No Rio, manifestantes protestam contra morte de João Alberto no Carrefour


O cidadão negro João Alberto Silveira Freitas foi espancado e morto por dois seguranças brancos na quinta-feira, véspera do Dia da Consciência Negra. Manifestação durou mais de 3 horas e acabou de maneira pacífica; clientes de shopping acompanharam ativistas.

Cerca de 150 manifestantes protestaram na tarde deste domingo (22) na Zona Norte do Rio contra o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, o João Beto. O crime ocorreu três dias antes em um Carrefour de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

 

 

O protesto pacífico começou às 14h em frente ao supermercado Carrefour do Norte Shopping, também na Zona Norte do Rio, saiu pelos corredores do centro comercial e seguiu pela Rua Dom Hélder Câmara, uma das principais da região, por volta de 17h.

 

 

Às 17h43, a manifestação foi encerrada sem nenhum episódio de violência. Os líderes pediram que os ativistas dispersassem e filmassem o retorno para casa, evitando eventuais represálias.

 

A Polícia Militar acompanhou a caminhada e tentou evitar a inscrição no asfalto da frase “Vidas pretas importam”, mas se afastou do local.

 

 

Os ativistas levavam faixas com os dizeres “Vidas Negras Importam” e “Parem de nos Matar”. Outra dizia: “Justiça para Beto! Carrefour tem as mãos sujas de sangue negro. Fora Bolsonaro e Mourão”.

 

 

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro disse que tensões raciais são importadas e “alheias” à história do país. O vice-presidente Hamilton Mourão lamentou a morte, mas afirmou que não há racismo no Brasil.

 

Cronologia da manifestação
O protesto começou em frente ao supermercado, diante de um portão fechado que dizia estar “em manutenção”. O supermercado parou de funcionar e fechou todos os acessos.

 

Às 16h, os manifestantes começaram a circular pelo shopping, gritando “Assassino Carrefour”. Clientes do shopping se juntaram ao grupo e passaram a circular com os ativistas.

 

Uma placa do Carrefour que dizia “estamos funcionando normalmente” foi pichada e transformada em “estamos matando normalmente”.

 

 

Em meio ao protesto, uma cidadã branca pedia o fim da manifestação para que os empregos dos trabalhadores da loja fossem preservados. Em nota, o supermercado disse que compreende o protesto.

 

“O Carrefour entende que as manifestações que estão ocorrendo são legítimas. Nós compartilhamos do mesmo sentimento e estamos à disposição para criar um debate com a sociedade, buscando soluções para que casos como este não voltem a acontecer”, diz o texto.

 

 

Relembre o caso
O espancamento de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi filmado por testemunhas (veja vídeo abaixo; as imagens são fortes). O cidadão negro foi espancado e morto por dois homens brancos.

 

 

Os dois suspeitos flagrados em vídeo — o policial militar Giovani Gaspar da Silva, de 24 anos, e o segurança Magno Braz Borges, de 30 anos — tiveram a prisão preventiva decretada. Eles são investigados por homicídio qualificado.

 

 

O advogado de Magno Braz, William Vacari Freitas, disse que não vai se posicionar sobre o caso, no momento. Já o advogado de Giovane Gaspar da Silva, David Leal, diz que o cliente afirma ter levado um soco da vítima, e que “se excedeu”.

 

 

Ambos são funcionários de uma empresa terceirizada, a Vector Segurança. Em nota, a empresa disse que “se sensibiliza com os familiares da vítima e não tolera nenhum tipo de violência” e “iniciou os procedimentos para apuração interna”

 

No sábado, o presidente global do Carrefour, Alexandre Bompard, se pronunciou em uma rede social e pediu para que a rede de supermercados no Brasil faça “uma revisão completa das ações de treinamento dos colaboradores e de terceiros, no que diz respeito à segurança, respeito à diversidade e dos valores de respeito e repúdio à intolerância”.

 

Ao afirmar que medidas foram tomadas em relação à empresa de segurança contratada, o executivo apontou que “essas medidas são insuficientes”.

 

“Meus valores e os valores do Carrefour não compactuam com racismo e violência”, disse o presidente global da rede de supermercados.

 

No Brasil, o Carrefour divulgou uma nota neste sábado dizendo que o dia 20 de novembro foi “o mais triste da história” da empresa e anunciando que, todo o resultado das vendas do último dia 20 das lojas Carrefour Hipermercados, será doado para entidades ligadas à luta pela consciência negra.

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