Hospitais particulares do Rio estão perto da capacidade máxima para Covid; rede pública tem 2º dia sem vagas


A taxa de ocupação dos leitos de UTI para Covid-19 da rede particular na cidade do Rio de Janeiro já passa de 90%. Na rede SUS da capital — que engloba unidades municipais, estaduais e federais — o panorama é semelhante: a taxa de ocupação de leitos de UTI destinados à doença está em 90%.

 

Os leitos que restam na rede pública estão bloqueados para eventual uso por pacientes que já estão internados e podem precisar ir para a UTI.

 

Segundo o médico Graccho Alvim, diretor da Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (Aherj), os dados são preocupantes.

 

 

Ao todo, 1.044 pacientes estão internados nos hospitais públicos da capital. Nas UTIs, são 493 doentes.

 

No SUS, em todo o estado, 276 pessoas estão na fila para internação por Covid, sendo que 123 precisam de UTI.

 

30 horas de espera na emergência.

 

esmo com plano de saúde, Dona Yolandina precisou esperar 30 horas em uma sala da emergência do Hospital São Francisco Xavier, na Tijuca, Zona Norte da cidade, antes de conseguir internação.

O hospital informou que não havia vaga para Dona Yolandina, mas que ela fez todos os exames.

 

 

Para descobrir que estava com Covid-19, uma moradora de Campo Grande, na Zona Oeste, contou que teve que pagar a consulta e o teste. Ela diz que não conseguiu ajuda em nenhuma unidade da rede pública perto de casa.

 

“Me mandaram para clínica na Camari. Chegando lá, a diretora com nome de Eliane disse que não tem médico para atender”, disse Tânia Machado.

 

Nem nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) os pacientes conseguem fazer exames.

 

Com sintomas da doença, Tatiane Lopes diz que só conseguiu marcar o exame para a segunda semana de dezembro.

 

“Eu procurei UPA de Ricardo de Albuquerque, passando muito mal, sentindo todos os sintomas de Covid. Lá eles me passaram somente as medicações de tratamento de Covid porque eles não têm exame, não tem teste, nem raio-x para poder fazer”, disse Tatiane.

 

 

Em municípios onde a prefeitura oferece testes rápidos, como São Gonçalo, a população enfrenta fila.

 

A situação no estado
Em todo o estado, 276 pessoas estão na fila para internação por Covid — 123 precisam de UTI
Nesta quinta, mais cedo, a fila era de 114 pessoas para a enfermaria e 115 para UTI
A última vez que a fila esteve grande assim foi no dia 27 de maio.
Durante o pico da pandemia, em 9 de maio, a fila chegou a ficar com 1.283 pacientes.
Muitas pessoas morreram nas emergências sem o atendimento adequado.

 

O que dizem os citados
O Hospital São Francisco Xavier disse que a paciente Yolandina fez todos os exames necessários no hospital, mas que não havia vaga, por isso foi necessário que ela esperasse em um leito de isolamento até a transferência. O hospital afirmou ainda que a família assinou termo para a idosa fazer o tratamento em casa.

A Prefeitura do Rio declarou que 90% das unidades têm testes para Covid, e que os últimos testes que recebeu são processados em equipamentos especiais, e por isso eles são oferecidos em dez policlínicas.

A prefeitura disse que vai apurar a denúncia do exame marcado para um período superior aos 14 dias do início dos sintomas.

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