Palácio Capanema, no Rio, pode entrar em lista de imóveis que serão vendidos pelo governo federal


Construção é um marco da arquitetura moderna e foi sede dos ministérios da Educação e da Saúde Pública. Projeto tem assinatura dos mais importantes arquitetos brasileiros de todos os tempos.

 

 

O Palácio Capanema, no Centro do Rio, foi listado como um dos dois mil imóveis que podem ser colocados em um feirão do Governo Federal. O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

 

 

O palácio é um marco da arquitetura moderna e foi sede de dois ministérios, quando o Rio era capital federal: o da Educação e da Saúde Pública.

 

 

O palácio, cujo prédio tem 16 andares, é considerado símbolo do modernismo. A fachada é revestida com azulejos de Cândido Portinari e tem jardim de Burle Marx.

 

O projeto tem as assinaturas dos mais importantes arquitetos brasileiros de todos os tempos. Entre eles, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira, Afonso Eduardo Reidy e Ernani Vasconcelos.

 

O palácio conta ainda com a consultoria de Le Corbusier, mestre francês da arquitetura moderna.

 

 

Em 1943, o Palácio Capanema foi escolhido o edifício mais avançado do mundo, em construção, pelo Museu de Arte Moderna de Nova York.

O lançamento da pedra fundamental homenageou o então ministro da Educação, Gustavo Capanema.

 

O anúncio da privatização que inclui ainda os prédios Central e A Noite teve reações imediatas. Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura criticou.

 

 

“Nós não estamos falando de um lugar abandonado, ao contrário. Mais do que isso, estamos falando de um verdadeiro marco civilizatório na História do nosso país. É impensável que o Brasil deixe de contar com um patrimônio dessa natureza. Apenas um governo totalmente dissociado da nossa cultura, um governo que não tem o menor compromisso patriótico pensaria, de fato, em se desfazer de um prédio tão icônico como o Palácio Capanema”, afirma.

 

 

Em nota conjunta, 10 instituições ligadas à cultura e à arquitetura afirmam que receberam com assombro a notícia da venda de um marco da arquitetura moderna em um feirão de imóveis.

 

 

Para as entidades, o MEC tem um valor incalculável. Pablo Benetti, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, diz que a venda seria ilegal porque o prédio é tombado pelo patrimônio histórico e artístico nacional.

 

 

“Um prédio tombado não pode ser vendido (…) só pode ser repassado para outro ente estadual e federal. Então, é uma venda ilegal”, afirma.


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