Psicólogo explica comportamento de pessoas que deixam de se proteger da Covid, mesmo sabendo dos riscos


Em entrevista ao podcast ‘O Assunto’, o doutor em psicologia Altay de Souza diz que a falta de autocontrole é comum a todos os grupos. Apesar disso, ele afirma que, para os jovens, é mais difícil associar ‘ação com resultado’.

RJ – MOVIMENTAÇÃO / LEME / ZONA SUL / CORONAVÍRUS / PRAIA / PANDEMIA – CIDADES – Movimentação na praia do Leme, Zona Sul do Rio de Janeiro, em meio à pandemia do Coronavírus, neste sábado (25). 25/07/2020 – Foto: RICARDO CASSIANO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

 

O estatístico e doutor em psicologia Altay de Souza afirmou em entrevista ao podcast “O Assunto”, que a dificuldade em manter o autocontrole ajuda a explicar o comportamento de quem coloca a si e ao próximo em perigo participando de aglomerações e até festas clandestinas mesmo diante do avanço do contágio do novo coronavírus em boa parte do país.

 

Souza, que é pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e apresentador do podcast de divulgação científica “Naruhodo”, afirma que o comportamento não aparece unicamente ente os jovens. “Aparece em todas as pessoas”, disse.

 

“Os jovens são menos aptos a pensar no futuro longínquo do que no prazer imediato”, afirmou. “Para eles, é mais difícil associar ação com resultado.”

 

Próximo x distante
Souza explica que autocontrole é a capacidade de esperar para ter um ganho maior no futuro frente a um ganho menor imediato. “É, basicamente, a capacidade de você esperar”, afirma.

 

O doutor em psicologia lembra que a falta de autocontrole ocorre quando a pessoa é muito mais motivada pelo ganho próximo do que por um ganho distante. No caso dos jovens, ele aponta que para muitos deles a “proximidade” está nos stories dos amigos nas baladas, em contraponto à distância dos relatos dos casos ou das notícias de pessoas que adoecem.

 

Ele dá um exemplo do tipo de pensamento que passa pela cabeça dos mais jovens:

 

“Eu não acho que, por exemplo, a minha vó vai ficar doente por minha causa, porque eu tomei uma cerveja no final de semana passado, porque eu tenho muita dificuldade de associar a minha ação com o resultado. Isso acontece com todas as pessoas, porém nos adolescentes isso é mais forte”.

 

Sem possibilidade de escolha
Ao analisar que o desgaste não atinge somente os jovens, Souza lembra que o “cansaço” não é necessariamente em relação ao isolamento, mas ao fato de não poder escolher.

 

 

“Essa falta de controle (pode escolher sair ou não) sobre o que está distante da gente gera muita insegurança. Isso aumenta o estresse das atividades cotidianas, além da mudança da rotina, e pode gerar esse tipo de estafa, e aí a pessoa simplesmente esquece, desiste, desencana e foca nas questões próximas, e aí são os prazeres que acabam incorrendo no risco de várias outras pessoas”, analisa Souza.


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