Morre o promotor e professor de Direito Marcelo Lessa
Morreu no início da tarde deste sábado (14), aos 51 anos, o promotor de Justiça e professor de Direito Marcelo Lessa. Ele estava internado no Hospital Dr. Beda desde o último dia 5, em estado grave, e acabou não resistindo após complicações em razão de um choque séptico.
Logo nos primeiros dias de internação foi descartada a suspeita de Covid-19, e no sábado passado (7) o paciente passou por uma cirurgia de urgência para corrigir uma falha na válvula mitral, que estava jogando líquido para pulmão e causando uma embolia. Marcelo era articulista da Folha da Manhã há anos. Ele deixa dois filhos (Gabriel, ainda criança, e a adolescente Maria Fernanda), e a esposa, Viviane. Ainda não há confirmações sobre horários de sepultamento e velório. Este acontecerá na sede do Ministério Público de Campos. Ainda serão divulgados os protocolos, e está sendo avaliada a possibilidade de haver transmissão on-line, a fim de evitar aglomeração. A Prefeitura do município decretará luto de três dias.
Na noite do dia 4 de agosto, o promotor e professor de Direito começou a passar mal durante uma aula on-line, que insistiu em concluir. Ainda em casa, sua esposa, Viviane, fez a medição com oxímetro da saturação de oxigênio em seu sangue, que apontou 72%, enquanto internação para receber suporte de oxigenação é recomendada com 95%. Viviane, então, o levou para o Hospital Dr. Beda, onde deu entrada por volta da 0h do dia 5. Após uma tomografia constatar comprometimento dos seus pulmões entre 85% e 90%, passou à UTI Covid por volta das 3h e, às 4h, chegou a ter uma parada cardíaca, que foi revertida pela equipe médica.
No dia 6, entretanto, após quatro testes PCR negativos, foi descartado o diagnóstico de Covid-19, e Marcelo foi transferido para a UTI geral, como noticiou o blog Opiniões. Segundo informou ao blog a esposa do promotor, o mais provável é que ele tivesse uma doença pulmonar de base. Ainda sem diagnóstico fechado, houve suspeita de tromboembolia pulmonar. Lessa sofria também de arritmia cardíaca, doença que mantinha controlada. Ele tinha tomado a primeira dose da vacina contra a Covid-19 e tomaria a segunda nesta semana.
Segundo boletins médicos, Marcelo Lessa esteve internado dependendo de drogas vasopressoras e cardiotônicas, ventilação mecânica e Oxigenação por Membrana Extracorpórea (Ecmo), com vazões e parâmetros ajustados conforme resultados de exames realizados. Ele também passou por hemodiálise diária, com sedação mantida, e fez uso de antimicrobianos, sem apresentar febre ou sinais atuais de infecção ativa. Ainda de acordo com boletins, tentativas foram implementadas para recuperar a ventilação pulmonar, bastante comprometida desde o início do quadro.
Depoimentos
— Perdemos o professor e promotor de justiça Marcelo Lessa. Homem honrado e correto em sua trajetória. Que Deus, em sua infinita misericórdia, conforte o coração da família, dos seus filhos e da esposa, a minha amiga Viviane Lessa. Prefeitura irá decretar luto oficial de 3 dias — publicou nas redes sociais o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho.
— Recebemos com muita tristeza a notícia do falecimento do promotor Marcelo Lessa Bastos. O competente colega, dono de uma sólida formação jurídica, sempre teve uma atuação muito destacada nos quadros do Ministério Público, exercendo com muita dedicação e zelo suas atribuições. Tive a oportunidade de com ele trabalhar em Campos, podendo testemunhar seu empenho na defesa do interesse público. É uma grande perda para o Ministério Público — disse o procurador campista Cláudio Henrique da Cruz Viana, presidente Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj).
— Doutor Marcelo Lessa era uma das referências do Direito em nossa cidade. Uma figura carismática, com uma enorme cultura jurídica e que inspirou muitos estudantes que hoje se destacam na carreira jurídica. Uma perda irreparável. Que Deus o receba e conforte toda a família — declarou o procurador geral de Campos, Roberto Landes.
— Lamento profundamente o falecimento do Dr. Marcelo. Durante o período que estive como procurador geral do município, tive a oportunidade de conhecê-lo melhor. Sem deixar de fiscalizar, foi um promotor sempre disposto a auxiliar o município na resolução dos seus problemas. Por iniciativa dele, conseguimos celebrar o acordo que possibilitou concluir a reforma do Palácio da Cultura. Também foi decisivo no combate à Covid-19. Uma perda inestimável para a nossa cidade. Meus sentimentos à família — falou o ex-procurador geral de Campos José Paes Neto.
— Campos perde um grande promotor de Justiça, que elevou o nome do Ministério Público do Estado do Rio na comarca. De grande conhecimento jurídico, legalista, cidadão, altruísta, por vezes polêmico e sempre muito, muito corajoso. Carioca que encarnou como poucos campistas a bravura da nossa ancestralidade goitacá.
Perco também um amigo estimado e leal, a quem muito admirava, no convívio de décadas entre repórter e fonte que extrapolou a relação profissional. Em meu nome, no de minha família e do Grupo Folha, nossa solidariedade irrestrita a Viviane, Maria Fernanda e Gabriel. Que Deus possa confortá-los. E que, sem padecer de vertigem, saibamos ser todos dignos do seu exemplo de defesa intransigente do coletivo. Vá em paz, Marcelo — enfatizou o diretor de redação do Grupo Folha, Aluysio Abreu Barbosa.
— Marcelo será sempre exemplo de destemor e intensidade na vida. Pude com ele aprender muito. Exemplo grandioso para os filhos (os quais podem e devem dele se orgulhar), esposa, amigos, colegas de trabalho. Tudo o que for dito será pouco diante da eterna enormidade do Marcelo. Muito tristeza — lamentou o promotor Victor Queiroz.
— Campos perde um importante defensor da sociedade. Sempre combativo e incansável na busca de seus ideais. É uma perda para todos. A justiça está de luto — afirmou o juiz Ralph Manhães.
— Doutor Marcelo Lessa era um pai presente e estava sempre feliz com a sua linda família. Estudioso do Direto, brilhante professor e corajoso promotor de Justiça. Sempre foi um prazer trabalhar e estar em sua companhia. Que Deus conforte sua família neste momento difícil — declarou o juiz Heitor Campinho.
— Conheci Marcelo Lessa por intermédio da minha esposa, Olivia, e convivi intensamente com esse promotor, que tinha uma personalidade tão peculiar e marcante. Tivemos longas, boas e recentes conversas. Parece que o ambiente pausou nessa espera tão árdua pela sua recuperação. Que Deus o receba e conforte o coração de seus familiares — falou o juiz de Italva e Cardoso Moreira, Rodrigo Rebouças.
— Ainda incrédula e com a emoção contida, tento processar os sentimentos atordoados no coração ainda estarrecido pela notícia da sua partida. Encontro nas memórias motivos para esboçar um sorriso, um adeus em pensamento, agora já entrecortado por um desejo de paz no novo plano. Mesmo com olhar ainda embaçado volto-me, então, para as obras; foram tantas construídas na luta pela fiel aplicação da lei. A herança do dever bem cumprido preenche, então, o vazio da ausência, e a justiça buscada, alcançada e praticada em cada ato eterniza a sua presença nas muitas vidas tocadas. Me lembro, finalmente, da irreverência brilhante que o tornava absolutamente único e concluo que jamais partirá de nossos corações. Troco, então, a despedida, bem ao estilo dele: te encontro no próximo amplexo, amigo — declarou a promotora Anik Machado.
— Conheço Marcelo Lessa há quase vinte anos, antes mesmo de ser sua aluna no último ano da Faculdade de Direito. Após, Marcelo foi meu examinador de concurso para o MPRJ (Banca de Direito Penal); supervisor de estágio confirmatório do XXX Concurso (2008), e, há dois anos, dividimos atribuição nas Promotorias de Tutela Coletiva. Dono de personalidade forte, acabamos por protagonizar, publicamente, embates jurídicos dos quais sentirei falta. Não menos falta sentirei dos seus conselhos e da sua saga quase obsessiva pelo Direito. A bandeira do Ministério Público, hoje, amanhece descolorida e a meio mastro. O timbre não será mais o mesmo. Os carimbos e rubricas perderam o seu habitual tom de azul celeste. A vida parece ter pausado à espera do seu retorno. À Viviane, Maria Fernanda e Gabriel, registro o meu testemunho do amor incondicional daquele que, agora, parte rumo à eternidade. Descanse, finalmente, meu caro Marcelo — disse a promotora Olivia Venancio Rebouças.
— Marcelo foi um amigo querido, um parceiro em projetos acadêmicos, um dos melhores professores que tive. Profissional dedicado e técnico, em sua vida particular foi marido e pai como poucos. Vai deixar muita saudade. Vá em paz, amigo — despediu-se o advogado Carlos Alexandre Azevedo Campos.
— Infelizmente, as comunidades jurídica e acadêmica perdem neste dia um grande nome. Um amigo e uma das pessoas mais competentes com quem tive o prazer de trabalhar — comentou o advogado Cristiano Miller.
— Todos nós perdemos muito. Um homem de bem, um promotor ativo e corajoso — destacou o advogado e professor Andral Tavares Filho.
— Hoje, Campos perde um dos seus grandes referenciais, Marcelo Lessa Bastos. Conheci Marcelo Lessa há mais ou menos 15 anos, e durante este período pude testemunhar a sua grande dedicação, seu zelo e destemor no exercício de todas as suas funções, principalmente no magistério e no Ministério Público. Que Deus o receba na sua infinita misericórdia e acalente os corações daqueles que ficam, notadamente sua esposa, Viviane, seus filhos e nós também, seus amigos, ex-alunos, atuais alunos e colegas professores, que sentiremos muito a sua falta. Vá em paz, professor Marcelo — desejou o advogado e professor Rafael Crespo.
— Grande colega! Dignificou como poucos o nosso Ministério Público e nossa gloriosa Faculdade de Direito de Campos. Dia muito triste para toda a nossa comunidade de Campos dos Goytacazes. Um não campista (carioca) mais campista que muitos campistas. Nosso Altíssimo Onipotente está recebendo-o na glória, fazendo descer as consolações do Divino Espírito Santo para conforto da Viviane, Maria Fernanda e Gabriel — disse o procurador de Justiça e professor Levi Quaresma.
— Marcelo é um profissional irreparável e obstinado, um pai e esposo presente e amoroso. Tivemos a honra dele fazer parte do nosso corpo docente. Fará uma grande falta para a nossa comunidade. Nossos sentimentos e orações para Viviane e filhos. Fará enorme falta — afirmou a vice-diretora dos Institutos Superiores de Ensino do Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora (IseCensa), Beth Landim.
— Embora eu não tenha sido seu aluno, Doutor Marcelo Lessa era considerado um excelente professor de processo penal e intelectual. Já foi, inclusive, examinador de concursos do Ministério Público, gozando de prestígio não só dentro da instituição, como também entre promotores, juízes e advogados. Perdeu a comunidade jurídica. Minhas condolências à família e aos amigos — afirmou o advogado e especialista em Direito Público Cléber Tinoco.
— A morte de Marcelo é uma grande perda para a comunidade jurídica, não apenas pelo seu trabalho no Ministério Público, voltado praticamente desde o seu ingresso na instituição para a atuação local, mas em especial pelo trabalho intelectual, desempenhado com excelência, e que não encontra limitações espaciais. Tive o prazer de ser sua colega na docência e vou sentir muita falta da fundamental parceria nos novos projetos acadêmicos e das nossas conversas sempre cordiais. Meus sentimentos à família a quem o colega sempre foi tão devotado — disse a socióloga Sana Gimenes, secretária de Desenvolvimento Humano e Social de Campos.
Perda familiar
No dia 27 de janeiro, Marcelo Lessa perdeu a mãe, Vera Lúcia Lessa de Lima, de 70 anos, por complicações da Covid-19. Ela morreu em um hospital do Rio de Janeiro, onde estava internada havia 40 dias.
Enfrentamento à pandemia
O promotor Marcelo Lessa atuou de forma decisiva no enfrentamento ao negacionismo e à pandemia da Covid-19 em Campos e outros municípios da região. Ele se revoltou pessoalmente com o descaso das pessoas com a pandemia e, em 20 de abril do ano passado, deu uma declaração polêmica à InterTV, quando sugeriu a adoção de critérios médicos que privilegiassem o tratamento dos doentes de Covid que cumpriam as regras de isolamento social, em detrimento de quem as quebrou e questionou. A grande repercussão, até nacional, acabaria lhe tirando da linha de frente do enfrentamento à doença.

