Sob o doce da cana, muito suor amargo: pai e filho contam os desafios do setor canavieiro e a luta pelo sustento no campo


Necessidade essa que uniu ainda mais pai e filho. Primeiro foi José Batista de Azevedo, de 41 anos, que deixou a Bahia em busca de trabalho. Passou por Goiás, onde atuou no corte de cana-de-açúcar por seis anos, e depois seguiu para Martinópolis (SP), cidade onde continua exercendo o trabalho há dois anos, na região oeste do Estado de São Paulo.

 

Cássio Amorim de Azevedo, de 19 anos, veio depois e seguiu os passos do pai. Há 11 meses ele trabalha no ramo canavieiro, também em Martinópolis.

 

Rotina
Ao g1, pai e filho contaram como é a rotina de trabalho.

 

Eles saem de suas casas às 6h e dão início ao trabalho às 7h. Os dois trabalham em uma usina de açúcar e álcool do município. Eles vão até lá de ônibus. O transporte não tem custo.

 

Os dias de serviço nem sempre são os mesmos, variam de acordo com a necessidade do setor.

 

José Batista explicou ao g1 que, além do corte, também trabalham com o plantio e com a capinagem nos canaviais.

 

 

Cássio falou ao g1 que, no corte da cana, o pagamento é feito de acordo com a produção. Esses trabalhadores não recebem um salário referente à quantidade de horas de trabalho no canavial, mas à quantidade de cana cortada. Já nos períodos de plantio e de capinagem, eles recebem pelo dia trabalhado.

 

Os salários também variam de acordo com o trabalho. Quando os trabalhadores recebem de acordo com o que produzem, têm em em média uma renda mensal de R$ 2,5 mil. Quando ganham por diária, o valor é menor e gira em torno de R$ 1,5 mil por mês.

 

Durante o trabalho, cada um deles chega a cortar 2.500 metros lineares de cana-de-açúcar por dia.

 

Alternativa
Pai e filho encontraram no setor canavieiro uma alternativa de fonte de renda.

 

Apesar de o trabalho não ser exatamente aquele com o qual eles sonharam, ter a companhia um do outro ajuda na rotina exaustiva.

 

José Batista ainda relembrou ao g1 seu grande sonho como profissional, que era se tornar um jogador de futebol.

 

Apesar dos sonhos interrompidos e da cansativa rotina de trabalho, pai e filho continuam lutando diariamente para viver, ou melhor, sobreviver com o trabalho que exercem.

Aumento expressivo
O esforço diário é a realidade de mais de 300 mil brasileiros. A informação é da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais.

A Contar informou ao g1 que o número foi obtido por meio do levantamento mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em dezembro de 2020, conforme a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o Brasil contabilizava 105.128 trabalhadores no setor canavieiro. Já o Estado de São Paulo era composto por 54.432 desses profissionais. Na região de Presidente Prudente (SP), que fica no Oeste Paulista, o número de trabalhadores era de 2.128.

No primeiro trimestre de 2021, conforme levantamento da PNAD, foram contabilizados 316 mil trabalhadores no setor canavieiro no Brasil e 82 mil no Estado de São Paulo. Esses números são referentes a trabalhadores formais e informais.

De acordo com a Contar, o trabalho na cana é dividido por safras e no Centro-Sul, geralmente, a safra ocorre no primeiro semestre, enquanto no Nordeste é no segundo semestre.
A comida do almoço é levada de casa e lá não tem onde esquentar a marmita.

Print Friendly, PDF & Email

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

MENU