Preço da carne pesa no orçamento e consumidor deixa de comprar


O consumo da carne bovina está em queda entre os brasileiros; ameaça real ao “churrasco” do fim de semana ou ao cultuado bife com cebola.

 

O elevado preço da carne e os reflexos econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus são apontados como fatores da retração. Em Campos, na quinta-feira (3), foi possível encontrar consumidor passando “batido” pelo contra filé a R$ 51,49, o quilo, em supermercado de rede local, ou pelo patinho a R$29,90 (kg) no açougue de bairro, no Parque São José, Guarus. Apesar do recuo, no setor produtivo as perspectivas são positivas; com arroba (15kg) do boi a R$ 300,00.

 

Para se ter uma noção, em 2020, a quantidade de carne no prato despencou 10,5%, é o que aponta levantamento do Departamento Técnico Econômico (DTE) da Faep, divulgado no dia último dia 3. Em média, cada brasileiro consumiu 27,3 quilos de carne ao longo do ano passado – o mesmo patamar de 15 anos atrás. Em 2013, no auge do consumo, a média chegou a 33 quilos per capita.

 

Não dá para falar de economia doméstica sem analisar o período inflacionário de 2020, com inflação a 4,52%. Somente a dos alimentos atingiu patamar de 15%. E vários fatores contribuíram para o cenário desfavorável atual.

 

O economista Alcimar Chagas aponta a pandemia, seguido da alta do dólar, que favorece a exportação, como os “vilões”.

Mas não é só. A taxa de desemprego saltou de 11,3% para 14,3%, também no ano passado, e parcela significativa da população perdeu renda. “A queda no consumo só não foi maior em razão do auxílio emergencial, que está sendo negociado para ser mantido”, disse o economista.

 

O governo liberou parcelas de R$ 600, até o final do ano, que beneficiaram 64 milhões de pessoas.
“Estou apavorada com o preço da carne. Veja o patinho custando R$40,99, o quilo. Que loucura! O jeito é comer ovo, frango… Desde de dezembro (de 2020) tenho percebido esse aumento da carne”, constata a doméstica, Carmélia Germano, enquanto decidia o que levar para o almoço dos patrões, no supermercado.
Cuidado – O consumidor também deve estar atento ao que compra. A Vigilância Sanitária Municipal, no último dia 3,

 

apreendeu 80kg de carnes bovina, suína e de aves, em um supermercado na Tapera. Orientação é para não comprar o produto com aparência esverdeada.
Economista sugere pesquisa e substituição
Sem vacina suficiente para a imunização de 70% população e sem um processo de economia plena, o brasileiro deverá continuar a comer menos carne esse ano. Pesquisas também apontam que a China comprou 71% da carne bovina que exportamos, o que está contribuindo para manter preços aquecidos no mercado interno.

 

Sem dinheiro para carne bovina, o economista Alcimar Chagas tem dicas para o consumidor não ficar sem a proteína no prato e, segundo ele, elas são as de sempre:
“Quando se tem uma oferta reduzida, com preços alterados, o consumidor precisa ter ideia dos preços praticados nos estabelecimentos e substituir os produtos. Se não pode comprar a carne bovina, opte pela ave e pela carne suína, que não estão com preços tão impactados.

 

É preciso, da mesma forma, observar bem as opções e ofertas dos grãos, massas e laticínios. Não tem jeito, quando a demanda está maior que a oferta é preciso pesquisar e substituir”, disse.

O consumidor que optar pela troca da carne de boi pelo frango ou porco pode encontrar bons preços. Alguns cortes dessas duas proteínas são encontradas por menos de R$ 15,00, o quilo.


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