estratigráfico, ramo da geologia que estuda as camadas de rochas, e o processo de decapagem também tornaram possível recuperar a cor original da construção do século 19. Tetos e paredes do interior receberam tratamento similar.
Na parte da ampliação, foi realizada uma escavação em frente ao prédio, na área da esplanada, que retirou 35 mil metros cúbicos de terra, o que equivale à capacidade de 2 mil caminhões. Com o novo espaço, de 6.800m², o Museu dobrou de tamanho.
A expansão abriga uma nova entrada integrada ao Jardim Francês, além de bilheteria, café, loja, auditório para 200 pessoas, espaços e salas para atendimento educativo e uma grande sala de exposições temporárias.
Pela primeira vez na história do Museu, a instituição estará apta a receber acervos de outras instituições, inclusive internacionais, graças à instalação de ar-condicionado.


