Rebeca Andrade e a tática de esconder o jogo: “Melhor surpreender aqui”


Antes das Olimpíadas, torcida e imprensa se questionavam sobre saltos que Rebeca daria em Tóquio. Ginasta, porém, evitou mostrar: “Usar tudo o que a gente tinha foi uma decisão fácil”

 

Nas redes sociais, a dúvida era constante. Torcida e imprensa se perguntavam quais seriam os saltos que Rebeca Andrade daria em busca de uma medalha em Tóquio. Diante do histórico recente de lesões a caminho das Olimpíadas, questionavam se a ginasta se pouparia por uma exibição mais segura. Ela, porém, em nenhum momento teve dúvidas. Na final, fez os saltos que queria, um Cheng e um Amanar, e garantiu o ouro inédito.

 

Rebeca diz que evitou anunciar os saltos por uma questão de estratégia. Queria impressionar os juízes durante a final. Deu certo.

 

– Eu pensei em usar todas as cartas que eu tinha. Eu saltei uma dupla e meia, que as pessoas achavam que eu não saltaria. Por conta do joelho. Mas eu treinei muito, eu estava preparada. Se eu ficasse pensando isso, eu não faria mais ginástica. Eu estava bem, preparada. Estava pronta para fazer, fui lá e fiz. Com o Cheng, eu estava treinada. Não colocava na internet porque é muito melhor surpreender aqui, com todo mundo vendo, do que eu falar na internet. Acho muito mais gostoso de curtir. Usar tudo o que a gente tinha foi uma decisão muito fácil – disse.

 

Antes dos saltos, Rebeca parecia conversar consigo mesma. Murmurava algumas palavras, concentrada rumo à apresentação. Segundo ela, é uma tática para mentalizar os exercícios e manter a confiança para chegar ao pódio.

 

 

– Eu sempre falo. Quando eu converso comigo, as coisas funcionam melhor. Antes das competições, eu sempre oro, medito, uma das táticas que a minha psicóloga ajuda bastante. Eu sempre falo: “Vamos lá, Re, confia, acredita. Você treinou muito para isso”. E eu peço proteção a Deus. Acho que é o mais importante, para que nada de ruim aconteça, nem para mim, nem para nenhuma das meninas. Normalmente, é isso o que eu falo mesmo. Eu tenho isso dentro de mim. Eu já treinei muito, sei que estou pronta, preparada. Só preciso confiar que vou fazer bem.

 

 

Rebeca tem a chance de fazer ainda mais história nesta segunda-feira. A ginasta de 22 anos vai se apresentar no solo, mais uma vez com o “Baile de Favela”. Depois de um passo em falso fora do solo na apresentação do individual geral, a ginasta tenta não se pressionar na busca por mais um ouro.

 

– Eu busco sempre fazer meu melhor. Eu dei tudo de mim na decisão do individual. Dei tanto que até saí do solo. Eu vou fazer o meu melhor. Se a medalha vier, vou ser grata. Se não vier, também está tudo bem. Isso é o esporte. Vou estar lá para fazer o meu melhor, meu 100%. Espero ficar dentro do solo – por favor, Deus! Mas o resultado é consequência. Quando você está fazendo, você não pode pensar em um milhão de coisas, precisa fazer. Um elemento atrás do outro, um dia após o outro.

 

As primeiras mulheres brasileiras medalhistas olímpicas foram Jaqueline Silva, Sandra Pires, Adriana Samuel e Mônica Rodrigues. Elas fizeram uma dobradinha na estreia do vôlei de praia nos Jogos. Rebeca agora se tornou a primeira mulher do Brasil com duas medalhas numa só edição dos Jogos e ainda pode ir a três pódios. A ginasta disputa a final do solo com o Baile de Favela nesta segunda-feira, às 5h57 (de Brasília).

 

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