Guerra de Putin une a Europa; até a neutra Suíça adere às sanções
A guerra de Putin na Ucrânia resultou em um feito considerado inviável até para os mais céticos: a união do continente europeu, sobretudo os que integram a UE, tradicionalmente engessados em divergências internas ou entraves burocráticos.
Líderes venceram resistências e foram ágeis para determinar medidas drásticas contra a Rússia depois que ficaram claras as intenções do presidente russo de derrubar o governo de Volodymyr Zelensky.
Até a Suíça quebrou uma tradição de neutralidade de dois séculos e acabou aderindo (veja mais abaixo).
O ineditismo também acompanhou a enxurrada de punições deflagradas no fim de semana para isolar o presidente russo. No intervalo de poucas horas, os europeus barraram alguns bancos suíços do sistema de pagamentos interbancários Swift e fecharam o espaço aéreo para aviões russos.
Quem acompanha o dia-a-dia de Bruxelas sabe como é moroso e desgastante o processo de tomada de decisões, muito em função de divisões internas dos membros do bloco europeu.
Uma chamada de vídeo de Zelensky, durante a reunião de líderes da UE, na quinta-feira passada, serviu para que os mais céticos mudassem de ideia. O presidente ucraniano fez um forte e emocionado apelo para que ampliassem sanções e medidas de dissuasão contra a Rússia. Despediu-se, dizendo que talvez fosse aquela a última vez que eles o veriam vivo.
“A invasão russa da Ucrânia marca um ponto de virada e ameaça toda a nossa ordem pós-guerra. É nosso dever fazer o máximo para apoiar a Ucrânia contra o exército invasor de Vladimir Putin”, justificou o chanceler Olaf Scholz.
Isso significa transferir de seu próprio estoque, o quanto antes, para Kiev mil armas antitanque e 500 de sistemas de defesa antiaérea Stinger. Na última semana, Scholz cedeu em outras medidas para punir Putin: suspendeu o licenciamento do gasoduto Nord Stream 2, que liga Alemanha a Rússia, e, finalmente, autorizou o corte dos principais bancos russos da rede Swift, sabendo que seu país também sofrerá o impacto econômico dessas sanções.

